terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sim, sim, simples
13/11/2008
("Ocurrirá la memoria - Homenaje a Marcel Proust", de Dolores de Torres e Marta Montero)Olhei os post anteriores e vi que, inconscientemente, segui uma tendência que adoro: falar de coisas simples. O simples, o ser simples, as coisas simples, são as mais complicadas do mundo. Pode parecer paradoxal, mas não é. Já percebeu como é difícil falar de coisas cotidianas? Fica mais difícil porque nem todo mundo consegue manter um distanciamento do dia-a-dia, das coisas cotidianas. Falar da convivência com os amigos, dos momentos que podem parecer banais, mas são os mais importantes, falar sobre fases, sobre o amor, que, por mais banal que pareça ser falar sobre ele, não é simples, meeesmo.Alguns podem pensar que sou piegas, tudo bem, respeito cada opinião, respeito, mas nem sempre levo em conta, que fique claro. Mas não é piegas você passar para o papel, no caso, para o Word, pensamentos que te ocorrem durante todo o dia. Isso fica ainda mais complexo com jornalistas, que ficam o dia todo escrevendo sobre coisas sérias como leis, projetos, eventos oficiais. O que é importante para pessoas assim? Como medir a importância de uma conversa, um encontro inesperado, um telefonema de surpresa?Não tem como, essa medição é individual. E individual é a palavra, não vou usar pessoal porque entendo que só conseguimos mensurar nossos atos quando somos indivíduos, temos nossa individualidade. E só quando me reconheço como um indivíduo, como um ser-no-mundo (Sartre!), um ser pensante e agente social que posso saber a importância de, por exemplo, sorrir amigavelmente para quem pisa no meu pé no metrô, para um amigo que pede uma opinião.São as coisas simples que acontecem com mais freqüência, tornando-se mais intensas em seu conjunto. É o ato de comer um doce que você gosta sem se preocupar se ele é ou não super chic e servido no restaurante da moda que te deixa feliz, pelo menos para mim funciona assim. Não troco comer um milho de esquina na Paulista fofocando com minha amiga Vavá por nenhum outro jantar super fino com gente que não tem nada a dizer além de discursos copiados de um grupo considerado tendência. A não ser quando realmente é preciso.Vavá é mais legal. Eu acho. Principalmente quando ficamos conversando horas a fio e nem vemos o tempo passar. Vavá é simples como eu, gosta de coisas corriqueiras porque também sabe que elas são as mais gostosas. Nunca fui adepto de supercoisas, elas me cansam porque geralmente vêm acompanhadas de superpessoas com suas superidéias. Super para mim só o gato do Super Boy. Gosto de gente de sorriso amigo e simples. Gosto de coisas que são o que se propõem a ser, sem máscaras de superalgo. As coisas simples são as mais complexas, por isso as mais gostosas e a melhor matéria-prima para a escrita de quem as observa como elas são, muito mais do que apenas coisas simples. Quer uma prova? “Em Busca do Tempo Perdido”, do parisiense Marcel Proust. Uma obra com grossos sete volumes da mais pura filosofia que começou quando ele comeu um doce e se lembrou de sua infância. Permita-se ser simples, é o mais complexo jeito de ser que alguém pode ter.
Escrito por Hélio Filho às 12h38
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Claudia
11/11/2008
Eu gosto da Claudia Wonder. O primeiro contato que tive com a figura dela foi ainda bem cedo, ouvindo o CD “Dê-se ao Luxo”, do Edson Cordeiro, quando tinha uns 13 anos. Em “Não se Reprima”, ele cita o wondernome e coloca a imagem de Claudia no imaginário de quem ainda não a conhece. E foi assim comigo, quem era Claudia Wonder? Depois aconteceu aquilo de começar a aparecer informações sobre o que você procura, o que muitas vezes nada mais é do que você prestando mais atenção àquilo.
Aí comecei a ler mais coisas relacionadas ao mundo gay e o wondernome aparecia sempre ligado a alguma ação de prevenção ou conscientização, ou um trabalho com transexuais, um livro, um CD, performances... Fui descobrindo que Claudia tem talento e informação demais para ser classificada apenas como uma transexual que faz shows. Suas próprias apresentações no Madame Satã marcaram época por quebrar o paradigma de até então. O mais interessante é que eu não presenciei isso, mas foi tão marcante que toda boa retrospectiva da noite de São Paulo inclui esses momentos, marcantes não só para a época, como provado.
Então ela escreveu seu “Olhares de Claudia Wonder”, que caiu direto na minha mão para uma leitura e posterior resenha. O texto fluído foi lido em pouco tempo, e minha admiração por ela começou a ficar maior. Todas aquelas histórias de transexuais, com seus sentimentos (coisa esquecida pela maioria das pessoas) e desejos e as reflexões wonderianas abriram minha cabeça e derrubaram muitos preconceitos que eu, infelizmente, ainda tinha.
Inclusive eu acho ridícula a hipocrisia do mundo gay. Ninguém admite que tem preconceito contra outros grupos do mundinho. Todo mundo é super tolerante, mas quando alguma fofa passa com uma roupa barata, mesmo que bonita, chovem xoxos. Ainda bem que li o livro.
Coincidência ou não, pouco tempo depois da matéria publicada encontrei pessoalmente com Claudia, que, coincidência ou não (de novo), sentou bem ao meu lado durante o desfile da grife 269. Foi tudooo ver uma travesti entrando em uma sauna, convidada pelo dono e acompanhada de outra amiga trans. Mais uma vez ela quebrava barreiras. Claudia abria seu leque enorme para espantar o calor que vinha do vapor da sauna – e da beleza dos modelos – e começamos a conversar. Uma fofa. Super educada, inteligente e agradável. Saí de lá com mais boas impressões.
Mas porque, afinal, eu decidi escrever sobre Claudia Wonder? Bom, uma figura como ela sempre merece um post, mas este tem um motivo: a música dela. Confesso que nunca tinha ouvido o CD "Funkydiscofashion". Encontrei nos arquivos do meu computador um remix de “Mulher do Balcão” que algum outro repórter deve ter baixado. Coloquei para tocar e adorei. É dançante, bem feito e tem um toque muito charmoso de submundo ao falar de bares, conquistas e dissabores. É a trilha sonora de vários locais, de muitas pessoas e de quase todo homossexual. Quase todo porque sempre tem alguém que faz questão de ser do contra.
A voz de Claudia rasga a música e avisa que o recado está dado: a mulher do balcão é perigosa, toma champagne e bebe pinga com limão. Imagino um cenário de luz frágil, uma mulher de boca carmim e vestido colado com olhos de leoa marcando sua presença. Um alter-ego de Claudia? Talvez não, talvez ela mesma, uma mulher, em uma de suas muitas histórias dentro do mundo gay colecionadas durante uma enriquecedora caminhada ao longo de anos. Conheça Claudia Wonder, você pode escolher conhecer a artista, a performer, a cantora, a escritora, a transexual militante ou simplesmente ela, que vem com todas essas em uma só. Wonderful!
Escrito por Hélio Filho às 18h29
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Meus amigos
10/11/2008
Para mim, meus amigos não têm raça, não têm credo e nem classe social.Meus amigos são alegres e contagiantes.Quando estão tristes, logo buscam a ajuda uns dos outros e tudo se resolve.Meus amigos se apóiam, se entendem e se completam.Gostamos muito de nós juntos, mesmo quando estamos discutindo fervorosamente.Meus amigos falam o tempo todo, sobre tudo.Eles não têm medo de parecerem ridículos quando o que está em jogo é se divertir e conquistar o sorriso de alguém.Meus amigos falam alto, riem alto, e muito, sempre.Não nos importamos com nomes, sobrenomes ou posses.Meus amigos se gostam porque gostam da personalidade um do outro.Somos sempre sinceros, mesmo que isso signifique a cara feia de um de nós.Meus amigos são fortes, trabalhadores e têm a consciência de que na vida nada se ganha de mão beijada.Estamos sempre batalhando, correndo atrás de nossos sonhos, buscando o apoio mútuo a todo o momento.Meus amigos tiram sarro um do outro sempre francamente, dando a oportunidade do alvo rir de sua própria desgraça.Eles são verdadeiros, companheiros, sinceros e a favor da felicidade.Meus amigos são ótimos, me entendem, me corrigem e me deixam confiante.Por isso eles são os meus amigos, isso me deixa muito feliz.
Zum
06/11/2008
O tempo anda correndo na velocidade da luz por aqui. Queria um pouco dele para postar direito.
Escrito por Hélio Filho às 16h18
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Quando
03/11/2008
Quando uma pessoa se sente sozinha, mesmo em meio a muita gente.Quando ela fica impedida de confiar nos outros.Quando tudo fica muito pesado.Quando os ciclos se renovam sem serem modificados.Quando o cotidiano não deixa tempo para pensar.Quando os problemas parecem sem solução, mesmo precisando ser resolvidos.Quando achamos a solução e somos julgados por isso.Quando não entendemos mais quem somos.Quando temos dúvidas quanto ao que queremos.Quando encerramos uma fase da vida querendo deixá-la para trás.Quando apenas vale a pena relembrar as lições que ela deixou.Quando o julgamento é inabalável e nem sempre justo.Quando o vazio toma conta e nos preenchemos de modo errado.Quando esse modo traz conseqüências futuras.Quando essas conseqüências te machucam.Quando você acha que apenas decidir melhorar, e fazer isso, é suficiente.Quando sua dor te ensina, sua limitação te orienta.Quando o mundo começa a ficar melhor.Quando a luz começa a aparecer.Quando o coração começa a bater diferente, mais acelerado.Quando a emoção domina a até então inabalável razão.Quando seu sentimento te chama, te empurra.Quando você sente que encontrou.Quando a saudade não te deixa em paz.Quando você não tem medo de mudar tudo para continuar a ser feliz.Quando você tem certeza que essa é sua chance de ser feliz.Quando você quer ser feliz.Quando você quer viver em paz.Quando nada mais importa a não ser a sucessão de dias cada dia melhores.Quando tudo isso acontecer você estará pronto para dizer que tem certeza de algo.Quando eu quero segurar sua mão, sempre e sinceramente.Quando se ama.
Inclível odisséia eletrônica
29/10/2008
Pode parecer irônico, um contra-senso ou apenas uma barreira de idiomas, mas fazer compras no Promo Center, em plena Avenida Paulista, é quase impossível para um brasileiro que não fala nenhuma língua oriental. Ontem saí correndo aqui do Mix para comprar um MP3 player com gravador. As mais antenadas e tecnológicas vão falar: “nossa, MP3 ainda? Mas já tem até MP125478545”. Ok, mas eu já explicitei aqui a minha pouca intimidade com tecnologias e só o MP3 está bom, precisava mesmo era do gravador. Como já tive um MP3 player e o seu gravador sempre garantiu seu serviço, decidi não arriscar colocando mais funções em um lugar só.
E lá fui eu. Pensei: um lugar acessível e que tenha produtos eletrônicos baratos. Bingo! Top Center, em frente à estação do Metrô e cheio de opções de eletrônicos dos mais diversos. Entrei naqueles corredores cheios de botões, aparelhos, bolsas, óculos e até pão de queijo à procura do meu gravador. Depois da última entrevista para a próxima Junior, que durou quase quatro horas e foi toda manuscrita, achar esse gravador era o bálsamo para meus tendões da mão. E lá fui eu. Anda aqui, anda ali. Dior, Chanel e Versace por todos os lugares. Toques de celular intermitentes, barganhas comerciais sem fim.
Cheguei à primeira loja/Box/seiláonomedaquilo e perguntei: “tem MP3 player?”. A oriental vendedora até que tentou entender de primeira, mas não teve jeito e se entregou à falta de familiaridade com o português falado rápido: “hã?”. “Já vi que vai ser difícil”, logo pensei. Nada como o dedo indicador como forma de comunicação, é só apontar e qualquer pessoa que enxergue, e raciocine o mínimo, vai saber o que você quer. Olhei, testei e perguntei o preço. “Qualenta cinco”, foi a resposta, assim mesmo, com o E entre os dois números perdido na poeira do tempo.
Só um problema, o aparelho estava disponível apenas na versão cor-de-rosa. Falei pra vendedora que tudo bem, eu era gay e não teria problema andar por aí com um aparelho desses. Mas acho que não ia rolar, minha cor preferida é o azul, queria um azul, ou preto (acabei comprando um prata). E, para uma pessoa que não tem intimidade com tecnologia, perceber que o idioma do aparelho é o japonês, sem opções de outros, é ponto decisivo para não comprá-lo. Decidi ir para outra banca/Box/armadocomercial procurar um que, pelo menos, fosse em um idioma ocidental qualquer, de berço latino, pelo menos, para facilitar minha vida.
Cheguei à outra e fui recebido por uma vendedora com a seriedade característica dos orientais (digo orientais porque nem sempre consigo identificar pelas feições deles seu país de origem). Confesso que ela foi até meio grossa, pareceu despreocupada e me passou a impressão de que se eu comprasse ali ou não isso não faria a menor diferença. Meu ego percebeu isso e mandou uma mensagem para meus pés: “queridinhos, vazem daqui, não somos bem quistos”. E eles obedeceram.
Já cansado de andar e zonzo com tanta informação tecnológica em um lugar só, cheguei à terceira banca/loja/estande com aquela certeza de que se não rolasse a compra ali, naquela hora, eu ia voltar para casa sem gravador. Nada como a globalização que uniformiza a juventude. Fui recebido por uma mocinha oriental tímida de All Star preto nos pés. Senti uma certa liberdade e, quando vi, já estava fazendo a mocinha quase cantar no MP3 player para eu testar o gravador. “Fala alguma coisa”, pedi. “O quê?”, ela respondeu. Já falou, já era, enquanto você pensava, eu já gravei e testei. Deu certo, o gravador é bom e já será estreado hoje mesmo, na próxima entrevista para a Junior 8.
Enquanto pagava os “qualenta cinco” reais, percebi que tinha uma mulher do meu lado que, se não tinha a mesma, possuía menos intimidade com tecnologias do que eu. Ela tentava entender quais opções o MP7 (ou era 8, ou 9, ou 1457) trazia para dar de presente ao filho. Não resisti, uma juventude sem senso crítico iria ganhar mais uma voz se eu não falasse: “acho melhor você desistir desse aparelho e comprar um livro pro seu filho, o futuro dele agradece”. Intrometido eu. Não costumo palpitar na vida dos outros, mas precisava fazer algo para salvar a futura crítica do Brasil. Se deu certo não sei, mas eu tentei. Vai comprar MP7 e a criança fica o dia inteiro vendo vídeos bobos e deixa de lado a lição de casa, termo obsoleto hoje em dia.
Saí feliz, já ouvindo música no novo aparelho. Sim, de brinde, duas músicas vieram na memória do MP3: “Say You, Say Me”, do Lionel, e um rock cantado por uma banda japonesa, cujo nome da música são vários risquinhos distribuídos em uma ordem que só quem tem familiaridade com a língua do sol nascente vai me saber dizer qual é. Coreanos, chineses, japoneses, vietnamitas, não sei de quais países os comerciantes que estão ali no Top Center vieram, mas foi legal perceber que o Brasil é mesmo acolhedor e tolerante, são todos bem-vindos. Aonde mais uma pessoa que não fala a língua local teria um comércio em plena coluna cervical de São Paulo? Hum, vontade de comer sushi e chupar picolé de melão.
Escrito por Hélio Filho às 14h26
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Por um segundo mais feliz
28/10/2008
Felicidade é uma filosofia de vida, questão de escolha, algo maior que uma sensação. Até mesmo as situações ruins apresentam ao ser humano duas oportunidades: ou você senta e chora, ou levanta com um belo sorriso para dizer que aprendeu a lição e vai continuar rindo, feliz, mesmo que a diversão venha da própria desgraça,, e não da alheia, como é mais comum.Decidi há tempos ser feliz, não apenas estar. Às vezes me pergunto porque tantas pessoas fazem questão de obstruir sua felicidade. Pessoas de posses, fortes candidatas aos encantamentos que a tranqüilidade material pode trazer.Mas elas não são felizes. Por quê? Ora por esquecerem o que desperta a felicidade e ora por não fazerem questão de perder seu precioso tempo com coisas bobas, como um belo pôr-do-sol. Feliz de verdade para mim é quem se compromete a equilibrar todos os setores de sua vida, colocando-os sempre embaixo do guarda-chuva da beleza e leveza de um sorriso sincero. Se for amarelo, que seja de tabaco, o importante é ser sincero.Todo mundo tem uma receita para ser feliz, eu acredito mais em autoconhecimento, em atitudes positivas. Momentos tristes sempre existirão para todos. Para mim, eles são a antítese daquilo que quero para minha vida, são valiosos exemplos de como ela será se eu não for, e não apenas estar, feliz. Para acompanhar o post, selecionei “Shiny Happy People”, do R.E.M, que passa por São Paulo no próximo dia 8.
Era uma casa muito engraçada...
24/10/2008
Na maioria das vezes em que eu falo para meus amigos heterossexuais que trabalho no Mix e na Junior vem a pergunta: só pode trabalhar gay no Mix? A dúvida é pertinente, já que nossa equipe é formada por gays, lésbicas, um bissexual e uma travesti. Só nossa eficiente prestadora de serviços domésticos é hétero, mesmo tendo confessado um passado suspeito. Não, não tem que ser gay para trabalhar aqui, mas é que se trata de uma Redação bem segmentada, com matérias que levam gírias e exigem um conhecimento de causa, vivência. Não é heterofobia, é só uma questão de adaptação. Tudo bem que meus melhores amigos héteros como a Vavá e o Rodolfo são mais gays do que eu, mas a labuta diária no meio LGBT pode não trazer para eles uma realização pessoal (que vem da profissional) tão grande quanto para nós, as fofas que escrevemos para você. Vou explicar um pouco nossa dinâmica para que isso fique mais claro. O Mix fica aqui na Vila Madalena (segundo nossas fontes lésbicas internas, o bairro paulistano oficial das bolachas), em um sobrado de cor amarela. Nunca perguntei pro André se é isso mesmo, mas o amarelo para mim significa a diversidade. Quando uma mãe não sabe se seu filho vai ser menino ou menina, se joga nas roupinhas amarelas, não é? Não é azul “de menino” e nem cor-de-rosa “de menina”. Nas paredes, pinturas coloridas e um painel com o povo que já trabalhou aqui em um estilo meio pop-art. Na Redação, somos em oito gays. Dá para imaginar as conversas, não? Conversamos, debatemos e quando surge uma dúvida sobre relacionamento o assunto cai na roda e ganha a opinião e experiência de todo mundo. Tem eleição dos mais gatos do momento também. De repente, Britney Spears (ou Rihanna) pode começar a cantar na caixa de som do Irving ou Anthony and The Johnsons na do Marcelo. Às vezes, o Paulo chega animado e coloca um som também, que pode ir de Damien Rice a Sugarcubes, dependendo do que o iPod dele selecionar. É legal ser jornalista e gay, assim você escreve as matérias ouvindo Madonna, xoxando o novo CD da pseudo-cantora ou ouvindo as histórias bafônicas do fim de semana. Na recepção, Kelly joga seus longos cabelos pra lá e pra cá, do mesmo jeito que corre aqui dentro de um lado pro outro com o telefone (que não pára de tocar) na mão e cheia de coisas para fazer. Na parte de cima, André curte a vista da varanda de sua sala de um lado da casa e está sempre falando com alguém para resolver as milhares de coisas do grupo Mix. Do outro, quatro gays e uma lésbica passam o dia em meio a números, contas, extratos financeiros, notas fiscais e tudo mais que a parte burocrática exige.Na Rádio, Ingrid produz as vinhetas e edita os programas que vão ao ar, além de receber os convidados e buscar sempre novidades musicais para o playlist. Do lado da rádio fica o Festival, onde um fofo e uma fofa passam o dia mergulhados em nomes de diretores, classificação de filmes, contatos nacionais e internacionais para articular eventos e muitos, mas muitos DVDs.Não tem que ser gay, lésbica ou travesti para trabalhar aqui, mas tem que achar normal e engraçado quando surge um toque de celular bem gay como o “Sou rica!” da Carolina Ferraz, quando alguém te der bom dia com vários emes no final para dar aqueeela vibração bem bicha, quando for cobrir desfile de roupas em uma sauna ou quando você quer usar o banheiro e ele está fechado por horas e, quando a porta abre, o rapaz magrinho que entrou lá dentro sai montadíssimo. Os banheiros do Mix às vezes presenciam isso: entra um bofe e sai uma drag luxuosa. Isso é um pouco do muito que acontece por aqui. Acho legal revelar um pouco dos nossos bastidores. Gostou?
Escrito por Hélio Filho às 17h38
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Quentinha
23/10/2008
São Paulo está pegando fogo. Que calor é esse? A primavera demorou, mas chegou com cara de verão. As comuns chuvas de despedida do inverno já caíram, começou a estação quente. E bota quente nisso. Hoje fomos almoçar eu, Irving, Josi e Ingrid e até dispensamos o cafézinho da digestão porque não dava para esquentar ainda mais o corpo. Ok, como bom paranaense, não dispensei, confesso, mas eles nem quiseram saber de bebidas quentes. Eu morava em Mato Grosso do Sul antes de vir para São Paulo (looonga história). Campo Grande é quente, faz mais de 40 graus às vezes e chuva mesmo só para encher o Pantanal no fim do ano. Mas lá venta, não tem nem um vigésimo dos prédios da Paulicéia, o ar corre, refresca. Sem contar na umidade deliciosa que o Pantanal sopra. Acho que mais de um ano morando em São Paulo me desacostumou das temperaturas mais quentes. Fico pensando em como meu pai, que mora em Tocantins, se vira quando faz 46 graus, porque sim, faz.Para quem gosta de sol, o que não é meu caso (odeio tomar sol e vou à praia só depois das 17 horas), o clima está ótimo. Com o horário de verão então, dependendo da hora que você sai do trabalho (se tem um) dá até para se arriscar em uma piscina tomando um bronze, ficando da cor do pecado para o verão. Ar-condicionado é um verdadeiro tesouro nesses dias. Os do Mix estão à toda o dia inteiro.Olhando lá para fora agora (18h40), dá até para ver umas nuvens pesadas que ameaçam contribuir para o nível pluviométrico anual, mas faz dias que só ameaça e nenhuma gota cai de lá de cima. Bom, moro em um País tropical, o jeito é abusar de bebidas geladas e das sombras que se espalham pela rua. Não esquecendo dos óculos escuros.
Escrito por Hélio Filho às 18h47
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26 de outubro
22/10/2008
No próximo domingo, dia 26, alguns municípios brasileiros vão novamente chamar seus eleitores para votarem nos candidatos a prefeito. De modo geral, são duas pessoas que já se atacaram incessantemente durante o primeiro turno e chegam ao segundo já cansados de se defender do ataque um do outro. Trunfos na manga foram usados (nem todos, no caso de políticos mais experientes e de visão) e os eleitores já pedem a Deus e todos os santos para que a campanha acabe logo. Horário eleitoral é necessário, mas cansa.Para os jornalistas que cobrem Política, principalmente aqueles que só fazem isso, a sensação é de “lá vem essa história de novo”. O pior é que Política é uma das editorias mais delicadas, senão a mais. Escrever sobre políticos é mexer na instância psíquica humana mais poderosa, o ego, que subentende vaidade, poder. Sempre alguém vai ficar magoado, vai achar um absurdo a matéria, vai gritar, criticar e discutir. Não dá para agradar todo mundo, e essa não é a intenção. Informar nem sempre é tarefa fácil.Na Política LGBT não é diferente. O candidato X não gosta porque você entrevista o Y e não faz isso com ele, mesmo que as entrevistas sejam programadas e abranjam todos eles, mas em dias diferentes. Além disso, a comunidade gay acha que os jornalistas devem aplaudir todas as iniciativas em favor da causa, mas não é assim. Jornalista é um ser crítico por natureza, contestador, inquieto e que não se contenta em bater palmas apenas. Queremos refletir, dizer o que aquele encontro, reunião, comício ou caminhada representa. Não dá só pra contar como foi.E a comunidade LGBT acha ruim se você critica alguém que defende os homossexuais. Jornalista não é assessor de imprensa de político (a não ser se for contratado para isso), nem deve se tornar um porta-voz ignorante das falas dele só porque fulano ou cicrano se diz a favor dos gays. Até porque, na campanha surgem aliados da causa às dúzias, centenas. Jornalista precisa ser um olho do leitor nos lugares onde ele não pode estar, até porque estar nos lugares é nosso papel, não de quem lê. Reportagem quer dizer reportar, entende?Mas não dá só para ficar na descrição, é preciso um pouco de reflexão, digressão. Se foi ruim, foi ruim, e ponto final. Se foi bom, palmas. Mas nem todo mundo pensa assim, ainda mais no meio político. As ideologias que permeiam todos os partidos são direcionadas, cada uma tem um sentido diferente (mesmo que hoje os políticos pareçam todos iguais). Mexer nessas “certezas” dos partidários é passo certo para ser criticado. Quem está dentro da Política nem sempre consegue reconhecer que suas ações não alcançaram o resultado esperado, e frustração é ruim, gera recalque, inveja e até ódio. Eu fui um pouco criticado por algumas matérias de Política, mas acho normal, pelo menos consegui fazer com que meu leitor discuta alguma coisa, participe, pense. Não volto atrás em uma pequena palavra que seja do que escrevi ou falei nos Podcasts (confira na seção “Voto GLS”). Não tenho partido, não voto em São Paulo e muito menos vou abaixar a cabeça porque acharam ruim eu colocar também o lado falho da coisa. Não menti e essa certeza me deixa pleno.Os candidatos que dialogaram com os LGBTs, pelo menos em São Paulo, se mostraram fofos, preocupados, mas também escorregaram. Sim, os três primeiros lugares das pesquisas de intenção de voto erraram, em maior ou menor escala, é verdade, mas erraram, em alguns pontos deixaram a desejar. Isso não pode ser omitido, não se pode bater palma para discursos assim. Jornalista é uma coisa, eleitor e partidário é outra. A imprensa tem a obrigação de mostrar os dois lados do mesmo fato, é um princípio básico aprendido em toda boa faculdade de Jornalismo. Com os dois lados, o leitor forma a visão dele, sem interferências. Ele lê e decide o que acha.As eleições vão acabar e essas pessoas que se exaltaram, brigaram e xingaram durante toda a campanha vão voltar para suas casas, suas vidas. Voltar de vez, sem ficar pensando nas urnas. Toda aquela animosidade de antes se dissipa e fica diluída no corrido cotidiano, que apaga muitas coisas consideradas super importantes antes de 26 de outubro. Eu vou continuar aqui, escrevendo para você ler e ficar informado, saber o que está acontecendo de forma clara para se tornar uma pessoa mais participativa da sociedade e aprender que críticas bem fundadas devem sempre ser feitas. Bem fundadas, repito.
Escrito por Hélio Filho às 18h14
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Roberto
20/10/2008
Sábado fui ver o show de lançamento do novo CD do Frejat, “Intimidade entre estranhos”, no Via Funchal. Intimidade entre estranhos não poderia ser um título melhor, foi assim que me senti. Conhecia o Frejat, mas o Frejat rock, que incendiava o povo com o Barão Vermelho, gritava palavrão e subia ao palco cheio de sangue nos olhos. Confesso que não acompanho a carreira solo dele, sem contar os sucessos radiofônicos, acho que não sei nenhuma música dessa nova fase. Mas eu conhecia o Frejat, a voz continua a mesma (sexy, cheia de malícia e daquelas ondas deliciosas que se misturam às guitarras), mas ele mudou, pelo menos sua música.Frejat agora é mais low profile, está com menos riffs e mais amores mal-resolvidos. O som continua bom, rock gostoso mesmo até quando beira o pop meloso. Mas eu ainda prefiro aquela barulheira cheia de distorções nos solos de guitarra como em “Por que a gente é assim” ou “Pedra, flor e espinho”. A rebeldia de uma banda que nasceu nos obscuros anos 1980 - marcados pela AIDS e uma nova ordem política no Brasil, agora sem ditadura (pelo menos militar) - com a beleza das letras dos poetas Cazuza e Frejat. O Barão foi uma das bandas da minha infância e adolescência, e continua a ser ouvido por mim nessa fase inicial da vida adulta. Porque sim, gay também gosta de rock, não é só Britney e Rihanna. Meu primeiro disco (vinil) era do Midnight Oil, e eu nem sabia direito o que era aquilo. O Barão tinha um rock gostoso, pesado, mas cheio de ginga carioca, dando aquela vontade de dançar e não só pular ou bater a cabeça, no caso dos headbangers. Como a música é a expressão do músico, a do Fejat não poderia ser a mesma do Barão. Ele mudou, é pai, está quase nos 50 e já provou que é bom, que segurou a onda quando Cazuza deixou o grupo. Agora é a hora dele, só dele. É hora de chamar o filho para tocar no palco (e arrasar) e fazer música despreocupado com a crítica. É hora de brincar com os vários sucessos do Barão e colocá-los no show aleatoriamente, qualquer um será bom e todo mundo vai cantar. Sábado ele mandou coisas como “Bete Balanço”, “Malandragem” e “Por que a gente é assim”, o melhor momento da apresentação.Nessa música, a guitarra voltou para a mão dele, que sabe como fazer a gente arrepiar com os riffs. Momento rock, daqueles com pano de fundo de rebeldia, transgressão, rock’n’roll, p*¨%#$. Valeu todo o show. Mas o engraçado é que se Frejat anda calminho, as duas músicas que o filho dele, Rafael, tocou na guitarra mostraram que vem gente boa por aí, bem longe da frescura de Fresno e NXZero. O garoto tem aquele cabelo um pouco grande e com um quê de despenteado. Arrasa na guitarra e tira sons pesados, hard. O pai desacelerou, mas o filho promete chegar metendo o pé na porta da mediocridade do rock nacional atual. Ele poderia crescer logo e começar a fazer uns shows, eu ia adorar. Pelo menos fica a certeza de que se Frejat esquecer algum dia o que é rock, basta Rafael abrir a porta do quarto e aumentar o amplificador de sua guitarra. Ele fica longe de outros filhos de músicos como Maria Rita e Jairzinho de Oliveira simplesmente porque não está imitando o pai, está superando. Mais uns poucos anos e teremos muitas boas notícias de um menino carioca que está incendiando o rock. Frejat mudou, sua música mudou e eu também mudei. E isso é ótimo, a arte é assim, dinâmica. Nenhum (bom) artista nunca ficou só em uma linha de criação, sempre diversificou porque cria, e criação subentende sentimentos íntimos, que, claro, mudam ao longo dos anos. Eu também não pulo mais em shows, não enfrento filas enormes para ver uma banda e nem tomo mais aquela bebida assassina da adolescência com apelido simpático de “Bolha”. Deixa o Frejat fazer o que bem quiser com sua música, a contribuição que ele deixou em anos no Barão (e nos eternos CDs que poderemos ouvir quando quisermos) lhe dá essas merecidas férias da vida louca vida, vida breve (nãooo) do rock. Pena que a missão de fazer a gente arrepiar vai ficar a cargo de não tão criativo artistas, tipo uma bandinha pseudo-indie que assistia ao show de Frejat com seus cabelos meio compridos jogados na cara. Eles poderiam aprender um pouquinho com quem sabe das coisas. Ir ao show já foi um bom começo.No vídeo, "Ponto Fraco", uma das que eu mais gosto.

Blog no Mix

“Maria beijou Hélio no rosto via Buddy Poke”
17/10/2008

Cada dia tem uma coisa nova na internet. A vida real está sendo transposta para o virtual por meio de sites como Orkut, Facebook, Hi5 e mais uma infinidade do tipo. Juro, juro mesmo que tentei entrar no Facebook, até entrei, mas não deu certo. Por que? Digamos que muita modernidade ao mesmo tempo aqui e agora me confunde, fiz curso de datilografia, ganhar presente virtual me confunde.No Orkut até que eu me viro bem, quer dizer, virava. Depois que inventaram o Buddy Poke, opção de música, mapa dos lugares e mais sei lá o quê, fiquei perdido de novo. Fiz um Poke, mas nunca lembro de abrir e ver o que está acontecendo. E agora dá pra você abrir seus scraps para todo mundo ler nas atualizações. Quando eu acho que estou abafando, entendendo de tudo, trocam, mudam, inventam. Fico sempre para trás.Facebook então, hummm, é um desafio, foi, na verdade. As pessoas me cutucavam, davam presente, me compravam. Até uma Bianca Exótica e um André Almada eu recebi e não sabia o que fazer. Mando de volta? Cutuco de volta? Como? Onde? E o povo se joga, é uma diversão (para quem entende e eu admiro por isso) comprar aquela bicha sua amiga, depois vem a outra bicha e compra você, e você compra a bicha, a bicha te compra, todo mundo vende todo mundo e ninguém ganha um real verdadeiro por isso. Acho que até quando saí estava valendo alguns milhares de reais. Quem faz essa cotação? O banco do Fidel Castro? Humpf!Desisti. Não é pra mim. Orkut já é demais, um só está de bom tamanho. Fico pensando em como deve ser a vida daqueles amigos que me mandam convite via e-mail “Acesse meu perfil e fotos”. Aí você vai ver é mais um site de relacionamentos e contatos na internet. Outro, depois outro, mais um. Tudo bem que cada um deles funciona de forma diferente. Mas são muitos. Imagina pra lembrar todas as senhas, logins, e-mails. Você tem que andar com uma caderneta daquelas com índice alfabético: “o” – Orkut: nonono@nono.com.br senha: nonono. “H” – Hi5... por aí vai.Não dá pra negar que os relacionamentos humanos estão se virtualizando. Uma piscadinha no msn substitui para algumas pessoas o oi real, ver o sorriso, sentir o perfume (ou não, né?). Aí você fica tão perdido com esse monte de sites e acaba sem tempo pra dar aquela ligada para a amiga e combinar de dar uns bordejos (adoro Aguinaldo Silva) por aí. Como eu sempre digo: bicha burra sofre!
Escrito por Hélio Filho às 18h50
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De segunda
16/10/2008
A segunda vez pode ser muito melhor do que a primeira. Um cinema com o gato novo, por exemplo, é bem melhor do que na primeira vez. Você sabe se pode rir alto sem assustar o bofe, pedir a pipoca mega-combo-ultra-gold lotada de manteiga sem ele te olhar torto querendo te matar antes que o colesterol faça isso, comentar as cenas (ou não, por favor, assista ao filme!) e sabe, inclusive, se ele é daqueles que deixam você pegar na mão no escurinho ou se fogem de carícias públicas como o Diabo da cruz (como se no escuro do cinema todo mundo estivesse olhando para ele, e não para o filme).O segundo encontro é uma delícia, ainda mais se você for desses que marcam pela internet e fazem promessas a Deus e todo mundo para o cara ser o mesmo da foto. Quem teve o primeiro encontro inesperado, pode se preparar melhor para o segundo, colocar aquela roupa da sorte (tem gente supersticiosa pra tudo), passar o perfume “cata-macho” e não corre o risco de estar cheio de sacolas e papéis do trabalho (além da cara de dia todo). A segunda transa então, uh! Já dá pra saber quem vai fazer o quê, como, onde e quantas vezes. Sem contar que rola uma pouca intimidade já, você não fica tão preso e se entrega às delícias, fala mais do que gosta ou não. O segundo beijo não é o melhor, ainda mais se o primeiro foi roubado no meio da rua sem você esperar, mas também tem seu charme. A boca encaixa certo, as línguas encontram suas velocidades de encontro e a paixonite já cresceu um pouquinho. O magnetismo oscular aumenta, uma delícia. A primeira vez tem toda uma emoção própria, mas a segunda traz mais certezas. Para capricornianos como eu, certezas são extremamente atrativas, nos dão segurança e nos seduzem.A segunda vez que você vai àquele clube novo super legal também é melhor, e mais segura. Não corre o risco de cair naquela escadaria que surge de repente do nada (ainda mais se você bebeu um pouco), já sabe os clãs da noite que vai encontrar e, em alguns casos, já elegeu o barman mais gostoso para pedir todos os drinks só para ele a noite toda. Só não vale ficar bêbado e encostar no balcão caindo e falando mole demais. Tem que manter o charme, você está seduzindo.Término de namoro então, nem se fala. Da segunda vez que você termina não tem tanto drama, você sabe que existem muitas possibilidades de volta (afinal, já aconteceu uma vez) e já nem liga tanto para os charminhos do amado. Você já chorou, ou fez chorar, e talvez, o que é bem provável, o motivo do segundo término seja o mesmo de antes, por isso a volta é muito previsível, tem um caminho de argumentos já traçado e te deixa mais tranqüilo.Mas algumas segundas não são tão bem quistas. Segunda-feira é a hours concours, só dono de banco que gosta, e olhe lá, isso se for dias tipo 5, 10 ou 30, quando eles sugam seu salário por uma válvula imaginária impossível de ser bloqueada por nós, simples mortais pagantes de impostos. Existem outros exemplos de primeiras vezes que não devem, nunca, de modo algum, por favor, ter continuidade. Ombreiras enormes pela segunda vez na moda, não! Fazer permanente no cabelo, nunca (se você fez a primeira vez, ok, errar é humano, mas persistir no erro?)! Gretchen (e qualquer outra subcelebridade) na indústria pornô, socorro!Nossa, poderia escrever uma verdadeira lista de erros a não serem repetidos, melhor parar. Até porque, preciso curtir a segunda postagem, que chega menos tímida, com alguns poucos comentários legais e cheia de vontade de ser lida. Bom, essa foi uma segunda vez minha muito gostosa.
Escrito por Hélio Filho às 18h30
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Chegay!
15/10/2008
Oi, tudo bem? Eu sou o Hélio, aquele que escreve algumas das matérias que você lê aqui no Mix. Pois é, agora vou escrever também aqui no blog, mas a abordagem é diferente, e é justamente sobre essa diferença que eu queria falar. Por que um jornalista que passa o dia todo escrevendo ainda quer um blog? Simples, porque a ética jornalística nos impede de escrever algumas (várias, na verdade) coisas que podem soar – e muitas vezes são – tendenciosas. Além disso, não podemos postar no site um vídeo daquela música que adoramos e acordamos com ela na cabeça. O blog é uma válvula de escape, um campo aberto para ser semeado por idéias que nem sempre rendem uma boa pauta. Mas um blog não substitui um site. Ok, pode parecer uma visão conservadora, de quem ainda adora o cheiro de um jornal impresso (com direito a dedão manchado) e compra CD em vez de baixar músicas na internet. Mas é a verdade, pelo menos a minha verdade. Por mais que proliferem por aí blogs, fotologs e videologs, é na estrutura primeira de um site que o leitor pode encontrar a certeza de estar lendo uma matéria jornalística, de pessoas que possuem um diploma conquistado por quatro anos de estudos.Calma, eu gosto de blogs, leio alguns que acho interessantes e tenho vários amigos blogueiros. Para quem não lembra, o blog do Josias, da Folha, por exemplo, foi um dos principais canais de informação durante o escândalo do Mensalão, em 2006. Era ele quem cutucava lá no fundo a sujeira. Um blog, mas de um jornalista. Só quero deixar claro a diferença entre um lugar que tem sua forma metódica e normatizada de existir (site) e outro que nasceu com o intuito de ser um diário virtual (blog).Os blogs foram evoluindo e mais pessoas além dos adolescentes cibernéticos e cheios de dúvidas existenciais se apropriaram de suas ferramentas para divulgar informações. A coisa começou a tomar corpo, ficar popular. Lembro que pelos idos de 2001 fiz meu primeiro blog e existiam no Brasil (chutando) uns três servidores de blog, no máximo. Hoje os blogs se espalharam e agora se somam aos outros veículos de comunicação para informar a sociedade. Isso é bom, dá uma visão plural ao leitor e, essa é minha impressão, fica mais próximo do leitor, sem o distanciamento entre redações físicas e o computador caseiro. Democráticos, populares e muito acessados. Informativos, fúteis, degrau de autopromoção. Tem de tudo hoje em dia na internet, bom mesmo é saber diferenciar uma opinião pessoal de um blogueiro de uma informação apurada com isenção (mesmo que alguns jornalistas tenham deixado de ser isentos e descaradamente assumam um certo lado da notícia).Nossa, acho melhor parar por aqui, senão acabo escrevendo um tratado sobre a nova formatação da informação. Quem me dera, ainda estou bem longe de um Adorno ou Horkheimer. Então é isso, bem-vindos ao meu blog. Será que comecei bem?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Posts sobre insolação, ou como mancar tomando sol

Ardente

27/01/2009

E continua a saga “pague pela sua burrice de não ter passado protetor solar”. Hoje, um capítulo cheio de ardências sem nenhum sex appeal. Metrô, aquele lugar onde todo mundo se encontra, divide o mesmo espaço e coloca à prova aquela antiga lei da Física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar. Com certeza Einstein, Newton nem nehum deles andava de metrô, passou longe da Sé no horário de pico. Podem, e ocupam. Agora imagine uma pessoa que não pode ser tocada em um lugar assim.

Hum, esse “não ser tocada” ficou parecendo coisa de princesa, muito gay. Mas enfim, voltando. A alça da bolsa já faz um estrago enorme nos meus ombros. Agora, nunca vou entender porque algumas pessoas tem um espaço enooorme para andar e cismam em passar bem do seu lado e esbarrar em você, e na bolsa, conseqüentemente. A alça desliza na camiseta de algodão e aquece a epiderme rubra. Poética essa definição pra “p&*¨que p¨&%#$, car&*%¨%, não está vendo que eu estou com insolação?”.

Até aí tudo bem, não está escrito na minha testa que eu estou debilitado epidermicamente, digamos assim. O pior é quem te vê andando de um jeito diferente, todo cheio de cuidados, e mesmo assim empurra, esbarra ou cutuca. Mas me diz, como não ser tocado no metrô paulistano? Impossível. O jeito é pagar mico e ficar se desviando pessoa por pessoa e rezando para que o vagão esvazie logo.

Até a inocente e contadora catraca vira inimiga das coxas. Continuo assim, caminhando, cantando, seguindo a canção e assoprando minha pele sem lenço, documento e o sol de quase dezembro.


Escrito por Hélio Filho às 16h19 Comentários(1) Apenas 1 comentário Envie

Sente a Maresias

26/01/2009

Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão. Calma, não é a Fafá cantando, é minha pele depois de uma tarde em Maresias. Depois de muito tempo sem tomar sol, resolvi expor a pele que estava quase transparente. Foi demais. Digamos que por motivos de memória afetada pela brisa esqueci de passar o filtro solar nas pernas e barriga e hoje o meu maior sonho é ter uma banheira de gelo o dia todo. Deveria ter feito como sempre fiz: protetor 60, na sombra, o dia todo. Sair da sombra só depois das 18 horas.

Nem percebi que estava ficando queimado, até porque você só percebe quando já está vermelho e sua pele em chamas. Estava lá na praia, pensando na vida, ouvindo o barulho do mar, conversando, vendo as sungas e seus recheios e nem lembrei que deve fazer uns cinco anos que não tomo sol, que sempre fico na sombra. Não deu outra, estou rosa. E o pior é isso, eu fiquei cor-de-rosa! Não sei bem se rosa, sou péssimo para cores, mas um vermelho róseo (existe?), ou um rosado vermelho (???).

Movimentos bruscos estão terminantemente proibidos por aqui. Abraços animados e tapinhas nas costas são sentenças de morte para quem os der. Bicha burra sofre mesmo. Mas valeu a pena, Maresias é uma delícia e a praia estava bem atraente aos olhos. Agora, com sua licença, vou ali comprar um hidratante para deixar de ser um pato laqueado.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cri cri cri...