De novo
30/12/2008
E o Natal passou com aquele típico gosto de rabanada. Agora é esperar 2009 do lado da mamãe na Amazônia, depois conto a aventura. Feliz Ano Novo!Uma lista de pedidos para o novo ano:Menos ignorância, mais tolerância.Menos gente na cidade, mais espaço para andar.Menos calor, mais tardes amenas.Menos jogações, mais programas diurnos.Menos preocupações, mais cabeça livre.Mais dinheiro, menos contas.Menos burrice, mais inteligência.Menos poluição, mais pulmões saudáveis.Menos blá blá blá, mais ações.Um namorado fiel e psicologicamente equilibrado.Meu certificado da pós-graduação.Uma samambaia. Um novo amigo incrível como o Irving.Outra sobrinha, pode ser gêmeas de novo.Um pulso curado.Mais duas tatuagens.Um mestrado.Paz de espírito.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Então, é Natal
22/12/2008
Como todo ano, ainda bem, o Natal chegou. Impossível não perceber a iluminação da Avenida Paulista e de todos os outros lugares que adoram atrair gente com sua decoração, algumas de cair o queixo. Ainda bem, de novo, o Natal é sempre igual, e uma delícia. Adoro a data, prefiro Natal ao Ano Novo, sempre gostei do clima, da preparação, mesmo achando um absurdo comer só à meia-noite, sendo que em Jerusalém essa meia-noite já passou faz tempo. Mas simbologia é metade do Natal. Passa.No Natal tem algo mágico, um espírito mais leve, deve ser o inconsciente coletivo, só pode. Todo mundo fica mais calminho, mais amável, pelo menos até encher a cara de vinho e dar bafão na festa (evite, por favor). As famílias se unem, mesmo falando mal um do outro pelos cantos, todos celebram e acaba o Natal, mas não sua azia, ressaca e falta de dinheiro porque gastou horrores naquele peru ultramegagoldmaxitoppremium que alguma marca lançou este ano.Você vai ligar a televisão e Roberto Carlos estará recebendo convidados. Xuxa vai entrar em algum mundo da imaginação, que não o que ela já vive, Didi e sua turma de quase atores também e uma enxurrada de especiais que servem de pilotos para um futuro seriado vão te divertir, ou irritar, depende de você. Mas o Natal é isso, é quando a família toda se junta, bebe, troca presentes, come vários animais diferentes e vai embora falando mal da roupa da cunhada, do presente chinfrin do tio ou do tender que não tinha molho o bastante. O espírito natalino existe, mesmo que por uma noite.Como dizia, eu gosto de Natal, principalmente o da minha casa. Se você conseguir visualizar uma família formada por descendentes de italianos e libaneses vai ver todo mundo mexendo muito o braço, falando alto em volta da mesa (sempre em volta da mesa) e os mais velhos enfiando comida nos mais novos ao som de "tá tão magrinho!". Eu? Gente, troca os óculos, titia. Mas isso faz parte, família é sempre igual, só muda de endereço, quando muda. E Natal é igual também, ainda bem.Mas tem coisas ruins também. Ruas cheias de gente passeando e atrasando o cotidiano de quem não parou de trabalhar. Famílias inteiras no metrô com pencas de sacolas cheias de presente (o Capitalismo agradece) ou até mesmo com árvores de Natal (presenciei isso, existe!). Sem contar que eu não sou muito fã de músicas natalinas, ainda mais as que são executadas há, pelo menos, 24 anos, meu tempo de vida. Todo ano são as mesmas, precisa reformular, gente, e rápido. Mas não reformular cantando em outro ritmo, é para compor outras, tá?Feliz Natal!
22/12/2008
Como todo ano, ainda bem, o Natal chegou. Impossível não perceber a iluminação da Avenida Paulista e de todos os outros lugares que adoram atrair gente com sua decoração, algumas de cair o queixo. Ainda bem, de novo, o Natal é sempre igual, e uma delícia. Adoro a data, prefiro Natal ao Ano Novo, sempre gostei do clima, da preparação, mesmo achando um absurdo comer só à meia-noite, sendo que em Jerusalém essa meia-noite já passou faz tempo. Mas simbologia é metade do Natal. Passa.No Natal tem algo mágico, um espírito mais leve, deve ser o inconsciente coletivo, só pode. Todo mundo fica mais calminho, mais amável, pelo menos até encher a cara de vinho e dar bafão na festa (evite, por favor). As famílias se unem, mesmo falando mal um do outro pelos cantos, todos celebram e acaba o Natal, mas não sua azia, ressaca e falta de dinheiro porque gastou horrores naquele peru ultramegagoldmaxitoppremium que alguma marca lançou este ano.Você vai ligar a televisão e Roberto Carlos estará recebendo convidados. Xuxa vai entrar em algum mundo da imaginação, que não o que ela já vive, Didi e sua turma de quase atores também e uma enxurrada de especiais que servem de pilotos para um futuro seriado vão te divertir, ou irritar, depende de você. Mas o Natal é isso, é quando a família toda se junta, bebe, troca presentes, come vários animais diferentes e vai embora falando mal da roupa da cunhada, do presente chinfrin do tio ou do tender que não tinha molho o bastante. O espírito natalino existe, mesmo que por uma noite.Como dizia, eu gosto de Natal, principalmente o da minha casa. Se você conseguir visualizar uma família formada por descendentes de italianos e libaneses vai ver todo mundo mexendo muito o braço, falando alto em volta da mesa (sempre em volta da mesa) e os mais velhos enfiando comida nos mais novos ao som de "tá tão magrinho!". Eu? Gente, troca os óculos, titia. Mas isso faz parte, família é sempre igual, só muda de endereço, quando muda. E Natal é igual também, ainda bem.Mas tem coisas ruins também. Ruas cheias de gente passeando e atrasando o cotidiano de quem não parou de trabalhar. Famílias inteiras no metrô com pencas de sacolas cheias de presente (o Capitalismo agradece) ou até mesmo com árvores de Natal (presenciei isso, existe!). Sem contar que eu não sou muito fã de músicas natalinas, ainda mais as que são executadas há, pelo menos, 24 anos, meu tempo de vida. Todo ano são as mesmas, precisa reformular, gente, e rápido. Mas não reformular cantando em outro ritmo, é para compor outras, tá?Feliz Natal!
Madonnão
18/12/2008
Eu não vou ao show da Madonna. A nenhum dos três aqui em São Paulo. Não é mágoa de miguxa de quem não pode comprar o ingresso. Não sou rico, mas poderia comprar e ir (ainda mais sendo pós-graduando, o que me garante uma providencial carteirinha de estudante). O que me impede é um simples fator: eu não quero. Mas o que mais me incomoda é ter que ficar ouvindo: "cooooomoooooo você não vai? É a Madonna, a rainha, a diva, a deusa, uiiii!!!". Eu sei, Madonna é Madonna, ela é tudo, maravilhosa, incomparável e etc., mas não me animei, de verdade.Desde começou todo aquele burburinho de vai ou não fazer show no Brasil eu já não me animei. Adoro a Madonna, mas não tenho todos os CDs, os filmes, as camisetas, as fotos, pôsteres e sei lá mais que sorte de objetos os fãs colecionam por aí. Tenho até medo de pensar. Como dizia, não me animei mesmo. Quando as datas foram confirmadas, não deu aquele friozinho na barriga e minha cabeça também não começou a pensar em mil coisas para se fazer antes do grande dia.Acho que se fosse na fase da obra-prima "Ray of light" ou do batidão "Music" eu até iria, mas era uma fase pessoal também, de querer ferver, ui, arrasar, ui, jogar cabelón, ui, causar, ui! Estou calmo atualmente (até demais), preguiçoso, confesso. Com certeza tem gente pensando que eu vou me arrepender de não ter ido quando ela estava aqui do lado. Talvez, pode ser. Mas não vou me forçar a ir ao show só para dizer que fui e tirar muitas fotos para colocar no Orkut, no MSN, de camiseta da turnê e chapéu (piada interna).Pode parecer absurdo para as madonnetes (como é a grafia disso, gente???) de plantão, mas Madonna me deu bode. Ela não me toca (uiiii) como tocava antes. Credo, essa frase ficou parecendo de terapia de casal, mas enfim. Sério, ela não é para mim mais a Madonna que já foi, e acho isso até normal. Lembro que a primeira vez que vi a mítica figura dela foi na capa do disco "You can dance", aquela coletânea de remixes lançada em 1987 (eu tinha três anos).Vi o disco na casa de uma amiga da minha irmã mais velha, que já tinha seus 13 anos, lá por 1988/89. Cabelo quase branco, unhas vermelhíssimas e a pinta chamaram minha atenção. Eu já sabia que era gay, nasci sabendo, e a identificação foi instantânea. Mas nisso não rola mais. Hoje, literalmente hoje, ela está aqui do meu lado. Sem a pinta, sem as unhas vermelhas e com o cabelo menos branco. Bom show para quem vai, tenho certeza de que será incrível e inesquecível. Eu vou ficar em casa, sinceramente em paz.
Escrito por Hélio Filho às 17h17
(4) Vários Comentários
Yes!
15/12/2008
É muito bom quando alguém realiza o sonho de todo um planeta. E toda uma profissão também, no caso, dos jornalistas. Atire o primeiro sapato aquele repórter que nunca sentiu vontade de jogar alguma coisa na cara de algum entrevistado, ainda mais quando ele acha que pode te enganar com discursos prolixos.
Montazer al Zaidi, personalidade 2008. Confira o vídeo aqui.
18/12/2008
Eu não vou ao show da Madonna. A nenhum dos três aqui em São Paulo. Não é mágoa de miguxa de quem não pode comprar o ingresso. Não sou rico, mas poderia comprar e ir (ainda mais sendo pós-graduando, o que me garante uma providencial carteirinha de estudante). O que me impede é um simples fator: eu não quero. Mas o que mais me incomoda é ter que ficar ouvindo: "cooooomoooooo você não vai? É a Madonna, a rainha, a diva, a deusa, uiiii!!!". Eu sei, Madonna é Madonna, ela é tudo, maravilhosa, incomparável e etc., mas não me animei, de verdade.Desde começou todo aquele burburinho de vai ou não fazer show no Brasil eu já não me animei. Adoro a Madonna, mas não tenho todos os CDs, os filmes, as camisetas, as fotos, pôsteres e sei lá mais que sorte de objetos os fãs colecionam por aí. Tenho até medo de pensar. Como dizia, não me animei mesmo. Quando as datas foram confirmadas, não deu aquele friozinho na barriga e minha cabeça também não começou a pensar em mil coisas para se fazer antes do grande dia.Acho que se fosse na fase da obra-prima "Ray of light" ou do batidão "Music" eu até iria, mas era uma fase pessoal também, de querer ferver, ui, arrasar, ui, jogar cabelón, ui, causar, ui! Estou calmo atualmente (até demais), preguiçoso, confesso. Com certeza tem gente pensando que eu vou me arrepender de não ter ido quando ela estava aqui do lado. Talvez, pode ser. Mas não vou me forçar a ir ao show só para dizer que fui e tirar muitas fotos para colocar no Orkut, no MSN, de camiseta da turnê e chapéu (piada interna).Pode parecer absurdo para as madonnetes (como é a grafia disso, gente???) de plantão, mas Madonna me deu bode. Ela não me toca (uiiii) como tocava antes. Credo, essa frase ficou parecendo de terapia de casal, mas enfim. Sério, ela não é para mim mais a Madonna que já foi, e acho isso até normal. Lembro que a primeira vez que vi a mítica figura dela foi na capa do disco "You can dance", aquela coletânea de remixes lançada em 1987 (eu tinha três anos).Vi o disco na casa de uma amiga da minha irmã mais velha, que já tinha seus 13 anos, lá por 1988/89. Cabelo quase branco, unhas vermelhíssimas e a pinta chamaram minha atenção. Eu já sabia que era gay, nasci sabendo, e a identificação foi instantânea. Mas nisso não rola mais. Hoje, literalmente hoje, ela está aqui do meu lado. Sem a pinta, sem as unhas vermelhas e com o cabelo menos branco. Bom show para quem vai, tenho certeza de que será incrível e inesquecível. Eu vou ficar em casa, sinceramente em paz.
Escrito por Hélio Filho às 17h17
(4) Vários Comentários
Yes!
15/12/2008
É muito bom quando alguém realiza o sonho de todo um planeta. E toda uma profissão também, no caso, dos jornalistas. Atire o primeiro sapato aquele repórter que nunca sentiu vontade de jogar alguma coisa na cara de algum entrevistado, ainda mais quando ele acha que pode te enganar com discursos prolixos.
Montazer al Zaidi, personalidade 2008. Confira o vídeo aqui.
O abismo entre declarar e fazer
10/12/2008
Hoje a Declaração Universal dos Direitos Humanos faz 60 anos, velha ela, né? Em todos os sentidos. A idéia é boa, mas, como toda idéia, seria melhor se realmente fosse colocada em prática. Eu fico me perguntando como a população do mundo se baseia nela para se defender se as pessoas em geral ainda não se respeitam. Para que serve uma declaração macro como essa se as relações interpessoais ainda não têm um nível mínimo de respeito?Ok, muito se avançou nessas seis décadas e muitas conquistas foram pautadas pelos tópicos que formam o documento assinado por 129 países. Mas não dá pra fechar os olhos, fazer festa e comemorar uma coisa que efetivamente não deu certo. Estamos falando de uma decisão, a de respeitar o outro, basicamente, que já é oficial há tanto tempo, mas que parece não ter sido levada em conta.De nada adianta elaborar um texto lindo, cheio de esperança e palavras de otimismo se a população que a recebe não sabe colocá-la em prática. Assim como o Anarquismo, Socialismo e tantas outras idéias que se afundaram quando colocadas em práticas, a Declaração precisa encontrar um campo que seja capaz de dar frutos, não um terreno ressecado pela intolerância e inóspito de tanta falta de respeito.Os Direitos Humanos devem ser respeitados todos os dias, nas pequenas ações é que se prova que todos são iguais. É tendo paciência para a senhora entrar no metrô, mesmo que todo mundo te empurre querendo também empurrar a senhora, é agradecendo um pequeno gesto e valorizando e incentivando a boa educação, é chamando a trans pelo nome social, é não jogando lixo na rua e demonstrando que você está preocupado com o futuro do planeta.É não discriminando (no caso dos gays, isso chega a ser inaceitável) alguém porque se veste com roupas de loja de departamento, ou que tem a pele mais escura, ou que tem o cabelo crespo, ou que mora na Zona tal, ou que, enfim, não se encaixe no padrão branco/judaico-cristão/heterossexual/capitalista. A idéia de declarar os direitos do ser humano, o que deveria estar na educação básica de cada um, dispensando o documento, é louvável, é ótima e necessária. Mas, infelizmente e por diversos fatores, a prática nem sempre acompanha a idéia.Já fui repórter policial e visitava freqüentemente presídios e cadeias (existe uma diferença, para quem não sabe). Há um abismo entre o documento adornado por anjos e a realidade do ser humano que está ali. Não discutindo a imputabilidade deles, os presos são, por exemplo, a prova de que é preciso mais do que declarar, mas exercitar os Direitos Humanos. Se todos são iguais perante Deus, a Lei e os governos, nada melhor do que um mutirão para rever a situação legal dos detentos, que em sua maioria já cumpriram pena ou poderiam estar em um regime semi-aberto, mas não, para comemorar essas seis décadas de direitos.A tal massa amorfa, que se perde em meio a tanta informação, muitas vezes não consegue ver que leis, declarações, decisões e ideologias, por mais louváveis e benéficas que sejam, só servem se forem praticadas. Afinal, de decisões judiciais nobres e leis importantes os arquivos públicos estão cheios, assim como, de outro lado, os arquivos das polícias, dos Procons e do Judiciário em geral, só para ficar em alguns âmbitos. Sou a favor da Declaração, por mais que não pareça, mas só se ela for realmente efetiva, não apenas decorativa e bonita.Acho que estou meio cansado dessa hipocrisia das decisões feitas só para homens poderosos posarem de bonzinhos e saírem bem na foto enquanto seu povo é escravizado, passa fome, não tem emprego, é discriminado, assaltado, seqüestrado... Cansei mesmo de ver gente sorrindo na foto enquanto o povão, com o perdão da palavra, se fode. Não quero mais bater palmas para teatrinhos onde todo mundo é bonzinho, ama todo mundo independente de sua cor, raça, credo ou orientação sexual, e vai fazer tudo para salvar o mundo. Não vou subestimar minha inteligência, não mesmo.
Escrito por Hélio Filho às 12h46
(1) Apenas 1 comentário
O rei é gay!
08/12/2008
(Julian, ao centro, egocêntrico, pintoso e cheio de jeitos)Sempre amei os desenhos que estréiam nos cinemas voltados para crianças, mas que, na verdade, só têm piadas que possam ser entendidas por adultos. Para mim, "Procurando Nemo" é o hours concours deles e uma continuação seria mais do que bem-vinda. Ontem fui ver "Madagascar 2", confesso que foi depois de rodar, rodar, rodar (lembrei da Leila Lopes) e rodar atrás do "Romance", do Guel Arraes, mas mesmo assim foi ótima escolha. Já tinha assistido ao primeiro e rachado de dar risada, parte pelas piadas ótimas, parte pela minha bobice para coisas televisivas mesmo. E não é que tinha uma colega no filme? O rei Julien é o personagem mais gay que eu já vi em um desenho animado desde, sei lá, Bambi, Robin? E eu nem catei essa no primeiro filme.Primeiro que ele passa o filme todo com um extravagante e super gay arranjo cor-de-rosa na cabeça - bem parecido com os das rainhas-de-bateria siliconadas de escolas de samba. Depois tem a mania de querer ser importante, VIP, rodeado de súditos e sem abrir mão de seu fiel companheiro, Maurice, conselheiro e seja lá mais quais funções ele desempenha no reino de Julien - tipo o Robin do Batman. Parece aquele povo de certas filas "VIPs" de certos clubes paulistanos. Com o rabo sempre levantado (adoro dubiedades), ele passa o filme todo mostrando seu lado estrela e andando em garças cor-de-rosa mega pintosas, e lindas.Em uma cena, vai ajudar a girafa hipocondríaca Melman a sair de um buraco onde estava para morrer e declarar o que sente para a hipopótamo seca e direta Gloria. Logo fica assustado, um pouco enojado, na verdade, ao saber que Melman ama a hipopótamo. Misoginia engraçada, leve. Graças à tecnologia de ponta usada nesses desenhos, os remelexos muuuito gays, expressões de diva do cinema e trejeitos ultra-afeminados ficam mais visíveis e engraçados.Mas mais do que isso, "Madagascar 2" é um filme ao qual devemos prestar atenção, e elogiar. Uma poderosa mensagem às crianças, que lotaram a sala onde eu estava e faziam questão de comentar cada mínimo passo dos personagens do filme (além de chorar, gritar, rir demais, falar demais, enfim, serem crianças), esse tipo de filme/desenho pode mudar a mentalidade delas. No filme, um pingüim se casa com uma dançarina havaiana de madeira sob a benção de que o amor ultrapassa todas as diferenças. O romance de Melman e Gloria também ensina que o amor não conhece regras, leis, normas, e muito menos espécies, já que estamos falando do amor entre uma girafa (que eu juraaava ser gay no primeiro filme) e uma hipopótamo.Gostei de ver essas mensagens implícitas em um tipo de filme que eu amo e não tenho vergonha em admitir que assisto. Fiquei mais feliz ainda porque as férias chegaram e, com elas, além de metrô vazio e ruas menos movimentadas, vários filmes infantis. Já vi três trailers de novidades que vêm por aí com coisas do tipo ratos cantando. Adoro a crítica social implícita e as piadas freudianas. Só não vou assistir ao da Xuxa (qual será o tema deste ano?), aí já é demais.
10/12/2008
Hoje a Declaração Universal dos Direitos Humanos faz 60 anos, velha ela, né? Em todos os sentidos. A idéia é boa, mas, como toda idéia, seria melhor se realmente fosse colocada em prática. Eu fico me perguntando como a população do mundo se baseia nela para se defender se as pessoas em geral ainda não se respeitam. Para que serve uma declaração macro como essa se as relações interpessoais ainda não têm um nível mínimo de respeito?Ok, muito se avançou nessas seis décadas e muitas conquistas foram pautadas pelos tópicos que formam o documento assinado por 129 países. Mas não dá pra fechar os olhos, fazer festa e comemorar uma coisa que efetivamente não deu certo. Estamos falando de uma decisão, a de respeitar o outro, basicamente, que já é oficial há tanto tempo, mas que parece não ter sido levada em conta.De nada adianta elaborar um texto lindo, cheio de esperança e palavras de otimismo se a população que a recebe não sabe colocá-la em prática. Assim como o Anarquismo, Socialismo e tantas outras idéias que se afundaram quando colocadas em práticas, a Declaração precisa encontrar um campo que seja capaz de dar frutos, não um terreno ressecado pela intolerância e inóspito de tanta falta de respeito.Os Direitos Humanos devem ser respeitados todos os dias, nas pequenas ações é que se prova que todos são iguais. É tendo paciência para a senhora entrar no metrô, mesmo que todo mundo te empurre querendo também empurrar a senhora, é agradecendo um pequeno gesto e valorizando e incentivando a boa educação, é chamando a trans pelo nome social, é não jogando lixo na rua e demonstrando que você está preocupado com o futuro do planeta.É não discriminando (no caso dos gays, isso chega a ser inaceitável) alguém porque se veste com roupas de loja de departamento, ou que tem a pele mais escura, ou que tem o cabelo crespo, ou que mora na Zona tal, ou que, enfim, não se encaixe no padrão branco/judaico-cristão/heterossexual/capitalista. A idéia de declarar os direitos do ser humano, o que deveria estar na educação básica de cada um, dispensando o documento, é louvável, é ótima e necessária. Mas, infelizmente e por diversos fatores, a prática nem sempre acompanha a idéia.Já fui repórter policial e visitava freqüentemente presídios e cadeias (existe uma diferença, para quem não sabe). Há um abismo entre o documento adornado por anjos e a realidade do ser humano que está ali. Não discutindo a imputabilidade deles, os presos são, por exemplo, a prova de que é preciso mais do que declarar, mas exercitar os Direitos Humanos. Se todos são iguais perante Deus, a Lei e os governos, nada melhor do que um mutirão para rever a situação legal dos detentos, que em sua maioria já cumpriram pena ou poderiam estar em um regime semi-aberto, mas não, para comemorar essas seis décadas de direitos.A tal massa amorfa, que se perde em meio a tanta informação, muitas vezes não consegue ver que leis, declarações, decisões e ideologias, por mais louváveis e benéficas que sejam, só servem se forem praticadas. Afinal, de decisões judiciais nobres e leis importantes os arquivos públicos estão cheios, assim como, de outro lado, os arquivos das polícias, dos Procons e do Judiciário em geral, só para ficar em alguns âmbitos. Sou a favor da Declaração, por mais que não pareça, mas só se ela for realmente efetiva, não apenas decorativa e bonita.Acho que estou meio cansado dessa hipocrisia das decisões feitas só para homens poderosos posarem de bonzinhos e saírem bem na foto enquanto seu povo é escravizado, passa fome, não tem emprego, é discriminado, assaltado, seqüestrado... Cansei mesmo de ver gente sorrindo na foto enquanto o povão, com o perdão da palavra, se fode. Não quero mais bater palmas para teatrinhos onde todo mundo é bonzinho, ama todo mundo independente de sua cor, raça, credo ou orientação sexual, e vai fazer tudo para salvar o mundo. Não vou subestimar minha inteligência, não mesmo.
Escrito por Hélio Filho às 12h46
(1) Apenas 1 comentário
O rei é gay!
08/12/2008
(Julian, ao centro, egocêntrico, pintoso e cheio de jeitos)Sempre amei os desenhos que estréiam nos cinemas voltados para crianças, mas que, na verdade, só têm piadas que possam ser entendidas por adultos. Para mim, "Procurando Nemo" é o hours concours deles e uma continuação seria mais do que bem-vinda. Ontem fui ver "Madagascar 2", confesso que foi depois de rodar, rodar, rodar (lembrei da Leila Lopes) e rodar atrás do "Romance", do Guel Arraes, mas mesmo assim foi ótima escolha. Já tinha assistido ao primeiro e rachado de dar risada, parte pelas piadas ótimas, parte pela minha bobice para coisas televisivas mesmo. E não é que tinha uma colega no filme? O rei Julien é o personagem mais gay que eu já vi em um desenho animado desde, sei lá, Bambi, Robin? E eu nem catei essa no primeiro filme.Primeiro que ele passa o filme todo com um extravagante e super gay arranjo cor-de-rosa na cabeça - bem parecido com os das rainhas-de-bateria siliconadas de escolas de samba. Depois tem a mania de querer ser importante, VIP, rodeado de súditos e sem abrir mão de seu fiel companheiro, Maurice, conselheiro e seja lá mais quais funções ele desempenha no reino de Julien - tipo o Robin do Batman. Parece aquele povo de certas filas "VIPs" de certos clubes paulistanos. Com o rabo sempre levantado (adoro dubiedades), ele passa o filme todo mostrando seu lado estrela e andando em garças cor-de-rosa mega pintosas, e lindas.Em uma cena, vai ajudar a girafa hipocondríaca Melman a sair de um buraco onde estava para morrer e declarar o que sente para a hipopótamo seca e direta Gloria. Logo fica assustado, um pouco enojado, na verdade, ao saber que Melman ama a hipopótamo. Misoginia engraçada, leve. Graças à tecnologia de ponta usada nesses desenhos, os remelexos muuuito gays, expressões de diva do cinema e trejeitos ultra-afeminados ficam mais visíveis e engraçados.Mas mais do que isso, "Madagascar 2" é um filme ao qual devemos prestar atenção, e elogiar. Uma poderosa mensagem às crianças, que lotaram a sala onde eu estava e faziam questão de comentar cada mínimo passo dos personagens do filme (além de chorar, gritar, rir demais, falar demais, enfim, serem crianças), esse tipo de filme/desenho pode mudar a mentalidade delas. No filme, um pingüim se casa com uma dançarina havaiana de madeira sob a benção de que o amor ultrapassa todas as diferenças. O romance de Melman e Gloria também ensina que o amor não conhece regras, leis, normas, e muito menos espécies, já que estamos falando do amor entre uma girafa (que eu juraaava ser gay no primeiro filme) e uma hipopótamo.Gostei de ver essas mensagens implícitas em um tipo de filme que eu amo e não tenho vergonha em admitir que assisto. Fiquei mais feliz ainda porque as férias chegaram e, com elas, além de metrô vazio e ruas menos movimentadas, vários filmes infantis. Já vi três trailers de novidades que vêm por aí com coisas do tipo ratos cantando. Adoro a crítica social implícita e as piadas freudianas. Só não vou assistir ao da Xuxa (qual será o tema deste ano?), aí já é demais.
Triz
03/12/2008
Não estou triste, só impossibilitado de escrever muito. A poesia já estava pronta, vai ela.Triste graçaA tristeza é algo engraçadoPor mais estranho que isso soeA tristeza é engraçadaParece um sol a secar a água de nossa vidaParece algo que não sabemos explicarMas que entra em nossa almaDeixa nossas emoções cinzasNossos pensamentos embaraçadosNossa visão mórbidaNosso coração flagelado e doídoA tristeza é engraçadaMas não conseguimos rir delaNão conseguimos nos livrar delaApenas sentimos e somos diminuídosDestruídos e jogados como poeira ao ventoTerra no mar, respiro no arA tristeza é triste e engraçadaNão tem o riso do palhaçoMas tem um palhaço sem rirUma alma sem sentidoUm ser sem ser ouvidoAlgo cinza, escuro, macabro atéTriste, calmo, nervoso às vezesFicar triste pode ser bom, quem sabeSigo tristeEnquanto a graça não acabar
(Edvard Munch, Melancolia, Barco amarelo)
03/12/2008
Não estou triste, só impossibilitado de escrever muito. A poesia já estava pronta, vai ela.Triste graçaA tristeza é algo engraçadoPor mais estranho que isso soeA tristeza é engraçadaParece um sol a secar a água de nossa vidaParece algo que não sabemos explicarMas que entra em nossa almaDeixa nossas emoções cinzasNossos pensamentos embaraçadosNossa visão mórbidaNosso coração flagelado e doídoA tristeza é engraçadaMas não conseguimos rir delaNão conseguimos nos livrar delaApenas sentimos e somos diminuídosDestruídos e jogados como poeira ao ventoTerra no mar, respiro no arA tristeza é triste e engraçadaNão tem o riso do palhaçoMas tem um palhaço sem rirUma alma sem sentidoUm ser sem ser ouvidoAlgo cinza, escuro, macabro atéTriste, calmo, nervoso às vezesFicar triste pode ser bom, quem sabeSigo tristeEnquanto a graça não acabar
(Edvard Munch, Melancolia, Barco amarelo)
Gay é Bonito
27/11/2008
(Gruta do Lago Azul, de onde vem a água do lago... ninguém sabe ainda)
Levei um susto quando meu amigo Ronald me disse que o Gay Bonito já ia ser neste próximo fim de semana. Primeiro porque era sempre em dezembro que o bafo rolava, estava até vendo se dava pra ir e voltar rapidinho. Adoro o Gay Bonito, não queria perder, mas não tem jeito. Pois é, a partir de amanhã a cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, fica mais colorida, mais alegre, mais gay e muito menos pacata. Pode apostar. Bonito, como já diz o nome, é uma cidade que vale a pena conhecer. Nem é tão difícil chegar, tem vôo para Campo Grande, depois duas horinhas de carro e a cidade já te recebe. À primeira vista parece ser uma cidade onde você não terá nada para fazer, mas não é nada disso. É claro que não tem muito fervo noturno além dos bares da rua principal, mas a proposta de ir a Bonito é outra, é de relax, de contemplar a natureza. Então, um bom lugar para você entrar nos rios de águas cristalinas (como fica em uma região calcária, a bacia hidrográfica é toda assim) e ver os peixes nadando ao seu redor. Se você esticar as mãos com as palmas abertas, eles vêm até você e ficam se esfregando na palma de sua mão, você literalmente pode fazer carinho neles. Fazer flutuação também é tudo, você bóia e fica vendo toda a fauna e flora do rio ali bem de pertinho.Para os mais aventureiros, as grutas são o atrativo-mor. Não só aventureiros, místicos também, que acreditam que ali nas grutas alguém um dia deixou alguma mensagem sobre alguma coisa que ninguém ainda sabe o que é, enfim. Inclusive, o cerrado todo é cheio dessas lendas místicas, um dia eu conto. Continuando, tem ainda as trilhas ecológicas, bichos fofinhos como os quatis (não vale achar que é um casaco de pele andando) e as barulhentas araras e toda a fauna de um lugar que fica entre o Pantanal e a Cordilheira dos Andes. Para quem gosta de natureza, é uma ótima.Para quem não liga tanto assim para os atrativos naturais e adora uma boa bebericada, as cachaças locais de nome Taboa (tá boa, bem?) são um paraíso. Feitas com mel, guavira (fruta típica da região), limão ou canela ou um pouco disso misturado, realmente fazem a cabeça dos turistas. No último Gay Bonito que fui, em 2006, me deixei levar pelo sabor doce da bebida e acabei caindo de uma cadeira e torcendo o pé. Cuidado, a pinga sobe rápido e a vergonha desce mais rápido ainda. Quase rompi dois tendões do pé direito e fiquei de saci-pererê o resto do fim de semana. Nunca dance em cima de cadeiras de plástico, nunca. Em 2006, fui com um “singelo” grupo de 12 sapas e mais duas bichas. Garanto que foi fervido. A cidade fica toda cheia de bandeiras e as pessoas realmente não te olham torto, elas querem é saber quanto você vai gastar, queridjjjinha. A mentalidade deles é avançada quanto a isso. Gente do mundo todo passa por lá. E ainda tem lei anti-discriminação. A coisa pega fogo nas matas dos balneários e, mais de noite, as ruas quase desertas de uma cidade de 18 mil habitantes ficam beeem movimentadas. E todo mundo se encontra, mesmo que não se conheça. Como o clima é meio de carnaval (gay) fora de época, ninguém quer saber de fazer carão, até porque todo mundo já acorda na Taboa e o resto do dia a Deus pertence. Nada de roupas muito elaboradas, chinelo e sunga ou shorts e tudo está ótimo. Óculos escuros também, sempre, ainda mais perto da fronteira. Para quem vai, pode procurar o Ronald Rosa, principal organizador do evento. Um fofo, moreno, alto, bonito e sensual, além de muito inteligente e conhecedor de cada palmo de Bonito.
Escrito por Hélio Filho às 19h06
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Zelê!
24/11/2008
E até que um dia eu conheci a mítica Zona Leste de São Paulo, a Zelê. Na verdade, eu sempre gostei de me jogar em lugares onde nunca estive antes. É bom, tira você daquela visão viciada pelo cotidiano, sem contar a emoção de saber - ou não - se vai chegar ao lugar certo. E eu quase não cheguei. Por pouco não acho a Parada da Zona Leste. Desci no metrô Itaquera e segui a máxima de quem tem boca vai a Roma (e faz outras coisas também) e saí perguntando como se chegava até o centro de Itaquera. Desci ao terminal de ônibus e procurei um que passasse por lá.Achei, subi e percebi que a maioria das pessoas ficava me observando com certo ar de desconfiança, tipo um forasteiro mesmo. Da próxima vez, juro que vou com um óculos escuro menor e menos pintoso e sem mostrar minhas tatuagens, quem sabe não me entroso mais. Mas tudo bem, segui viagem em um daqueles micro-ônibus e andei mais um pouco, mais um pouco e mais um pouco e percebi que outros nomes de lugares começavam a aparecer, menos Itaquera. Gleba do Pêssego, Dom Bosco, Guaianazes e mais uns outros que eu não lembro agora. Tem até uma rua que chama Jacu.Estranhei a demora da menina que fazia as vezes de cobradora em me avisar quando chegasse onde pedi a ela. Ela cri cri cri (sinônimo de indiferença) para mim e meu ponto já havia passado há muitas ruas. Apelei para a simpatia que reina entre quem divide o mesmo banco em qualquer tipo de transporte público e perguntei para uma tiazinha do meu lado se já estávamos em Itaquera. Conferindo calmamente as ofertas em uma revista de cosméticos vendidos popularmente, ela me disse que nós já havíamos passado Itaquera e que Guaianazes era o próximo ponto. Agradeci, desci correndo do micro-ônibus e peguei outro de volta para o metrô.E não é que pouco tempo depois começo a ouvir aqueles tuts-tuts típico de um bom bate-cabelo? Quando olhei pela janela, estava simplesmente ao lado da Parada. Já vi Bill da Pizza com sua looooonga peruca morena em cima do palco fervendo. Tinha chegado. Fui comemorar com uma boa garrafa de água sem gás, até porque, era o fim de feriado prolongado e... enfim. Fui comprar a água e já comecei a perceber a diferença entre o centro e o bairro: o vendedor deixou o isopor dele com todas as bebidas para que eu cuidasse enquanto ele pegava a água em algum outro lugar – longe, porque ele demorou. Aí fiquei com aquela cara de Print Screen esperando ele voltar. A confiança dele, coisa de quem ainda acredita no ser humano, me deixou até meio passado. Aí que percebi que algumas coisas não podem ser medidas, como a crença de um indivíduo na honestidade de outro. Água na mão, me joguei no meio do público para assistir ao concurso Drag da Zona Leste. Não sei se foi psicológico, mas depois de ver tanta drag batendo o cabelo, mas batendo meeeesmo, muito, muito, acordei com torcicolo do lado esquerdo. Estou parecendo um robô, daqueles que não têm articulação e movem o corpo todo para virar o rosto.Foi legal conhecer a Zelê. Confesso que também achei divertido quase me perder. Só não gostei de ter que andar horrores para achar uma lata de lixo e jogar minha garrafa de água. Também não é legal o descaso com a praça onde realizaram o concurso. Olhando a Parada da Zona Leste não apenas para descrever, mas sim para refletir, fica nítida a importância dela, que pode não atrair milhões de reais em turismo, comércio e várias outras áreas, mas, pelo menos ontem, atraiu um povo animado que sofre preconceito por ser de lá, por ser gay e pelas duas coisas ao mesmo tempo. um momento para eles, deles, isso é bem legal e não se compra. Descobri que tem uma boate gay lá, quero conhecer! Juro que conto tudo, ou quase tudo.
27/11/2008
(Gruta do Lago Azul, de onde vem a água do lago... ninguém sabe ainda)
Levei um susto quando meu amigo Ronald me disse que o Gay Bonito já ia ser neste próximo fim de semana. Primeiro porque era sempre em dezembro que o bafo rolava, estava até vendo se dava pra ir e voltar rapidinho. Adoro o Gay Bonito, não queria perder, mas não tem jeito. Pois é, a partir de amanhã a cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, fica mais colorida, mais alegre, mais gay e muito menos pacata. Pode apostar. Bonito, como já diz o nome, é uma cidade que vale a pena conhecer. Nem é tão difícil chegar, tem vôo para Campo Grande, depois duas horinhas de carro e a cidade já te recebe. À primeira vista parece ser uma cidade onde você não terá nada para fazer, mas não é nada disso. É claro que não tem muito fervo noturno além dos bares da rua principal, mas a proposta de ir a Bonito é outra, é de relax, de contemplar a natureza. Então, um bom lugar para você entrar nos rios de águas cristalinas (como fica em uma região calcária, a bacia hidrográfica é toda assim) e ver os peixes nadando ao seu redor. Se você esticar as mãos com as palmas abertas, eles vêm até você e ficam se esfregando na palma de sua mão, você literalmente pode fazer carinho neles. Fazer flutuação também é tudo, você bóia e fica vendo toda a fauna e flora do rio ali bem de pertinho.Para os mais aventureiros, as grutas são o atrativo-mor. Não só aventureiros, místicos também, que acreditam que ali nas grutas alguém um dia deixou alguma mensagem sobre alguma coisa que ninguém ainda sabe o que é, enfim. Inclusive, o cerrado todo é cheio dessas lendas místicas, um dia eu conto. Continuando, tem ainda as trilhas ecológicas, bichos fofinhos como os quatis (não vale achar que é um casaco de pele andando) e as barulhentas araras e toda a fauna de um lugar que fica entre o Pantanal e a Cordilheira dos Andes. Para quem gosta de natureza, é uma ótima.Para quem não liga tanto assim para os atrativos naturais e adora uma boa bebericada, as cachaças locais de nome Taboa (tá boa, bem?) são um paraíso. Feitas com mel, guavira (fruta típica da região), limão ou canela ou um pouco disso misturado, realmente fazem a cabeça dos turistas. No último Gay Bonito que fui, em 2006, me deixei levar pelo sabor doce da bebida e acabei caindo de uma cadeira e torcendo o pé. Cuidado, a pinga sobe rápido e a vergonha desce mais rápido ainda. Quase rompi dois tendões do pé direito e fiquei de saci-pererê o resto do fim de semana. Nunca dance em cima de cadeiras de plástico, nunca. Em 2006, fui com um “singelo” grupo de 12 sapas e mais duas bichas. Garanto que foi fervido. A cidade fica toda cheia de bandeiras e as pessoas realmente não te olham torto, elas querem é saber quanto você vai gastar, queridjjjinha. A mentalidade deles é avançada quanto a isso. Gente do mundo todo passa por lá. E ainda tem lei anti-discriminação. A coisa pega fogo nas matas dos balneários e, mais de noite, as ruas quase desertas de uma cidade de 18 mil habitantes ficam beeem movimentadas. E todo mundo se encontra, mesmo que não se conheça. Como o clima é meio de carnaval (gay) fora de época, ninguém quer saber de fazer carão, até porque todo mundo já acorda na Taboa e o resto do dia a Deus pertence. Nada de roupas muito elaboradas, chinelo e sunga ou shorts e tudo está ótimo. Óculos escuros também, sempre, ainda mais perto da fronteira. Para quem vai, pode procurar o Ronald Rosa, principal organizador do evento. Um fofo, moreno, alto, bonito e sensual, além de muito inteligente e conhecedor de cada palmo de Bonito.
Escrito por Hélio Filho às 19h06
(3) Vários Comentários
Zelê!
24/11/2008
E até que um dia eu conheci a mítica Zona Leste de São Paulo, a Zelê. Na verdade, eu sempre gostei de me jogar em lugares onde nunca estive antes. É bom, tira você daquela visão viciada pelo cotidiano, sem contar a emoção de saber - ou não - se vai chegar ao lugar certo. E eu quase não cheguei. Por pouco não acho a Parada da Zona Leste. Desci no metrô Itaquera e segui a máxima de quem tem boca vai a Roma (e faz outras coisas também) e saí perguntando como se chegava até o centro de Itaquera. Desci ao terminal de ônibus e procurei um que passasse por lá.Achei, subi e percebi que a maioria das pessoas ficava me observando com certo ar de desconfiança, tipo um forasteiro mesmo. Da próxima vez, juro que vou com um óculos escuro menor e menos pintoso e sem mostrar minhas tatuagens, quem sabe não me entroso mais. Mas tudo bem, segui viagem em um daqueles micro-ônibus e andei mais um pouco, mais um pouco e mais um pouco e percebi que outros nomes de lugares começavam a aparecer, menos Itaquera. Gleba do Pêssego, Dom Bosco, Guaianazes e mais uns outros que eu não lembro agora. Tem até uma rua que chama Jacu.Estranhei a demora da menina que fazia as vezes de cobradora em me avisar quando chegasse onde pedi a ela. Ela cri cri cri (sinônimo de indiferença) para mim e meu ponto já havia passado há muitas ruas. Apelei para a simpatia que reina entre quem divide o mesmo banco em qualquer tipo de transporte público e perguntei para uma tiazinha do meu lado se já estávamos em Itaquera. Conferindo calmamente as ofertas em uma revista de cosméticos vendidos popularmente, ela me disse que nós já havíamos passado Itaquera e que Guaianazes era o próximo ponto. Agradeci, desci correndo do micro-ônibus e peguei outro de volta para o metrô.E não é que pouco tempo depois começo a ouvir aqueles tuts-tuts típico de um bom bate-cabelo? Quando olhei pela janela, estava simplesmente ao lado da Parada. Já vi Bill da Pizza com sua looooonga peruca morena em cima do palco fervendo. Tinha chegado. Fui comemorar com uma boa garrafa de água sem gás, até porque, era o fim de feriado prolongado e... enfim. Fui comprar a água e já comecei a perceber a diferença entre o centro e o bairro: o vendedor deixou o isopor dele com todas as bebidas para que eu cuidasse enquanto ele pegava a água em algum outro lugar – longe, porque ele demorou. Aí fiquei com aquela cara de Print Screen esperando ele voltar. A confiança dele, coisa de quem ainda acredita no ser humano, me deixou até meio passado. Aí que percebi que algumas coisas não podem ser medidas, como a crença de um indivíduo na honestidade de outro. Água na mão, me joguei no meio do público para assistir ao concurso Drag da Zona Leste. Não sei se foi psicológico, mas depois de ver tanta drag batendo o cabelo, mas batendo meeeesmo, muito, muito, acordei com torcicolo do lado esquerdo. Estou parecendo um robô, daqueles que não têm articulação e movem o corpo todo para virar o rosto.Foi legal conhecer a Zelê. Confesso que também achei divertido quase me perder. Só não gostei de ter que andar horrores para achar uma lata de lixo e jogar minha garrafa de água. Também não é legal o descaso com a praça onde realizaram o concurso. Olhando a Parada da Zona Leste não apenas para descrever, mas sim para refletir, fica nítida a importância dela, que pode não atrair milhões de reais em turismo, comércio e várias outras áreas, mas, pelo menos ontem, atraiu um povo animado que sofre preconceito por ser de lá, por ser gay e pelas duas coisas ao mesmo tempo. um momento para eles, deles, isso é bem legal e não se compra. Descobri que tem uma boate gay lá, quero conhecer! Juro que conto tudo, ou quase tudo.
Cala-te boca
19/11/2008
É um saco a enorme quantidade de e-mails que não servem para nada e que recebemos todo dia. Além de emagrecedores, alargadores de pênis e até prêmios milionários que você ganhou (vai nessa), tem também correntes religiosas, que minha mãe adora, acredita e manda uma por semana, e alguns bem infames. Aproveitando o clima de xoxo do Show do Gongo 2008, vou publicar um que recebi hoje. Leva na brincadeira, nada de ficar achando que isso incentiva isso ou aquilo, purfa!30 coisas que um bofe pelado não quer ouvir:1 - Eu já fumei cigarros mais grossos que isso2 - Ahhh, que meigo.3 - Nós poderíamos apenas ficar abraçados.4 - Você sabia que tem uma cirurgia para consertar isso?5 - Faça-o dançar.6 - Posso desenhar aquela carinha feliz nele?7 - Uau, e seu pé era tão grande.8 - Tudo bem, nós vamos trabalhar em cima disso.9 - Ele vai fazer algum som se eu apertá-lo?10 - Ai, de repente me deu uma dor de cabeça...11 - (ri e aponta)12 - Posso ser honesto com você?13 - Que lindo, você trouxe incenso.14 - Isso explica o seu carro. 15 - Talvez se a gente regar ele cresce.16 - Por que Deus está me punindo?17 - Pelo menos isso não vai demorar muito.18 - Eu nunca vi nada igual a isso antes.19 - Mas ele ainda funciona, né?20 - Ele está parecendo pouco usado.21 - Talvez ele tenha uma aparência melhor na luz natural.22 - Por que nós não pulamos direto pra parte do cigarro?23 - Você está com frio?24 - Se você me embebedar primeiro...25 - Isso é uma ilusão de ótica?26 - O que é isso???27 - Sorte sua que você tem muitos outros talentos.28 - Ele vem com um compressor de ar?29 - Isso está parecendo isca de peixe.30 - Então é por isso que você sempre julga as pessoas pela personalidade.
19/11/2008
É um saco a enorme quantidade de e-mails que não servem para nada e que recebemos todo dia. Além de emagrecedores, alargadores de pênis e até prêmios milionários que você ganhou (vai nessa), tem também correntes religiosas, que minha mãe adora, acredita e manda uma por semana, e alguns bem infames. Aproveitando o clima de xoxo do Show do Gongo 2008, vou publicar um que recebi hoje. Leva na brincadeira, nada de ficar achando que isso incentiva isso ou aquilo, purfa!30 coisas que um bofe pelado não quer ouvir:1 - Eu já fumei cigarros mais grossos que isso2 - Ahhh, que meigo.3 - Nós poderíamos apenas ficar abraçados.4 - Você sabia que tem uma cirurgia para consertar isso?5 - Faça-o dançar.6 - Posso desenhar aquela carinha feliz nele?7 - Uau, e seu pé era tão grande.8 - Tudo bem, nós vamos trabalhar em cima disso.9 - Ele vai fazer algum som se eu apertá-lo?10 - Ai, de repente me deu uma dor de cabeça...11 - (ri e aponta)12 - Posso ser honesto com você?13 - Que lindo, você trouxe incenso.14 - Isso explica o seu carro. 15 - Talvez se a gente regar ele cresce.16 - Por que Deus está me punindo?17 - Pelo menos isso não vai demorar muito.18 - Eu nunca vi nada igual a isso antes.19 - Mas ele ainda funciona, né?20 - Ele está parecendo pouco usado.21 - Talvez ele tenha uma aparência melhor na luz natural.22 - Por que nós não pulamos direto pra parte do cigarro?23 - Você está com frio?24 - Se você me embebedar primeiro...25 - Isso é uma ilusão de ótica?26 - O que é isso???27 - Sorte sua que você tem muitos outros talentos.28 - Ele vem com um compressor de ar?29 - Isso está parecendo isca de peixe.30 - Então é por isso que você sempre julga as pessoas pela personalidade.
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