Eu simplesmente amo, admiro e respeito muito heterossexuais simpatizantes, mas não só aqueles que tudo bem você ficar ali com seu namorado, também os que te veem como mais uma pessoa normal, o que você é. Não ficam observando suas palavras com medo de falar “viado” ou “bichona” na sua frente porque eles tem a consciência de que o tratamento deles com você no resto do tempo é exemplar, é normal, e é isso que eu (e acho que todo homossexual) quero, ser tratado como uma pessoa a mais que está ali, não como uma potencial vítima de homofobia, uma potencial drag queen ou um potencial michê. Agradeço todos os dias por ter encontrado em meu caminho fora do mundo colorido pessoas que sempre me respeitaram me tratando normalmente. Isso é respeito, é ser considerado pelos heterossexuais como um a mais, como alguém que, inclusive, pode ser vítima de piadinhas maldosas como qualquer outra pessoa. Nunca escondi que era gay, mas também nunca saí anunciado. Mas é claro que dá para notar, e meus amigos notavam. Muitos não sentiram a necessidade de me perguntar, simplesmente me aceitaram sem me questionar.Nunca deixaram de andar comigo, pelo contrário. Não querendo parecer presunçoso, mas nossas conversas rolavam normalmente, eu conquistei o espaço para estar ali e ser respeitado. Foi assim no Ensino Médio, quando assumi a monitoria da sala na área de Humanas (nem me venha com números, fico mais perdido que filho da puta em Dia dos Pais) e a necessidade de aprender dos meus colegas e a simpatia deles por mim exterminavam (sim, exterminavam) o preconceito.Na faculdade então eu era mesmo a louca, confesso. Não fazia questão de esconder, mesmo usando uma farda do Exército (sim, eu já fui militar). E foi assim por quatro anos. Ensinei a algumas amigas truques valiosos sobre o sexo masculino e sempre era procurado como ombro amigo nas horas de separação delas. Na pós-graduação eu já sabia que se alguém ali tivesse preconceito estava no lugar errado. Foi assim que no ano passado eu entrei na sala da Academia Brasileira de Jornalismo Literário sem medo. E fui bem recebido. Claro que algumas panelinhas sempre se formam, não foi diferente comigo. Foi nela que conheci Rodolfo, menino de Marília com um dom excepcional para escrever contos, mas teimoso na hora que eu imploro para ele cortar o cabelo. “Tá bom assim”, diz em tom heterossexualmente despreocupado. Quando a pós começou eu ainda não trabalhava no Mix, fazia assessoria de imprensa e indiquei Rodolfo para trabalhar comigo. Eu achei que ele fosse estranhar de trabalhar em uma agência de comunicação onde só existem mulheres e gays, mas não. Rodolfo é o hétero mais gay que eu conheço. Nasceu errado gostando de mulher.Uma vez até confessou que deu um beijinho em um amigo para experimentar, mas os traços masculinos realmente não atraem Rodolfo (já nós, né, leitor? Abafa). Ele gosta mesmo do cabelo cacheado e negro da “Nêga”, apelido de namorado para Winee, uma carioca fofa e linda que tem uma pele de dar inveja (entendeu a relação?)! Como sabe com certeza do que gosta, conversa normalmente comigo sem medo que eu o ataque sexualmente ou saia falando que temos algo a mais. Porque esse é um medo dos héteros que convivem com gays: serem rotulados. Rodolfo nem liga, faz troça se alguém tenta insinuar que nossa amizade vai além e dá risada, deixando o acusador sem graça, como ele é para fazer uma brincadeira assim. Estava eu um belo dia contando uma das várias histórias alucinantes do fim de semana quando disse que havia caído. Ele correu e me corrigiu na mesma hora: “divas não caem, se deixam levar”. Pronto, arrasou. Um hétero falando isso com tranqüilidade, fazendo essas brincadeiras super queer sem medo de parecer gay, de levantar suspeita sobre sua sexualidade. Ele até dá opinião sobre os bofes, diz que não gostou, que gostou, que eu mereço melhor ou que o cara merece melhor – porque ele também é sincero. Fala se o cara é bonito na boa, Rodolfo é o homem moderno, que se importa com o que realmente interessa. Não quer saber se fulaninho vai achar que ele é gay só porque disse que um homem é bonito. Isso é coisa do passado, quando as mulheres não usavam calças e os homens ainda autenticavam seus contratos com o fio do bigode. Quando saí da casa do meu ex, Rodolfo me conhecia somente há 15 dias e mesmo assim se prontificou a ir comigo, ficou preocupado em me deixar ir sozinho por vários motivos que não vem ao caso. E foi comigo. Deu uma super mão na hora de carregar minha gigante mala e, de quebra, ainda respondeu simpaticamente ao ridículo questionário que meu ex fez para ele querendo descobrir se Rodolfo era meu novo romance. Não, Rodolfo é heterossexual, mas, além disso, ele é humano, o que significa que ele tem a consciência de que homossexuais são apenas pessoas que gostam de seus iguais. Pessoas como qualquer outra. Rodolfo é o mais gay dos meus amigos heterossexuais. Adoro isso. Amo o Rodolfo e posso escrever isso tranquilo, sem ele achar que eu estou dando em cima dele. Até porque depois que viro amigo não consigo ir além disso, travo totalmente. A história de chupar a amiga no fim da noite se não pegou ninguém não dá certo comigo. Seria muito legal se todo heterossexual fosse humano como Rodolfo. Eles teriam muito mais amigos legais... e nós também. Rodolfo é tão heterossexual que mesmo quando tenta se aventurar a escrever algo homoerótico acaba caindo no clichê de macho. Um de seus contos foi publicado aqui no Mix e fala, claro, de duas mulheres se pegando, fetiche de 99% dos homens héteros, segundo o Chutator Supositator Hipotesitator Institute. Baby, amigo, fofo, querido, colega, um beijo cheio de carinho fraternal no seu rosto. Obrigado.
Escrito por Hélio Filho às 18h32
(7) Vários Comentários
Nhé
11/02/2009
Estou meio chateado hoje, não sei se escreveria algo legal. Então, é melhor ficar quieto. Precioso conselho.
Escrito por Hélio Filho às 14h04
(0) Comente
Tá mudada!
09/02/2009
E não é que eu mudei de casa mais uma vez? Já é o 4º lugar que eu moro aqui em São Paulo em menos de dois anos. Já estou especialista em mudanças. É engraçado como mudanças de casa mexem não só com móveis, mas conosco também. Você começa a descobrir coisas que estavam perdidas na bagunça e tem a oportunidade de começar tudo de novo, colocando as coisas em outros lugares sem ser metaforicamente, o que é o melhor. Passei o fim de semana nessa função. Mochilas, malas, caixas e sacolas pra cima, pra baixo, uma loucura. Ainda bem que eu não tenho muita coisa, reflexo de uma existência mais Self e menos Ego. Na verdade, uma curiosidade, se se pode chamar assim, que percebi é que meu maior patrimônio são meus CDs, tenho mais CDs do que roupa, livros ou qualquer outra coisa. Haja música. Outra coisa que descobri foi que você deve sempre medir os espaços de sua casa nova antes de comprar o que quer que seja. Não corra o risco de chegar em casa e perceber que a cortina do banheiro é menor do que deveria.É nessas horas que a gente valoriza mais ainda nossa mãe. Mães parecem ter um poder de fazer as coisas sempre certas, deve ser porque elas sabem como fazer. Minha mãe teria medido, nem que fosse com os pés, o tamanho do banheiro, bem como da cozinha, sala, quarto, closet e até da varanda. Mas como eu cresci e não moro mais com ela, tive que aprender a fazer isso da pior maneira, errando. E limpar a casa então? Gostaria muito de saber em primeiro lugar como um ser humano consegue fazer com que a mangueira fique sempre dentro do balde e nunca escape dele molhando todas as coisas ao seu redor. Depois alguém me explica porque o sabão em pó é algo que sempre está associado à água, mas tem uma embalagem que deve ficar bem longe dela para não rasgar. Outra curiosidade é como é possível que alguém consiga deixar o chão 100% seco só com o rodo. O meu, super pintoso, verde-limão, gritou ontem a tarde toda quando eu lavava (sim, lavava) a casa e mesmo assim um quê de água ainda estava ali. Nem vou começar a falar sobre cozinhar, isso eu nem me arrisco. Um dia eu descubro como transformar pacotes de supermercado em comida sem levar ao microondas, juro que consigo. Vai ser a primeira coisa que aprenderei depois de montar um bom esquema de dono-de-casa no setor “limpeza”. Vamos ver aonde isso vai parar. Só espero não colocar fogo em nada. Mudar é assim mesmo, como já diz o nome, é se reinventar, e essa é minha intenção. Agora moro em uma casa com varanda, passarinhos cantando e um precioso silêncio no bairro, sem contar que abro a porta de casa e dou de cara com uma verdíssima árvore. No fim da tarde, dá para ver o pôr-do-sol e aquelas nuvens cor-de-rosa no céu. Lindo. E assim eu vou mudando, sempre. Com a nova casa vêm novas atitudes, novas idéias, novos pensamentos. Fiquei empolgado com essa coisa de dono-de-casa, pretendo ficar mais em casa agora, bem mais, vendo o céu, escutando os passarinhos... Tenho certeza de que vai sobrar assunto pra postar aqui.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
The same old fucking history
05/02/2009
Não é um post sobre a Cyndi Lauper, só queria fazer um trocadilho bem gay no título. O post é sobre putaria mesmo, putaria na internet, pegação, desejo, de onde tc brow, como vc é, o q curte. Mas nem adianta se animar, não vou exaltar as maravilhas do sexo rápido conseguido via internet e muito menos dar dicas de nicks safados para você se dar bem sem ter que gastar o dedo o dia todo na caça. A putaria de internet deste post é mais negativa, incomoda, não dá prazer e só traz desgosto, é a putaria escondida, traiçoeira.Hoje um amigo veio dizer que não está mais namorando porque pegou o namorado no flagra com um MSN de pegação, desses fakes onde você (ou os outros) só coloca a foto do corpo, parte mais interessante nesse tipo de papo, que gira em torno de músculos, sempre. E não é que o ex do amigo tinha um desses? Quando o amigo descobriu ouviu toda a ladainha de quem acha que nunca será pego, uma conversa com um quê de esquizofrenia sempre. Desculpinhas sem nexo, nada plausíveis e que subestimam a inteligência da pessoa traída, ou em vias de ser. “Nunca uso”, “entro só para bater papo” e a clássica “nunca pensei em ter contato real” já fazem parte do top 3 das desculpinhas. Há pouco tempo, outro amigo, também amigo desse amigo (que confuso), sofreu a mesma coisa, e também terminou. No ano passado, essa novela era protagonizada por mim, que também terminei. Eu realmente não entendo porque as pessoas querem namorar se elas querem continuar solteiras. Até entendo que o relacionamento possa se desgastar, o tesão diminuir para com a pessoa amada e aumentar frente ao extenso e diversificado mercado da carne gay. Mas vale uma conversa sincera, abrir o jogo mesmo e dizer que talvez seja a hora de rever a noção que o casal tinha sobre o termo fidelidade. Uma vez um amigo que tem relacionamento aberto me disse que o companheiro dele ficava com outros, tudo bem, mas que era fiel a ele em outras coisas bem mais importantes do que só na cama. Entendi e achei que ele tinha razão, concordei, mas não serve pra mim. Criação católica ou não, sou monogâmico e fiel, ainda acredito no amor eterno e na beleza do jardim da paixão, bem sonhador mesmo, bem Alice. Levei uns trancos no último relacionamento e mesmo assim mantive a capacidade acreditar nas pessoas. O MSN de putaria surgiu na minha frente e algumas vezes ia além disso.Subestimaram minha inteligência e isso é a coisa que mais me irrita no mundo. Posso ter cara de bonzinho, mas otário não sou. Sou inteligente o bastante para saber bem o que quero e o que não quero. Para que eu vou complicar minha vida tendo um namorado e enganando ele na sauna, rua, cinemão, shopping ou sei lá onde? Viver achando que ele desconfia de algo. Cruzes! Eu engano apenas a mim mesmo assim, porque acredito estar fazendo tudo certinho, escondido, sem ninguém saber. Mas e a sua consciência? Vale a conversa sincera para você poder dar as escapadinhas de mente livre da culpa. Abrir o jogo sem medo de ficar sozinho antes que suas puladinhas sejam descobertas e se tornem mais graves do que realmente são. O corno é o último a saber, ok, mas você não precisa perpetuar isso. O mundo contemporâneo prega a liberdade do ser, o individualismo, e nada mais liberto do que ter a mente livre de mentiras e histórias fantásticas para enganar seu namorado. Livre mesmo é aquele que sempre será como sempre foi e continuará conquistando espaço por ser ele mesmo, não alguém que esconde algo, dissimula. Deitar a cabeça no travesseiro e dormir não tem preço. Por isso minha vida é dividida entre o que faz eu deitar assim e o que não. Nunca entendi meu ex e sua mania de viver em um mundo próprio onde as desculpas e histórias dele faziam sentido (só lá). Não posso dizer com certeza, mas acho que se ele tivesse admitido as muitas escapadas se mostraria homem de verdade para mim e amenizaria a traição, talvez. Nunca entendi porque uma pessoa namora só para ter alguém, por carência, e não por atração. Nunca entendi porque permiti tanta coisa como o MSN de putaria. Acho que nunca vou entender porque a maioria das pessoas hoje em dia só se sente feliz se estiver em vantagem em cima da outra pessoa. Pode soar conservador e moralista, mas a minha noção de amor ainda não mudou. E não, não tenho um MSN de putaria.
Escrito por Hélio Filho às 13h29
(5) Vários Comentários
Coisa mais maior de grande
04/02/2009
(Eu pegava)Nunca gosto mais dos filhos de cantores do que dos próprios cantores, tipo Maria Rita e Elis Regina, Luciana Mello e Jair Rodrigues e por aí vai. Hum, começar um texto com “nunca” é forte, gostei. Enfim. Mas como é a exceção que prova a regra, gosto mais do Gonzaguinha do que do Luís Gonzaga. E ultimamente a obra dele, para meu deleite, tem sido muito rebuscada naquele programa que eu já disse que adoro: novela. No ar atualmente está “Feliz”, tema da sofrida, magra e suicida Duda, não muito bem interpretada pela atriz Tânia Khalill. Da primeira vez que ouvi a música na novela quase não acreditei. “E Vamos à Luta” tinha sido tema da abertura de “Duas Caras” há pouco tempo e “Redescobrir” da abertura de “Ciranda de Pedra”. E novamente Gonzaguinha estava habitando um dos dois CDs com um ator ou atriz na capa que garantem bom lucro à novela e preenchem os playlists das FMs. Glória Perez parece também ser fã dele. Quem não lembra de “Explode Coração”, com o casal cigano Igor (melhor nem lembrar muito da atuação do Ricardo Macchi, né?) e Dara (Thereza Seiblitz)? O nome da novela já era o de uma das mais famosas músicas do Gonzaguinha. Tudo. Mas é uma pena que esse resgate da obra dele fique circunscrito a paixões avassaladoras de novelas. Pouca gente conhece as músicas dele além de “Sangrando”, “Explode Coração” e “O Que É, O Que É”, uma pena. Eu mesmo só conhecia os sucessos, e ainda por cima interpretado por outras pessoas (Elis, Bethânia, Joanna, Simone). Mas há quatro anos, no Carnaval de 2005, eu descobri Gonzaguinha por completo comprando o CD “Coisa Mais Maior de Grande – Pessoa”. Comprei pela capa porque me identifiquei e queria descobrir mais sobre aquele artista que para mim era poucos sucessos e um nome recorrente quando se falava de grandes compositores brasileiros. Lembro que estava com minha amiga Luciana revirando as gôndolas de CDs da Americanas e vi a capa desse CD. Comprei na hora. Como não éramos, e nem somos, muito foliões, fomos para casa ouvir. Tive uma ótima surpresa. Mesmo sendo ouvido depois de Cartola, como no caso, Gonzaguinha mostrou que tinha um bom trabalho. O ritmo de cantar dele é único porque as músicas são feitas dele para ele. É muito difícil cantar Gonzaguinha porque as letras são musicadas com um ritmo poético, não-linear (e que beira a desarmonia), que exalta certas palavras e encobre outras propositalmente. Para esses cantores acostumados ao esquemão estrofe-refrão-estrofe-gemidinho é bom nem tentar cantar Gonzaguinha. Depois foi natural minha busca por mais e mais CDs dele, sempre encontrados estrategicamente nas gôndolas de R$ 9,90 do Extra e da Americanas. Só “Olho de Lince – Trabalho de Parto” e “Grávido” que não conseguia achar, mas acabei encontrando em uma banquinha de um simpático tiozinho na feira da Benedito Calixto. “De Volta ao Começo”, “Gonzaguinha da Vida” e “Alô Alô Brasil” foram presentes deliciosos do Valter, que todo mundo chama de Valtinho (juro que não consigo). Completei a discografia inédita, não vou comprar coletâneas e discos ao vivo porque não gosto.Adoro as observações que ele faz nas músicas. Um compositor que dialoga com o presente. Prova disso é que as composições de Gonzaguinha podem ser dividas em dois períodos: começam com um tom inconformado e crítico da então Ditadura Militar brasileira. Como ia contra o sistema, não era muito destacado pela mídia e nem fazia questão disso. Outra fase é a partir da metade da década de 1970, quando suas canções começam a ter elementos lúdicos, mais leves, reflexo da abertura política no País. Como outro ícone para mim, Maysa, Gonzaguinha morreu em um acidente de carro, em 1991.Agora é esperar para ver se mais algum autor de novelas escreve a história de um casal que mereça tal trilha sonora. Para quem bem viveu um amor, ops, para quem quer se aventurar nessa obra, recomendo uma ordem (não-cronológica) de audição dos CDs: “Recado” (1978), “Moleque” (1977) e “Plano de Vôo” (1975) são os três melhores (na minha opinião) e mais digeríveis, bom para começar. Depois passe para uma fase mais complexa com “Alô Alô Brasil” (1983), “Luiz Gonzaga Júnior” (1974) e “Coisa Mais Maior de Grande – Pessoa” (1981). Boa viagem. Aqui alguns vídeos para você começar.
Escrito por Hélio Filho às 13h13
(3) Vários Comentários
No vela
02/02/2009
Bahuchara Mata, deusa que exige de seus seguidores (todos homens) vestirem-se como mulher, a castração e o celibato.
Como todo bom brasileiro, adoro novelas. A diferença é que eu assumo, tem sempre aqueles que quando você pergunta se assistem já vêm com aqueles desvios de resposta tipo “minha mãe estava vendo e eu assisti”. Como estava dizendo, eu adoro, e se tiver tempo assisto todas: Vale a Pena Ver de Novo, das seis, sete e oito, que começa às nove, mas ok. Não adianta tentar conversar comigo quando estou vendo novela, a ficção sempre ganha. Amigos mais próximos já sabem disso e só se atrevem a puxar papo nos comerciais, com hora marcada para acabar, claro. Sábado de noite estava eu com minha inseparável companheira Vavá na casa de um amigo que se preparava para sair na baladinha à procura do bofe que tinha conhecido na quinta-feira, bem coisa de bicha isso. Antes do amigo se jogar no ABC Bailão, estávamos vendo “Caminho das Índias” e apareceram os hijras, figuras hindus que são consideradas o terceiro sexo, terceiro gênero. Transgêneros e intersexuais MtF (Male to Female, "de Homem para Mulher", em português) da Índia, do Paquistão e de Bangladesh, para ser mais exato.Ninguém os chama de traveco ou viado, eles são respeitados e até temidos. Isso por causa da crença hindu muito mais baseada no espírito, transcendental, do que em valores morais terrenos como fazem as religiões ocidentais. No hinduísmo, o espírito escolhe se será homem ou mulher de acordo com os desafios a serem enfrentados, ou seja, o espírito para os hinduístas é uma energia e os órgãos sexuais masculino e feminino são apenas ferramentas para essa energia se desenvolver. Deu para entender que a coisa é bem mais ampla do que simplesmente pênis e vagina? Sempre achei todas as religiões idênticas em seu cerne. Todas elas dizem a mesma coisa: faça o bem que fica tudo bem. Resumindo é isso. Mas cada uma tem um jeito de dizer isso, o que muda tudo. Por isso tem guerra que dizem ser santa e tanta discussão, porque se cada religião diz para fazer o bem de um jeito e cada pessoa interpreta “bem” de uma maneira, a coisa fica confusa. Para mim, o mundo deveria ser guiado pelo bom senso que diz que sua liberdade termina onde começa a minha e vice-versa. Por isso, nada de invadir minha liberdade na hora da novela. Todos os dias tenho um ritual e dispenso mais de uma hora em frente a um local de luz vendo homens e mulheres maravilhosas – quase imaginárias - em cenários quase irreais, sempre vivendo histórias épicas e tentando conquistar o máximo de fiéis que conseguir contando uma história escrita por Homens.
05/02/2009
Não é um post sobre a Cyndi Lauper, só queria fazer um trocadilho bem gay no título. O post é sobre putaria mesmo, putaria na internet, pegação, desejo, de onde tc brow, como vc é, o q curte. Mas nem adianta se animar, não vou exaltar as maravilhas do sexo rápido conseguido via internet e muito menos dar dicas de nicks safados para você se dar bem sem ter que gastar o dedo o dia todo na caça. A putaria de internet deste post é mais negativa, incomoda, não dá prazer e só traz desgosto, é a putaria escondida, traiçoeira.Hoje um amigo veio dizer que não está mais namorando porque pegou o namorado no flagra com um MSN de pegação, desses fakes onde você (ou os outros) só coloca a foto do corpo, parte mais interessante nesse tipo de papo, que gira em torno de músculos, sempre. E não é que o ex do amigo tinha um desses? Quando o amigo descobriu ouviu toda a ladainha de quem acha que nunca será pego, uma conversa com um quê de esquizofrenia sempre. Desculpinhas sem nexo, nada plausíveis e que subestimam a inteligência da pessoa traída, ou em vias de ser. “Nunca uso”, “entro só para bater papo” e a clássica “nunca pensei em ter contato real” já fazem parte do top 3 das desculpinhas. Há pouco tempo, outro amigo, também amigo desse amigo (que confuso), sofreu a mesma coisa, e também terminou. No ano passado, essa novela era protagonizada por mim, que também terminei. Eu realmente não entendo porque as pessoas querem namorar se elas querem continuar solteiras. Até entendo que o relacionamento possa se desgastar, o tesão diminuir para com a pessoa amada e aumentar frente ao extenso e diversificado mercado da carne gay. Mas vale uma conversa sincera, abrir o jogo mesmo e dizer que talvez seja a hora de rever a noção que o casal tinha sobre o termo fidelidade. Uma vez um amigo que tem relacionamento aberto me disse que o companheiro dele ficava com outros, tudo bem, mas que era fiel a ele em outras coisas bem mais importantes do que só na cama. Entendi e achei que ele tinha razão, concordei, mas não serve pra mim. Criação católica ou não, sou monogâmico e fiel, ainda acredito no amor eterno e na beleza do jardim da paixão, bem sonhador mesmo, bem Alice. Levei uns trancos no último relacionamento e mesmo assim mantive a capacidade acreditar nas pessoas. O MSN de putaria surgiu na minha frente e algumas vezes ia além disso.Subestimaram minha inteligência e isso é a coisa que mais me irrita no mundo. Posso ter cara de bonzinho, mas otário não sou. Sou inteligente o bastante para saber bem o que quero e o que não quero. Para que eu vou complicar minha vida tendo um namorado e enganando ele na sauna, rua, cinemão, shopping ou sei lá onde? Viver achando que ele desconfia de algo. Cruzes! Eu engano apenas a mim mesmo assim, porque acredito estar fazendo tudo certinho, escondido, sem ninguém saber. Mas e a sua consciência? Vale a conversa sincera para você poder dar as escapadinhas de mente livre da culpa. Abrir o jogo sem medo de ficar sozinho antes que suas puladinhas sejam descobertas e se tornem mais graves do que realmente são. O corno é o último a saber, ok, mas você não precisa perpetuar isso. O mundo contemporâneo prega a liberdade do ser, o individualismo, e nada mais liberto do que ter a mente livre de mentiras e histórias fantásticas para enganar seu namorado. Livre mesmo é aquele que sempre será como sempre foi e continuará conquistando espaço por ser ele mesmo, não alguém que esconde algo, dissimula. Deitar a cabeça no travesseiro e dormir não tem preço. Por isso minha vida é dividida entre o que faz eu deitar assim e o que não. Nunca entendi meu ex e sua mania de viver em um mundo próprio onde as desculpas e histórias dele faziam sentido (só lá). Não posso dizer com certeza, mas acho que se ele tivesse admitido as muitas escapadas se mostraria homem de verdade para mim e amenizaria a traição, talvez. Nunca entendi porque uma pessoa namora só para ter alguém, por carência, e não por atração. Nunca entendi porque permiti tanta coisa como o MSN de putaria. Acho que nunca vou entender porque a maioria das pessoas hoje em dia só se sente feliz se estiver em vantagem em cima da outra pessoa. Pode soar conservador e moralista, mas a minha noção de amor ainda não mudou. E não, não tenho um MSN de putaria.
Escrito por Hélio Filho às 13h29
(5) Vários Comentários
Coisa mais maior de grande
04/02/2009
(Eu pegava)Nunca gosto mais dos filhos de cantores do que dos próprios cantores, tipo Maria Rita e Elis Regina, Luciana Mello e Jair Rodrigues e por aí vai. Hum, começar um texto com “nunca” é forte, gostei. Enfim. Mas como é a exceção que prova a regra, gosto mais do Gonzaguinha do que do Luís Gonzaga. E ultimamente a obra dele, para meu deleite, tem sido muito rebuscada naquele programa que eu já disse que adoro: novela. No ar atualmente está “Feliz”, tema da sofrida, magra e suicida Duda, não muito bem interpretada pela atriz Tânia Khalill. Da primeira vez que ouvi a música na novela quase não acreditei. “E Vamos à Luta” tinha sido tema da abertura de “Duas Caras” há pouco tempo e “Redescobrir” da abertura de “Ciranda de Pedra”. E novamente Gonzaguinha estava habitando um dos dois CDs com um ator ou atriz na capa que garantem bom lucro à novela e preenchem os playlists das FMs. Glória Perez parece também ser fã dele. Quem não lembra de “Explode Coração”, com o casal cigano Igor (melhor nem lembrar muito da atuação do Ricardo Macchi, né?) e Dara (Thereza Seiblitz)? O nome da novela já era o de uma das mais famosas músicas do Gonzaguinha. Tudo. Mas é uma pena que esse resgate da obra dele fique circunscrito a paixões avassaladoras de novelas. Pouca gente conhece as músicas dele além de “Sangrando”, “Explode Coração” e “O Que É, O Que É”, uma pena. Eu mesmo só conhecia os sucessos, e ainda por cima interpretado por outras pessoas (Elis, Bethânia, Joanna, Simone). Mas há quatro anos, no Carnaval de 2005, eu descobri Gonzaguinha por completo comprando o CD “Coisa Mais Maior de Grande – Pessoa”. Comprei pela capa porque me identifiquei e queria descobrir mais sobre aquele artista que para mim era poucos sucessos e um nome recorrente quando se falava de grandes compositores brasileiros. Lembro que estava com minha amiga Luciana revirando as gôndolas de CDs da Americanas e vi a capa desse CD. Comprei na hora. Como não éramos, e nem somos, muito foliões, fomos para casa ouvir. Tive uma ótima surpresa. Mesmo sendo ouvido depois de Cartola, como no caso, Gonzaguinha mostrou que tinha um bom trabalho. O ritmo de cantar dele é único porque as músicas são feitas dele para ele. É muito difícil cantar Gonzaguinha porque as letras são musicadas com um ritmo poético, não-linear (e que beira a desarmonia), que exalta certas palavras e encobre outras propositalmente. Para esses cantores acostumados ao esquemão estrofe-refrão-estrofe-gemidinho é bom nem tentar cantar Gonzaguinha. Depois foi natural minha busca por mais e mais CDs dele, sempre encontrados estrategicamente nas gôndolas de R$ 9,90 do Extra e da Americanas. Só “Olho de Lince – Trabalho de Parto” e “Grávido” que não conseguia achar, mas acabei encontrando em uma banquinha de um simpático tiozinho na feira da Benedito Calixto. “De Volta ao Começo”, “Gonzaguinha da Vida” e “Alô Alô Brasil” foram presentes deliciosos do Valter, que todo mundo chama de Valtinho (juro que não consigo). Completei a discografia inédita, não vou comprar coletâneas e discos ao vivo porque não gosto.Adoro as observações que ele faz nas músicas. Um compositor que dialoga com o presente. Prova disso é que as composições de Gonzaguinha podem ser dividas em dois períodos: começam com um tom inconformado e crítico da então Ditadura Militar brasileira. Como ia contra o sistema, não era muito destacado pela mídia e nem fazia questão disso. Outra fase é a partir da metade da década de 1970, quando suas canções começam a ter elementos lúdicos, mais leves, reflexo da abertura política no País. Como outro ícone para mim, Maysa, Gonzaguinha morreu em um acidente de carro, em 1991.Agora é esperar para ver se mais algum autor de novelas escreve a história de um casal que mereça tal trilha sonora. Para quem bem viveu um amor, ops, para quem quer se aventurar nessa obra, recomendo uma ordem (não-cronológica) de audição dos CDs: “Recado” (1978), “Moleque” (1977) e “Plano de Vôo” (1975) são os três melhores (na minha opinião) e mais digeríveis, bom para começar. Depois passe para uma fase mais complexa com “Alô Alô Brasil” (1983), “Luiz Gonzaga Júnior” (1974) e “Coisa Mais Maior de Grande – Pessoa” (1981). Boa viagem. Aqui alguns vídeos para você começar.
Escrito por Hélio Filho às 13h13
(3) Vários Comentários
No vela
02/02/2009
Bahuchara Mata, deusa que exige de seus seguidores (todos homens) vestirem-se como mulher, a castração e o celibato.
Como todo bom brasileiro, adoro novelas. A diferença é que eu assumo, tem sempre aqueles que quando você pergunta se assistem já vêm com aqueles desvios de resposta tipo “minha mãe estava vendo e eu assisti”. Como estava dizendo, eu adoro, e se tiver tempo assisto todas: Vale a Pena Ver de Novo, das seis, sete e oito, que começa às nove, mas ok. Não adianta tentar conversar comigo quando estou vendo novela, a ficção sempre ganha. Amigos mais próximos já sabem disso e só se atrevem a puxar papo nos comerciais, com hora marcada para acabar, claro. Sábado de noite estava eu com minha inseparável companheira Vavá na casa de um amigo que se preparava para sair na baladinha à procura do bofe que tinha conhecido na quinta-feira, bem coisa de bicha isso. Antes do amigo se jogar no ABC Bailão, estávamos vendo “Caminho das Índias” e apareceram os hijras, figuras hindus que são consideradas o terceiro sexo, terceiro gênero. Transgêneros e intersexuais MtF (Male to Female, "de Homem para Mulher", em português) da Índia, do Paquistão e de Bangladesh, para ser mais exato.Ninguém os chama de traveco ou viado, eles são respeitados e até temidos. Isso por causa da crença hindu muito mais baseada no espírito, transcendental, do que em valores morais terrenos como fazem as religiões ocidentais. No hinduísmo, o espírito escolhe se será homem ou mulher de acordo com os desafios a serem enfrentados, ou seja, o espírito para os hinduístas é uma energia e os órgãos sexuais masculino e feminino são apenas ferramentas para essa energia se desenvolver. Deu para entender que a coisa é bem mais ampla do que simplesmente pênis e vagina? Sempre achei todas as religiões idênticas em seu cerne. Todas elas dizem a mesma coisa: faça o bem que fica tudo bem. Resumindo é isso. Mas cada uma tem um jeito de dizer isso, o que muda tudo. Por isso tem guerra que dizem ser santa e tanta discussão, porque se cada religião diz para fazer o bem de um jeito e cada pessoa interpreta “bem” de uma maneira, a coisa fica confusa. Para mim, o mundo deveria ser guiado pelo bom senso que diz que sua liberdade termina onde começa a minha e vice-versa. Por isso, nada de invadir minha liberdade na hora da novela. Todos os dias tenho um ritual e dispenso mais de uma hora em frente a um local de luz vendo homens e mulheres maravilhosas – quase imaginárias - em cenários quase irreais, sempre vivendo histórias épicas e tentando conquistar o máximo de fiéis que conseguir contando uma história escrita por Homens.
Ardente
27/01/2009
E continua a saga “pague pela sua burrice de não ter passado protetor solar”. Hoje, um capítulo cheio de ardências sem nenhum sex appeal. Metrô, aquele lugar onde todo mundo se encontra, divide o mesmo espaço e coloca à prova aquela antiga lei da Física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar. Com certeza Einstein, Newton nem nehum deles andava de metrô, passou longe da Sé no horário de pico. Podem, e ocupam. Agora imagine uma pessoa que não pode ser tocada em um lugar assim.Hum, esse “não ser tocada” ficou parecendo coisa de princesa, muito gay. Mas enfim, voltando. A alça da bolsa já faz um estrago enorme nos meus ombros. Agora, nunca vou entender porque algumas pessoas tem um espaço enooorme para andar e cismam em passar bem do seu lado e esbarrar em você, e na bolsa, conseqüentemente. A alça desliza na camiseta de algodão e aquece a epiderme rubra. Poética essa definição pra “p&*¨que p¨&%#$, car&*%¨%, não está vendo que eu estou com insolação?”.Até aí tudo bem, não está escrito na minha testa que eu estou debilitado epidermicamente, digamos assim. O pior é quem te vê andando de um jeito diferente, todo cheio de cuidados, e mesmo assim empurra, esbarra ou cutuca. Mas me diz, como não ser tocado no metrô paulistano? Impossível. O jeito é pagar mico e ficar se desviando pessoa por pessoa e rezando para que o vagão esvazie logo. Até a inocente e contadora catraca vira inimiga das coxas. Continuo assim, caminhando, cantando, seguindo a canção e assoprando minha pele sem lenço, documento e o sol de quase dezembro.
Escrito por Hélio Filho às 16h19
(1) Apenas 1 comentário
Sente a Maresias
26/01/2009
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão. Calma, não é a Fafá cantando, é minha pele depois de uma tarde em Maresias. Depois de muito tempo sem tomar sol, resolvi expor a pele que estava quase transparente. Foi demais. Digamos que por motivos de memória afetada pela brisa esqueci de passar o filtro solar nas pernas e barriga e hoje o meu maior sonho é ter uma banheira de gelo o dia todo. Deveria ter feito como sempre fiz: protetor 60, na sombra, o dia todo. Sair da sombra só depois das 18 horas.Nem percebi que estava ficando queimado, até porque você só percebe quando já está vermelho e sua pele em chamas. Estava lá na praia, pensando na vida, ouvindo o barulho do mar, conversando, vendo as sungas e seus recheios e nem lembrei que deve fazer uns cinco anos que não tomo sol, que sempre fico na sombra. Não deu outra, estou rosa. E o pior é isso, eu fiquei cor-de-rosa! Não sei bem se rosa, sou péssimo para cores, mas um vermelho róseo (existe?), ou um rosado vermelho (???). Movimentos bruscos estão terminantemente proibidos por aqui. Abraços animados e tapinhas nas costas são sentenças de morte para quem os der. Bicha burra sofre mesmo. Mas valeu a pena, Maresias é uma delícia e a praia estava bem atraente aos olhos. Agora, com sua licença, vou ali comprar um hidratante para deixar de ser um pato laqueado.
27/01/2009
E continua a saga “pague pela sua burrice de não ter passado protetor solar”. Hoje, um capítulo cheio de ardências sem nenhum sex appeal. Metrô, aquele lugar onde todo mundo se encontra, divide o mesmo espaço e coloca à prova aquela antiga lei da Física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar. Com certeza Einstein, Newton nem nehum deles andava de metrô, passou longe da Sé no horário de pico. Podem, e ocupam. Agora imagine uma pessoa que não pode ser tocada em um lugar assim.Hum, esse “não ser tocada” ficou parecendo coisa de princesa, muito gay. Mas enfim, voltando. A alça da bolsa já faz um estrago enorme nos meus ombros. Agora, nunca vou entender porque algumas pessoas tem um espaço enooorme para andar e cismam em passar bem do seu lado e esbarrar em você, e na bolsa, conseqüentemente. A alça desliza na camiseta de algodão e aquece a epiderme rubra. Poética essa definição pra “p&*¨que p¨&%#$, car&*%¨%, não está vendo que eu estou com insolação?”.Até aí tudo bem, não está escrito na minha testa que eu estou debilitado epidermicamente, digamos assim. O pior é quem te vê andando de um jeito diferente, todo cheio de cuidados, e mesmo assim empurra, esbarra ou cutuca. Mas me diz, como não ser tocado no metrô paulistano? Impossível. O jeito é pagar mico e ficar se desviando pessoa por pessoa e rezando para que o vagão esvazie logo. Até a inocente e contadora catraca vira inimiga das coxas. Continuo assim, caminhando, cantando, seguindo a canção e assoprando minha pele sem lenço, documento e o sol de quase dezembro.
Escrito por Hélio Filho às 16h19
(1) Apenas 1 comentário
Sente a Maresias
26/01/2009
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão. Calma, não é a Fafá cantando, é minha pele depois de uma tarde em Maresias. Depois de muito tempo sem tomar sol, resolvi expor a pele que estava quase transparente. Foi demais. Digamos que por motivos de memória afetada pela brisa esqueci de passar o filtro solar nas pernas e barriga e hoje o meu maior sonho é ter uma banheira de gelo o dia todo. Deveria ter feito como sempre fiz: protetor 60, na sombra, o dia todo. Sair da sombra só depois das 18 horas.Nem percebi que estava ficando queimado, até porque você só percebe quando já está vermelho e sua pele em chamas. Estava lá na praia, pensando na vida, ouvindo o barulho do mar, conversando, vendo as sungas e seus recheios e nem lembrei que deve fazer uns cinco anos que não tomo sol, que sempre fico na sombra. Não deu outra, estou rosa. E o pior é isso, eu fiquei cor-de-rosa! Não sei bem se rosa, sou péssimo para cores, mas um vermelho róseo (existe?), ou um rosado vermelho (???). Movimentos bruscos estão terminantemente proibidos por aqui. Abraços animados e tapinhas nas costas são sentenças de morte para quem os der. Bicha burra sofre mesmo. Mas valeu a pena, Maresias é uma delícia e a praia estava bem atraente aos olhos. Agora, com sua licença, vou ali comprar um hidratante para deixar de ser um pato laqueado.
Do Obama à Mooca
21/01/2009
Barack Hussein Obama tomou posse ontem. Não sei, o clima é de otimismo demais. Tudo bem que é bom ser otimista, mas fantasiar não dá. Como diz o José Simão, estão dizendo que Obama cura até catapora. Sacanagem. Menos pressão, vamos devagar. As idéias dele são boas, mas não dá pra esquecer que ele tem que obedecer algumas pessoas mais importantes que ele (ingenuidade achar que elas não existem) para colocá-las em prática, além, claro, de precisar de aprovação no Congresso dos Estados Unidos. Que seja o melhor possível.8==============DMinha pós-graduação entrou na reta final. Agora é assistir a mais algumas aulas e fazer o último e mais complicado trabalho e pronto, serei um jornalista literário. Complicado isso, já que jornalistas literários são verdadeiros pedintes de espaço nas publicações, salvo a "Piauí", "Brasileiros" e um pouco "Caros Amigos". Precisamos de pelo menos seis páginas para introduzir a matéria. Na décima página nosso personagem começa a tomar forma. Ai que exagero. Difícil conseguir emplacar pautas literárias. Mas serei, mesmo assim. Como todo fim subentende um novo começo, ainda não sei se vou já pra um mestrado ou espero um pouco. Nenhum mestrado me interessou ainda, quem sabe outra pós. Ou outra faculdade, quiçá. Sonho com Psicologia, um dia farei.8===============DOntem fui a uma colação de grau na Mooca. Não conhecia o lugar. Achei bem legal, pelo menos na região que eu fiquei, perto do Juventus. Gostei do que vi, vale a pena dar uma conferida nos moços que passam por lá.
Escrito por Hélio Filho às 18h20
(0) Comente
Eu, minha mãe e Maysa
19/01/2009
Minha relação com Maysa é quase, senão inteiramente, freudiana. Lembro que quando eu era bem criança minha mãe colocava umas fitas-cassete no som todo fim de tarde para aguar o jardim de casa. Ali eu ficava com ela conversando sobre tudo. Tirava dúvidas que me afligiam muito como quem troca a pilha do vaga-lume e porque o sol vai embora. À beira daquela enorme quantidade de flores plantadas uma a uma pelas mãos de enormes unhas da minha mãe, conversávamos, éramos mãe e filho, bem gay isso, eu era bichinha, confesso. Era não, sou.Voltando à fofice, Maysa era uma das cantoras que minha mãe mais ouvia, ficando lado a lado com Elis. Achava bonito o jeito dela cantar. Lembro que uma vez peguei a capa de uma fita e vi o desenho de dois olhos verdes de sobrancelhas muito arqueadas, quase infernais. Não conseguia entender como aquela voz tão gostosa era da dona daqueles olhos "de buxa" (bruxa, em infantilês). As minhas preferidas eram "Ouça" - adorava quando ela quase ficava sem ar em "que um dia existiuuuuuu" - e "Chão de Estrelas". Essa foi a trilha sonora de um tempo cheio de ternura onde eu já era bichinha e minha mãe jurava não saber (e eu jurava que ela não sabia).Fui crescendo e vez ou outra minha avó cantarolava alguma canção da Maysa. Claro que ela também cantarolava Dolores Duran, Elizeth Cardoso e algumas do Cauby, mas as da Maysa eram as que mais me chamavam a atenção. Quando, digamos, cresci e virei gente, um dia estava me esbaldando nas gôndolas de CDs a R$ 9,90 nas Lojas Americanas quando ela voltou. Seu CD, o clássico "Canecão apresenta Maysa", estava embaixo de muitos outros, nem todos de qualidade.Comprei, por R$ 9,90, e nunca mais parei de ouvir, para o desespero das amigas de faculdade que sempre pegavam carona comigo e dos meus ex-namorados. Um deles chegou até a dizer que adorava, mas não suportou o som tocar a décima faixa do CD e já veio meloso pedir pra mudar. Foi preciso muita barba na nuca pra me convencer. Aí percebi que gostar de Maysa era considerado brega, que as pessoas não achavam a Maysa legal, que ninguém nem lembrava dela. Decidi ouvir só em casa, ou no fone de ouvido. Foi o que fiz há alguns anos.No ano passado, meu telefone tocou e do outro lado da linha (coisa antiga na era digital) minha amiga gritava desesperada:- Hélio, vão fazer uma minissérie sobre advinha quem!- Se for sobre mim, quero o pagamento dos direitos em dinheiro.- Ai, não viaja. É sobre a Maysa.- Maysa? Mas será que vai dar certo contar a vida dela? Não foi nada fácil, a Globo vai ter que amenizar.- Que nada, o Jayme Monjardim vai dirigir, diz que vai falar tudo sobre a mãe.- Duvido.Uma semana antes de estrear "Maysa - quando fala o coração" vários amigos estavam loucos para ver logo. Os mesmo amigos que torciam o nariz quando eu colocava meus CDs dela para tocar. Maysa virou moda, ficou hype e comercial. Uma pena. Pena maior para quem é pão-duro como eu e agora está pagando muito mais do que R$ 9,90 em um CD dela. Bons tempos da gôndola da Americanas.Quando a minissérie estreou, deu para perceber que a produção era ótima, o elenco também muito bom. Preferi não dizer nada até acabar para poder dizer com certeza que não gostei. Não gostei. Pronto, disse. Quando você pretende contar a vida de alguém, você conta. Se a vida de Maysa era censurável, então que não a reconstruíssem para a televisão aberta. Maysa ficou ridícula depois da minissérie, foi minimizada, colocada como uma mulher que fica fraca, perdida, sozinha e triste com a morte do marido... e só.Larissa Maciel fez um ótimo trabalho, irretocável na interpretação. Mas ela poderia ter brilhado muito mais se o roteiro fosse mais fiel à realidade, se Manoel Carlos não tivesse confundido Maysa com uma de sua Helenas que moram no Leblon e vão ao Doutor Moreti. Maysa era um furacão, deliciosamente petulante, agressiva, corajosa. Bebia porque tinha um tormento interno que só cessava quando ela cantava, coisa que o marido retratado como seu alicerce odiava, recriminava e algumas vezes usou como moeda de troca. Maysa foi obrigada a doar o lucro de suas apresentações para obras beneficentes para poder continuar cantando com o sobrenome Matarazzo.Manoel Carlos é cotidiano demais e Monjardim parente demais. Não, por mais que o diretor diga que conseguiu se distanciar, fica clara sua mágoa com a mãe relapsa e seu endeusamento do pai. Maysa não caiu porque André morreu, ela sempre esteve caída, era do chão que nasciam suas músicas. A Globo ficou devendo essa para o público, mais essa. Larissa Maciel era Maysa, com certeza, mas a Maysa não era Maysa. O coração dela não falava calmamente, gritava. Saudades da Maysa do jardim. A Maysa que tinha problemas com seu peso, cortes no rosto (resultado de um acidente de carro onde dirigia bêbada), cabelos despenteados por gosto, dedos amarelos e dentes não muito estéticos. Maysão, como carinhosamente chamo.
21/01/2009
Barack Hussein Obama tomou posse ontem. Não sei, o clima é de otimismo demais. Tudo bem que é bom ser otimista, mas fantasiar não dá. Como diz o José Simão, estão dizendo que Obama cura até catapora. Sacanagem. Menos pressão, vamos devagar. As idéias dele são boas, mas não dá pra esquecer que ele tem que obedecer algumas pessoas mais importantes que ele (ingenuidade achar que elas não existem) para colocá-las em prática, além, claro, de precisar de aprovação no Congresso dos Estados Unidos. Que seja o melhor possível.8==============DMinha pós-graduação entrou na reta final. Agora é assistir a mais algumas aulas e fazer o último e mais complicado trabalho e pronto, serei um jornalista literário. Complicado isso, já que jornalistas literários são verdadeiros pedintes de espaço nas publicações, salvo a "Piauí", "Brasileiros" e um pouco "Caros Amigos". Precisamos de pelo menos seis páginas para introduzir a matéria. Na décima página nosso personagem começa a tomar forma. Ai que exagero. Difícil conseguir emplacar pautas literárias. Mas serei, mesmo assim. Como todo fim subentende um novo começo, ainda não sei se vou já pra um mestrado ou espero um pouco. Nenhum mestrado me interessou ainda, quem sabe outra pós. Ou outra faculdade, quiçá. Sonho com Psicologia, um dia farei.8===============DOntem fui a uma colação de grau na Mooca. Não conhecia o lugar. Achei bem legal, pelo menos na região que eu fiquei, perto do Juventus. Gostei do que vi, vale a pena dar uma conferida nos moços que passam por lá.
Escrito por Hélio Filho às 18h20
(0) Comente
Eu, minha mãe e Maysa
19/01/2009
Minha relação com Maysa é quase, senão inteiramente, freudiana. Lembro que quando eu era bem criança minha mãe colocava umas fitas-cassete no som todo fim de tarde para aguar o jardim de casa. Ali eu ficava com ela conversando sobre tudo. Tirava dúvidas que me afligiam muito como quem troca a pilha do vaga-lume e porque o sol vai embora. À beira daquela enorme quantidade de flores plantadas uma a uma pelas mãos de enormes unhas da minha mãe, conversávamos, éramos mãe e filho, bem gay isso, eu era bichinha, confesso. Era não, sou.Voltando à fofice, Maysa era uma das cantoras que minha mãe mais ouvia, ficando lado a lado com Elis. Achava bonito o jeito dela cantar. Lembro que uma vez peguei a capa de uma fita e vi o desenho de dois olhos verdes de sobrancelhas muito arqueadas, quase infernais. Não conseguia entender como aquela voz tão gostosa era da dona daqueles olhos "de buxa" (bruxa, em infantilês). As minhas preferidas eram "Ouça" - adorava quando ela quase ficava sem ar em "que um dia existiuuuuuu" - e "Chão de Estrelas". Essa foi a trilha sonora de um tempo cheio de ternura onde eu já era bichinha e minha mãe jurava não saber (e eu jurava que ela não sabia).Fui crescendo e vez ou outra minha avó cantarolava alguma canção da Maysa. Claro que ela também cantarolava Dolores Duran, Elizeth Cardoso e algumas do Cauby, mas as da Maysa eram as que mais me chamavam a atenção. Quando, digamos, cresci e virei gente, um dia estava me esbaldando nas gôndolas de CDs a R$ 9,90 nas Lojas Americanas quando ela voltou. Seu CD, o clássico "Canecão apresenta Maysa", estava embaixo de muitos outros, nem todos de qualidade.Comprei, por R$ 9,90, e nunca mais parei de ouvir, para o desespero das amigas de faculdade que sempre pegavam carona comigo e dos meus ex-namorados. Um deles chegou até a dizer que adorava, mas não suportou o som tocar a décima faixa do CD e já veio meloso pedir pra mudar. Foi preciso muita barba na nuca pra me convencer. Aí percebi que gostar de Maysa era considerado brega, que as pessoas não achavam a Maysa legal, que ninguém nem lembrava dela. Decidi ouvir só em casa, ou no fone de ouvido. Foi o que fiz há alguns anos.No ano passado, meu telefone tocou e do outro lado da linha (coisa antiga na era digital) minha amiga gritava desesperada:- Hélio, vão fazer uma minissérie sobre advinha quem!- Se for sobre mim, quero o pagamento dos direitos em dinheiro.- Ai, não viaja. É sobre a Maysa.- Maysa? Mas será que vai dar certo contar a vida dela? Não foi nada fácil, a Globo vai ter que amenizar.- Que nada, o Jayme Monjardim vai dirigir, diz que vai falar tudo sobre a mãe.- Duvido.Uma semana antes de estrear "Maysa - quando fala o coração" vários amigos estavam loucos para ver logo. Os mesmo amigos que torciam o nariz quando eu colocava meus CDs dela para tocar. Maysa virou moda, ficou hype e comercial. Uma pena. Pena maior para quem é pão-duro como eu e agora está pagando muito mais do que R$ 9,90 em um CD dela. Bons tempos da gôndola da Americanas.Quando a minissérie estreou, deu para perceber que a produção era ótima, o elenco também muito bom. Preferi não dizer nada até acabar para poder dizer com certeza que não gostei. Não gostei. Pronto, disse. Quando você pretende contar a vida de alguém, você conta. Se a vida de Maysa era censurável, então que não a reconstruíssem para a televisão aberta. Maysa ficou ridícula depois da minissérie, foi minimizada, colocada como uma mulher que fica fraca, perdida, sozinha e triste com a morte do marido... e só.Larissa Maciel fez um ótimo trabalho, irretocável na interpretação. Mas ela poderia ter brilhado muito mais se o roteiro fosse mais fiel à realidade, se Manoel Carlos não tivesse confundido Maysa com uma de sua Helenas que moram no Leblon e vão ao Doutor Moreti. Maysa era um furacão, deliciosamente petulante, agressiva, corajosa. Bebia porque tinha um tormento interno que só cessava quando ela cantava, coisa que o marido retratado como seu alicerce odiava, recriminava e algumas vezes usou como moeda de troca. Maysa foi obrigada a doar o lucro de suas apresentações para obras beneficentes para poder continuar cantando com o sobrenome Matarazzo.Manoel Carlos é cotidiano demais e Monjardim parente demais. Não, por mais que o diretor diga que conseguiu se distanciar, fica clara sua mágoa com a mãe relapsa e seu endeusamento do pai. Maysa não caiu porque André morreu, ela sempre esteve caída, era do chão que nasciam suas músicas. A Globo ficou devendo essa para o público, mais essa. Larissa Maciel era Maysa, com certeza, mas a Maysa não era Maysa. O coração dela não falava calmamente, gritava. Saudades da Maysa do jardim. A Maysa que tinha problemas com seu peso, cortes no rosto (resultado de um acidente de carro onde dirigia bêbada), cabelos despenteados por gosto, dedos amarelos e dentes não muito estéticos. Maysão, como carinhosamente chamo.
Big
15/01/2009
Ontem assisti Big Brother. A coisa está ficando cada vez pior, hein? Agora colocaram o povo dentro de uma “casa” (cercado mudou de nome com a reforma ortográfica?) de vidro em um shopping na segunda maior cidade do Brasil, o Rio de Janeiro. Acho estranho, bem estranho. Aí o repórter vai entrevistar os participantes e você descobre que eles tem uma intimidade incrível com a câmera, parece que ficaram ensaiando dias para falar para a câmera, como sorrir, melhor lado. Profissionalizaram o BBB. Acabou a espontaneidade, a surpresa. Teve uma que até agradeceu o carinho do público que está a apoiando. Mas qual público? Gente, ninguém nem sabe o nome dela direito ainda, calma, fia. Acho que era até esperado, já foram feitas muitas edições. Os próprios participantes das últimas já diziam que observaram antes como agir, com quem se aliar e de quem ficar longe. Entram preparados, cada um com uma estratégia, colocando à mostra seus melhores atributos, físicos, na maioria das vezes. É sempre a mesma coisa, sempre os mesmos problemas, as mesmas intrigas, tudo igual. Mesmo assim a gente assiste, gosta (se assiste é porque gosta, não vem com desculpinha) e assiste de novo. Quase todos os espaços comerciais já foram vendidos e os que restam devem evaporar depois da estabilização da audiência do programa. Plim plim.
Escrito por Hélio Filho às 17h06
(2) Vários Comentários
13/01/2009
Pensar Sempre gostei de Filosofia, de filosofar. Tem gente que acha que só aqueles famosos homens, e algumas mulheres, conseguiram filosofar. Bobagem, filosofar nada mais é do que refletir, pensar sobre o pensar. Se reconhecer como ser pensante, ou seja, filosofar me torna indivíduo. Todo mundo pode, e deveria, filosofar, mesmo que considere sua filosofia de boteco, de terceira ou fútil. Pensar faz bem, sempre. Mas, por favor, pense coisas boas, afinal, o pensamento tem poder e a física quântica já provou que ele pode fazer muita coisa. Não, não li "O Segredo", obra-prima da literatura contemporânea que tem como embaixadora no Brasil a grande e respeitada por seu talento atriz Rita Guedes, esse conceito é consenso em várias correntes de pensamento. Esse vídeo eu recebi de uma colega de faculdade, aquela época aonde eu cheguei a ser neo-marxista e achava que seguir a luz do mito da caverna era meu destino. Ainda bem que o bom senso aumenta com a idade, em alguns casos, claro. Não é muito educativo filosoficamente, mas é engraçado. Ok, piada meio nerd, mas tá valendo.
15/01/2009
Ontem assisti Big Brother. A coisa está ficando cada vez pior, hein? Agora colocaram o povo dentro de uma “casa” (cercado mudou de nome com a reforma ortográfica?) de vidro em um shopping na segunda maior cidade do Brasil, o Rio de Janeiro. Acho estranho, bem estranho. Aí o repórter vai entrevistar os participantes e você descobre que eles tem uma intimidade incrível com a câmera, parece que ficaram ensaiando dias para falar para a câmera, como sorrir, melhor lado. Profissionalizaram o BBB. Acabou a espontaneidade, a surpresa. Teve uma que até agradeceu o carinho do público que está a apoiando. Mas qual público? Gente, ninguém nem sabe o nome dela direito ainda, calma, fia. Acho que era até esperado, já foram feitas muitas edições. Os próprios participantes das últimas já diziam que observaram antes como agir, com quem se aliar e de quem ficar longe. Entram preparados, cada um com uma estratégia, colocando à mostra seus melhores atributos, físicos, na maioria das vezes. É sempre a mesma coisa, sempre os mesmos problemas, as mesmas intrigas, tudo igual. Mesmo assim a gente assiste, gosta (se assiste é porque gosta, não vem com desculpinha) e assiste de novo. Quase todos os espaços comerciais já foram vendidos e os que restam devem evaporar depois da estabilização da audiência do programa. Plim plim.
Escrito por Hélio Filho às 17h06
(2) Vários Comentários
13/01/2009
Pensar Sempre gostei de Filosofia, de filosofar. Tem gente que acha que só aqueles famosos homens, e algumas mulheres, conseguiram filosofar. Bobagem, filosofar nada mais é do que refletir, pensar sobre o pensar. Se reconhecer como ser pensante, ou seja, filosofar me torna indivíduo. Todo mundo pode, e deveria, filosofar, mesmo que considere sua filosofia de boteco, de terceira ou fútil. Pensar faz bem, sempre. Mas, por favor, pense coisas boas, afinal, o pensamento tem poder e a física quântica já provou que ele pode fazer muita coisa. Não, não li "O Segredo", obra-prima da literatura contemporânea que tem como embaixadora no Brasil a grande e respeitada por seu talento atriz Rita Guedes, esse conceito é consenso em várias correntes de pensamento. Esse vídeo eu recebi de uma colega de faculdade, aquela época aonde eu cheguei a ser neo-marxista e achava que seguir a luz do mito da caverna era meu destino. Ainda bem que o bom senso aumenta com a idade, em alguns casos, claro. Não é muito educativo filosoficamente, mas é engraçado. Ok, piada meio nerd, mas tá valendo.
Sem ideia
09/01/2009
Não consigo ter idéias sem acento. Eles têm, e não tem. Paraquedista ou pára-quedista? Confesso que estou confuso com essa reforma ortográfica. Demorei 25 anos para aprender o pouco que sei sobre como escrever corretamente e vem um acordo unificador - e perturbador - e joga tudo no lixo. Tenho muitas reservas quanto à reforma, principalmente porque antes de tentar unificar a escrita é preciso que o povo saiba escrever. De que adianta mudar as regras para se escrever se o povo brasileiro mal sabe escrever? Vai unificar a escrita errada antes de corrigi-la? Hum, não sei não.Agora que os níveis de alfabetização estão (lentamente) subindo é hora de se preocupar com isso, em aumentar esse acesso à escrita, mas à boa escrita. Tudo bem que já não temos mais tanta gente lambuzando o dedão na almofadinha de carimbo para assinar o nome, no caso, o dedo. Mas ainda tem muita, muita gente que não sabe a diferença entre conserto e concerto, assento e acento, coser e cozer. Vai complicar mais ainda derrubar regras que há tanto tempo estão aí e não conseguiram ser aprendidas por todo mundo. Magôo virou Magoo, igual ao senhorzinho do desenho. Ai, estou confuso.Esse tipo de coisa me faz lembrar minhas aulas de Português e minhas professoras. Como sempre estudei em escola pública, com salários docentes quase hilários, lembro que minhas lentes suavam a camisa, blusa, camisete ou vestido para ensinar aquelas crianças que só queriam saber de jogar papelzinho no colega e pular o muro da escola no recreio, que depois da 5ª série vira intervalo. Nunca entendi essa evolução, mais uma, né? Mas sério, minhas professoras eram compromissadas, gostavam do que faziam e deliravam ao som de poemas bem escritos, textos bem construídos e acentos devidamente colocados.Fico pensando e tentando imaginar como está o humor da professora Nilzete, aquela que sempre ia com a calça lááá em cima, quase no peito, deixando a pata de camelo super destacada. Ela é daquelas que fala devagar porque formula, revisa e revisa de novo a frase que vai dizer ou escrever. Vem à mente uma imagem dela em meio a novos livros de ortografia, desolada pela perda dos sinais, pelo empobrecimento da língua. Espero também que ela tenha cortado o cabelo, era pavoroso e inquietante ver tantos fios fora de lugar. Um atentado ao bom aprendizado.E a professora Sandra? Ah, meu exemplo de bom português. Uma professora excelente, anos luz à frente da Nilzete (acho que por isso as duas nunca se deram bem). Roupas discretas e elegantes, cabelo sempre arrumado, perfumada, outro nível. Bem baixinha, mas com um conhecimento gigante. Fico imaginando as lágrimas correndo por cima da pinta que ela tem (será que ainda tem?) do lado esquerdo da boca quando viu o que virou seu tão amado ato de escrever. Ortodoxa como é, acho que nunca vai engolir esse acordo.O que dizer então da Cida, Cidoca, Cidona, Cidinha, minha professora de Redação do 3º ano? Magrinha, baixinha e muito brava, a uma hora dessas deve estar voltando a se dedicar ao Direito para não ensinar que o que ela dizia que era certo agora é errado. Tudo bem que ela me explorava e me fazia dar aula no lugar dela para a turma, na época achava até legal, depois percebi que eu trabalhava e ela ganhava. Sacanagem. Mesmo assim guardo boas lembranças dela e não deixo de pensar em sua desilusão desde o último 1º de janeiro.Na pós-graduação, alguns dos meus professores defendem, outros não. Um dia fui discutir com um que defende e ele me disse que a língua é dinâmica e que evolui. Lembrei que você vem de vossa mercê e tantos outros exemplos, mas isso não me convenceu. A língua é dinâmica, muda, claro, e isso é ótimo. Só que ela precisa ser aprendida antes. Tem muita gente que nem sabe o que realmente vai mudar simplesmente porque sempre escreveu de uma forma que era errada e que agora se tornou certa.Continuo confuso. O próximo passo é virtualizar a língua? Vamos escrever tb, vc, msg, td, kd? Sendo bem pão-duro, pergunto: o que farei com os manuais de redação que comprei? Nem sebo vai aceitar.
Escrito por Hélio Filho às 16h30
(2) Vários Comentários
Velinhas velhinhas
07/01/2009
Eu nunca tinha parado para pensar em como estaria com 25 anos. Lembro só que sonhava em ter 17 quando era criança. Achava uma idade legal, bem adolescente, clima pré-vestibular, pré-CNH. Com oito anos, isso é o máximo para você. Você quer ter 17, amigos, baladas, falar gírias e mais um monte de coisas próprias da idade. Pois é, já faz oito anos que eu fiz 17 e 17 anos que eu tinha oito. O tempo voa, na velocidade da luz daquelas espadas do Star Wars (para ficar diferente de apenas velocidade da luz). E hoje eu faço 25 anos. Metade de 50, ¼ de século. 25 é sonoro, pesa. É como fazer 20, 30. Números múltiplos de cinco costumam ter esse peso, essa idéia de estar completando algo, no caso, uma fase. Fazer 25 até que é legal. Quem tem mais idade com certeza vai falar: “ah, ainda é um bebê”. Sim, eu sei que ainda sou novo, mas o peso dito ali em cima continua a ser sentido. O dia do aniversário da pessoa é especial porque é sinal de mais um ano, mas também traz uma pontinha de melancolia, não tristeza, e faz a gente pensar no que fez desde o último aniversário. 7 de janeiro de 2008 eu estava feliz, casado e ganhei uma micro festa-surpresa (tem hífen? $%#@ de reforma) do amado. Aí comecei a pensar no que se passou desde aquele dia até hoje. Muita coisa aconteceu. O amado já não é mais amado e nenhuma festa-surpresa vai rolar hoje. Mas, com certeza, estou bem mais feliz do que há um ano, e isso faz toda a diferença.Nunca gostei de comemorar meu aniversário. Não faço questão de festa, mensagens cheias de desejos maravilhosos e telefonemas intermináveis recheados das palavras “felicidade”, “anos”, “vida” e “seu dia”. Não faz muita diferença para mim. Agora o mais estranho: sempre fico mega sem graça quando recebo um presente, acho que por isso não gosto muito de armar uma festa, fazer convitinhos e comprar comes e bebes. Acho que nunca agradeci o bastante, que quem me deu o presente merece mais agradecimentos, mais pompa, mas eu sou muito indiferente, a tudo, e juro que me esforço para passar a imagem de que realmente gostei. E, na maioria das vezes, eu gosto mesmo.Quando a noite de hoje chegar, já terei atendido a muitos telefonemas e respondido a tantos outros e-mails, todos com o mesmo texto, mudando apenas o gênero do destinatário. Isso faz parte do tal dia do seu aniversário, entendo. Abri minha página do Orkut hoje e já tinha cerca de 60 mensagens. Algumas de pessoas super queridas e amadas, outras de gente que não vejo há tempos e só aparecem quando fica em negrito a data do aniversário. Como diria o contemporâneo filósofo ícone de uma geração altamente letrada Cléber Bam Bam, faz parte. Tenho muito que comemorar hoje, mas também muito que pensar. Começou a contagem para os 30. Quando o três ocupar o lugar do dois, aí sim a coisa vai pegar. Enquanto isso vou continuar por aqui, estranho e avesso a formalidades da data. Faz exatamente 25 anos que sou assim, ainda bem.
Escrito por Hélio Filho às 12h29
(9) Vários Comentários
No Mato, Grosso
05/01/2009
Voltei da Amazônia, do norte do Mato Grosso, para ser mais exato. Todo mundo aqui em São Paulo me perguntava o que eu ia fazer lá em pleno Ano Novo. Por que me enfiar no meio do mato em uma das datas mais fervidas, ui, festivas, ui, badaladas, ui, tudo de melhor do ano? Fora as caras de espanto, hilárias, e as recomendações das mais absurdas, foi tranqüilo convencer os paulistanos de que meu Ano Novo amazônico seria legal, ainda mais porque foi do lado da família, no colinho da mamãe, aquele ser que quase todo gay ama e que é o mais importante da vida dele.Acho engraçadas as reações das pessoas comigo. Primeiro que era de se esperar que eu, como a maioria das bichas, me jogasse em algum lugar conhecido, cheio de gente que se acha vip e jura que é amiga de todo mundo que acha que é importante. Que nada, a Amazônia é bem melhor. Tem ar puro, não tem carros, gente demais e pisar na terra e na grama te traz uma sensação que nenhuma super festa cheia de super pessoas com seus super modelitos fazendo seus super carões tem. Muita gente ainda não se conforma, paciência.Tudo bem que é longe, demorei quase 12 horas para chegar. Peguei avião, ônibus e van, mas cheguei, e antes do novo ano, o que é o mais importante quando se viaja em pleno dia 31 de tarde. Cheguei acabado, destruído, de mau-humor, estressado, mas bastou ouvir minha mãe me chamando com sua voz tipicamente alta e desinibida para que tudo isso passasse. E o cheiro de mãe então? Dá vontade de deitar no colo e ali ficar pra sempre. Pronto, estava tudo bem de novo.Passei quatro dias em uma cidadezinha com 30 mil habitantes, silenciosa, calma. Um dos momentos mais legais foi meu passeio de barco no rio. Meu concunhado (concunhado é parente?) me emprestou um enooorme chapéu de palha, bem de peão mesmo, para me proteger do sol durante o trajeto. Como palha coça, além de espetar seu couro cabeludo, cruzes! Outra coisa bem legal foi confirmar que gay tem em todo lugar e são muito parecidos.Mesmo em um lugar tão distante, na avenida principal (ponto da "balada" da cidade) um grupo de três fofas ligava o som de um Opalão prata com um típico bate-cabelo bem alto, fechando, arrasando. Batidão, querida, em plena Amazônia. Enquanto as outras caixas de som dos outros carros - animadores oficiais da avenida - tocavam Vitor e Léo, Bruno e Marrone e mais toda sorte de músicas feitas por dois nomes, as colegas batiam o cabelo na calçada.Foi nessa mesma noite que vi Thiago, ah, Thiago. Heterossexual (eu acho), pegador, de andar safado e encantador. Um moreno de cerca de 1.75m, de pernas torneadas, peitoral na medida e uma pele brilhante. Um corpo trabalhado diariamente nas inúmeras plantações de soja da região, nada de academias e bombas. A beleza bruta, mas não agressiva. Não o conheci, soube seu nome porque outro homem o chamou (e chamou minha tenção com isso). Não sei bem se senti tesão, acho que sim, mas foi mais fascínio mesmo, saber que ele é o representante original de uma beleza tipicamente brasileira que une o melhor de cada raça ali misturada. Fui embora, sem Thiago.Voltei desse passeio pela Amazônia mais cansado do que fui por causa dessa maratona da viagem, mas valeu a pena. Vi mamãe, conheci minhas duas novas sobrinhas (gêmeas), aprendi a fazer mamadeira e embalar bebês para pegarem no sono. Nada de pegação, ferveção e loucura, só fraldas, chupetas, berços e carrinhos a serem empurrados. Para mim, foi o melhor Ano Novo da minha vida.
09/01/2009
Não consigo ter idéias sem acento. Eles têm, e não tem. Paraquedista ou pára-quedista? Confesso que estou confuso com essa reforma ortográfica. Demorei 25 anos para aprender o pouco que sei sobre como escrever corretamente e vem um acordo unificador - e perturbador - e joga tudo no lixo. Tenho muitas reservas quanto à reforma, principalmente porque antes de tentar unificar a escrita é preciso que o povo saiba escrever. De que adianta mudar as regras para se escrever se o povo brasileiro mal sabe escrever? Vai unificar a escrita errada antes de corrigi-la? Hum, não sei não.Agora que os níveis de alfabetização estão (lentamente) subindo é hora de se preocupar com isso, em aumentar esse acesso à escrita, mas à boa escrita. Tudo bem que já não temos mais tanta gente lambuzando o dedão na almofadinha de carimbo para assinar o nome, no caso, o dedo. Mas ainda tem muita, muita gente que não sabe a diferença entre conserto e concerto, assento e acento, coser e cozer. Vai complicar mais ainda derrubar regras que há tanto tempo estão aí e não conseguiram ser aprendidas por todo mundo. Magôo virou Magoo, igual ao senhorzinho do desenho. Ai, estou confuso.Esse tipo de coisa me faz lembrar minhas aulas de Português e minhas professoras. Como sempre estudei em escola pública, com salários docentes quase hilários, lembro que minhas lentes suavam a camisa, blusa, camisete ou vestido para ensinar aquelas crianças que só queriam saber de jogar papelzinho no colega e pular o muro da escola no recreio, que depois da 5ª série vira intervalo. Nunca entendi essa evolução, mais uma, né? Mas sério, minhas professoras eram compromissadas, gostavam do que faziam e deliravam ao som de poemas bem escritos, textos bem construídos e acentos devidamente colocados.Fico pensando e tentando imaginar como está o humor da professora Nilzete, aquela que sempre ia com a calça lááá em cima, quase no peito, deixando a pata de camelo super destacada. Ela é daquelas que fala devagar porque formula, revisa e revisa de novo a frase que vai dizer ou escrever. Vem à mente uma imagem dela em meio a novos livros de ortografia, desolada pela perda dos sinais, pelo empobrecimento da língua. Espero também que ela tenha cortado o cabelo, era pavoroso e inquietante ver tantos fios fora de lugar. Um atentado ao bom aprendizado.E a professora Sandra? Ah, meu exemplo de bom português. Uma professora excelente, anos luz à frente da Nilzete (acho que por isso as duas nunca se deram bem). Roupas discretas e elegantes, cabelo sempre arrumado, perfumada, outro nível. Bem baixinha, mas com um conhecimento gigante. Fico imaginando as lágrimas correndo por cima da pinta que ela tem (será que ainda tem?) do lado esquerdo da boca quando viu o que virou seu tão amado ato de escrever. Ortodoxa como é, acho que nunca vai engolir esse acordo.O que dizer então da Cida, Cidoca, Cidona, Cidinha, minha professora de Redação do 3º ano? Magrinha, baixinha e muito brava, a uma hora dessas deve estar voltando a se dedicar ao Direito para não ensinar que o que ela dizia que era certo agora é errado. Tudo bem que ela me explorava e me fazia dar aula no lugar dela para a turma, na época achava até legal, depois percebi que eu trabalhava e ela ganhava. Sacanagem. Mesmo assim guardo boas lembranças dela e não deixo de pensar em sua desilusão desde o último 1º de janeiro.Na pós-graduação, alguns dos meus professores defendem, outros não. Um dia fui discutir com um que defende e ele me disse que a língua é dinâmica e que evolui. Lembrei que você vem de vossa mercê e tantos outros exemplos, mas isso não me convenceu. A língua é dinâmica, muda, claro, e isso é ótimo. Só que ela precisa ser aprendida antes. Tem muita gente que nem sabe o que realmente vai mudar simplesmente porque sempre escreveu de uma forma que era errada e que agora se tornou certa.Continuo confuso. O próximo passo é virtualizar a língua? Vamos escrever tb, vc, msg, td, kd? Sendo bem pão-duro, pergunto: o que farei com os manuais de redação que comprei? Nem sebo vai aceitar.
Escrito por Hélio Filho às 16h30
(2) Vários Comentários
Velinhas velhinhas
07/01/2009
Eu nunca tinha parado para pensar em como estaria com 25 anos. Lembro só que sonhava em ter 17 quando era criança. Achava uma idade legal, bem adolescente, clima pré-vestibular, pré-CNH. Com oito anos, isso é o máximo para você. Você quer ter 17, amigos, baladas, falar gírias e mais um monte de coisas próprias da idade. Pois é, já faz oito anos que eu fiz 17 e 17 anos que eu tinha oito. O tempo voa, na velocidade da luz daquelas espadas do Star Wars (para ficar diferente de apenas velocidade da luz). E hoje eu faço 25 anos. Metade de 50, ¼ de século. 25 é sonoro, pesa. É como fazer 20, 30. Números múltiplos de cinco costumam ter esse peso, essa idéia de estar completando algo, no caso, uma fase. Fazer 25 até que é legal. Quem tem mais idade com certeza vai falar: “ah, ainda é um bebê”. Sim, eu sei que ainda sou novo, mas o peso dito ali em cima continua a ser sentido. O dia do aniversário da pessoa é especial porque é sinal de mais um ano, mas também traz uma pontinha de melancolia, não tristeza, e faz a gente pensar no que fez desde o último aniversário. 7 de janeiro de 2008 eu estava feliz, casado e ganhei uma micro festa-surpresa (tem hífen? $%#@ de reforma) do amado. Aí comecei a pensar no que se passou desde aquele dia até hoje. Muita coisa aconteceu. O amado já não é mais amado e nenhuma festa-surpresa vai rolar hoje. Mas, com certeza, estou bem mais feliz do que há um ano, e isso faz toda a diferença.Nunca gostei de comemorar meu aniversário. Não faço questão de festa, mensagens cheias de desejos maravilhosos e telefonemas intermináveis recheados das palavras “felicidade”, “anos”, “vida” e “seu dia”. Não faz muita diferença para mim. Agora o mais estranho: sempre fico mega sem graça quando recebo um presente, acho que por isso não gosto muito de armar uma festa, fazer convitinhos e comprar comes e bebes. Acho que nunca agradeci o bastante, que quem me deu o presente merece mais agradecimentos, mais pompa, mas eu sou muito indiferente, a tudo, e juro que me esforço para passar a imagem de que realmente gostei. E, na maioria das vezes, eu gosto mesmo.Quando a noite de hoje chegar, já terei atendido a muitos telefonemas e respondido a tantos outros e-mails, todos com o mesmo texto, mudando apenas o gênero do destinatário. Isso faz parte do tal dia do seu aniversário, entendo. Abri minha página do Orkut hoje e já tinha cerca de 60 mensagens. Algumas de pessoas super queridas e amadas, outras de gente que não vejo há tempos e só aparecem quando fica em negrito a data do aniversário. Como diria o contemporâneo filósofo ícone de uma geração altamente letrada Cléber Bam Bam, faz parte. Tenho muito que comemorar hoje, mas também muito que pensar. Começou a contagem para os 30. Quando o três ocupar o lugar do dois, aí sim a coisa vai pegar. Enquanto isso vou continuar por aqui, estranho e avesso a formalidades da data. Faz exatamente 25 anos que sou assim, ainda bem.
Escrito por Hélio Filho às 12h29
(9) Vários Comentários
No Mato, Grosso
05/01/2009
Voltei da Amazônia, do norte do Mato Grosso, para ser mais exato. Todo mundo aqui em São Paulo me perguntava o que eu ia fazer lá em pleno Ano Novo. Por que me enfiar no meio do mato em uma das datas mais fervidas, ui, festivas, ui, badaladas, ui, tudo de melhor do ano? Fora as caras de espanto, hilárias, e as recomendações das mais absurdas, foi tranqüilo convencer os paulistanos de que meu Ano Novo amazônico seria legal, ainda mais porque foi do lado da família, no colinho da mamãe, aquele ser que quase todo gay ama e que é o mais importante da vida dele.Acho engraçadas as reações das pessoas comigo. Primeiro que era de se esperar que eu, como a maioria das bichas, me jogasse em algum lugar conhecido, cheio de gente que se acha vip e jura que é amiga de todo mundo que acha que é importante. Que nada, a Amazônia é bem melhor. Tem ar puro, não tem carros, gente demais e pisar na terra e na grama te traz uma sensação que nenhuma super festa cheia de super pessoas com seus super modelitos fazendo seus super carões tem. Muita gente ainda não se conforma, paciência.Tudo bem que é longe, demorei quase 12 horas para chegar. Peguei avião, ônibus e van, mas cheguei, e antes do novo ano, o que é o mais importante quando se viaja em pleno dia 31 de tarde. Cheguei acabado, destruído, de mau-humor, estressado, mas bastou ouvir minha mãe me chamando com sua voz tipicamente alta e desinibida para que tudo isso passasse. E o cheiro de mãe então? Dá vontade de deitar no colo e ali ficar pra sempre. Pronto, estava tudo bem de novo.Passei quatro dias em uma cidadezinha com 30 mil habitantes, silenciosa, calma. Um dos momentos mais legais foi meu passeio de barco no rio. Meu concunhado (concunhado é parente?) me emprestou um enooorme chapéu de palha, bem de peão mesmo, para me proteger do sol durante o trajeto. Como palha coça, além de espetar seu couro cabeludo, cruzes! Outra coisa bem legal foi confirmar que gay tem em todo lugar e são muito parecidos.Mesmo em um lugar tão distante, na avenida principal (ponto da "balada" da cidade) um grupo de três fofas ligava o som de um Opalão prata com um típico bate-cabelo bem alto, fechando, arrasando. Batidão, querida, em plena Amazônia. Enquanto as outras caixas de som dos outros carros - animadores oficiais da avenida - tocavam Vitor e Léo, Bruno e Marrone e mais toda sorte de músicas feitas por dois nomes, as colegas batiam o cabelo na calçada.Foi nessa mesma noite que vi Thiago, ah, Thiago. Heterossexual (eu acho), pegador, de andar safado e encantador. Um moreno de cerca de 1.75m, de pernas torneadas, peitoral na medida e uma pele brilhante. Um corpo trabalhado diariamente nas inúmeras plantações de soja da região, nada de academias e bombas. A beleza bruta, mas não agressiva. Não o conheci, soube seu nome porque outro homem o chamou (e chamou minha tenção com isso). Não sei bem se senti tesão, acho que sim, mas foi mais fascínio mesmo, saber que ele é o representante original de uma beleza tipicamente brasileira que une o melhor de cada raça ali misturada. Fui embora, sem Thiago.Voltei desse passeio pela Amazônia mais cansado do que fui por causa dessa maratona da viagem, mas valeu a pena. Vi mamãe, conheci minhas duas novas sobrinhas (gêmeas), aprendi a fazer mamadeira e embalar bebês para pegarem no sono. Nada de pegação, ferveção e loucura, só fraldas, chupetas, berços e carrinhos a serem empurrados. Para mim, foi o melhor Ano Novo da minha vida.
De novo
30/12/2008
E o Natal passou com aquele típico gosto de rabanada. Agora é esperar 2009 do lado da mamãe na Amazônia, depois conto a aventura. Feliz Ano Novo!Uma lista de pedidos para o novo ano:Menos ignorância, mais tolerância.Menos gente na cidade, mais espaço para andar.Menos calor, mais tardes amenas.Menos jogações, mais programas diurnos.Menos preocupações, mais cabeça livre.Mais dinheiro, menos contas.Menos burrice, mais inteligência.Menos poluição, mais pulmões saudáveis.Menos blá blá blá, mais ações.Um namorado fiel e psicologicamente equilibrado.Meu certificado da pós-graduação.Uma samambaia. Um novo amigo incrível como o Irving.Outra sobrinha, pode ser gêmeas de novo.Um pulso curado.Mais duas tatuagens.Um mestrado.Paz de espírito.
30/12/2008
E o Natal passou com aquele típico gosto de rabanada. Agora é esperar 2009 do lado da mamãe na Amazônia, depois conto a aventura. Feliz Ano Novo!Uma lista de pedidos para o novo ano:Menos ignorância, mais tolerância.Menos gente na cidade, mais espaço para andar.Menos calor, mais tardes amenas.Menos jogações, mais programas diurnos.Menos preocupações, mais cabeça livre.Mais dinheiro, menos contas.Menos burrice, mais inteligência.Menos poluição, mais pulmões saudáveis.Menos blá blá blá, mais ações.Um namorado fiel e psicologicamente equilibrado.Meu certificado da pós-graduação.Uma samambaia. Um novo amigo incrível como o Irving.Outra sobrinha, pode ser gêmeas de novo.Um pulso curado.Mais duas tatuagens.Um mestrado.Paz de espírito.
Assinar:
Postagens (Atom)
