sexta-feira, 1 de agosto de 2008

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

QUER?

Eu quero a paz. Quero paz. Sempre admirei a serenidade, mas estava sempre muito ocupado com idéias bobas para procurá-la e, o que é mais importante e essencial, cultivá-la. Cansei de lugares cheios, fumaça, filas, pseudos. Adoro dançar, sempre fui de me desfazer na pista, mas sei lá, descobri coisas melhores. Não estou falando só de festas, de noite, quero paz, repito.

Paz de espírito, acima de tudo. Não quero mais chorar, não quero mais climas ruins, mal-estar, costas viradas e mentes fervilhando de possibilidades. Quero ficar quieto no meu canto com meu amor e não fazer nada além de coisas ótimas a serem feitas a dois, só dois. Pode parecer caretice, mesmo com meu jeito um pouco adiantado, sou careta, sim, assumo. Gosto de coisas tradicionais e odeio pessoas que atentam contra a ordem e o sistema de normas estabelecidas.

Quero tranqüilidade, parcimônia, paciência, silêncio e toque. É tudo o que eu quero. Quero estar sempre em paz com minha consciência para poder dormir tranqüilo, como sempre fiz. Não sei, acho que isso não é pedir demais, é pedir o essencial. Não tenho desejos complexos, nunca fui muito ambicioso e não tenho vontade de ser rico e famoso. Quero ter dinheiro para viver bem e fazer coisas legais do lado do meu amor, sem exageros.

A simplicidade de pequenos gestos me encanta e me seduz fatalmente. Uma flor na bandeja de café da manhã, uma subida de escadas até a vizinha para buscar o óleo e fritar coxinhas, sanduíches furtados e o doce sabor de um beijo sincero. Não tenho grandes aspirações, nunca tive. Sempre me chamaram de filósofo, bobo, acomodado. Não concordo, sou apenas eu, essa constância e linearidade de sempre.

Depois que encontrei meu amor, essa vontade de sorver a vida como um favo de mel ficou ainda maior, mais latente. Só penso em abraços, beijos, amor, suor, brincadeiras bobas e em ouvir apelidos fofinhos, como Fofinho. Para mim, o mais importante na vida é ser feliz. Como? Com a consciência tranqüila, o coração leve (paradoxalmente preenchido) e a certeza de que durante a noite acordarei, acenderei meu cigarro e escutarei a respiração pesada do meu amor.

A vida é assim, pelo menos a minha, pra mim, na minha visão. Não quero deuses em minha cama, não quero fortunas em minhas contas e não me interessam as comidas que não têm o sabor de tempero de casa, de aconchego, de gostosura de criança ou cheirinho de cozinha da mamãe. Isso é bom, é disso que eu gosto, é por isso que sou feliz. E você, o que quer?

Hélio - Hélio |16:15 hs comentários[0].

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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

POESIA

Engraçado, nunca gostei de poesia, acho que li meio livro desse tipo durante minha vida toda. Mas às vezes me meto em umas de escrever esse gênero, não sei se fica bom, se fica ruim ou se apenas fica. Como é uma sequência de palavras de forte carga sentimental, acho que o meu momento atual influenciou. Aí está, mais uma, para minha chuleta inspiradora.

Ah, mar

Eu gosto do ritmo do mar, mas aqui não tem mar.

Tem chuva, pingos grossos e gelados.

Quando não tem chuva, a cidade fica cinza, cor de fumaça.

Quando não há fumaça, vejo as estrelas noturnas.

Aquelas do céu, não as de brilho falso aqui da Terra.

Eu continuo gostando do ritmo do mar, mas aqui não tem mar ainda.

Tem chuva, gente apressada e muitos carros.

Quando não tem carros, consigo passear ao lado do meu amor pela praça.

Se não tem praça, gostamos de andar devagar pelas ruas.

E continuamos caminhando com a certeza de quem erra.

Eu adoro o ritmo do mar, mas ele está longe.

Está distante desse ritmo de milhares de calçados.

Sapatos, botas, tênis ou qualquer outra coisa que no chão barulho faça.

Esse chão que sente a dor de sustentar tantas alegrias alheias.

Alegrias douradoras como a esperança da porta que nunca cerra.

O mar, o ritmo do mar, a distância do mar.

Ele está lá e nós aqui, felizes e sempre abraçados.

Juntos, colados e tranqüilos como o homem de bem que nunca caça.

Preserva, deixa viver, permite que o amor percorra o caminho de todas as vidas.

Amor, como ele é bom, satisfaz, embriaga e encerra.

Não desejo mais o mar, quero só o ritmo litorâneo do amado.

Hélio - Hélio |16:13 hs comentários[0].

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terça-feira, 13 de novembro de 2007

SIGNO

Antes de acreditar em horóscopo prefiro acreditar em pessoas. Não é possível que em um mundo com mais de 6 bilhões de habitantes existam apenas 12 tipos de personalidades. Não, não é bem assim. Reconheço que a astrologia é uma ciência antiga, séria como qualquer outra e livre de dúvidas. Séculos de estudo formataram um conjunto de definições usadas atualmente para colocar os seres humanos em baias comuns de acordo com seu mês de nascimento. Não concordo.

Sou de Capricórnio, ascendente em Aquário e lua em Peixes, um atrás do outro na seqüência do horóscopo. Às vezes fico bravo por achar que até isso na minha vida tinha que ser regrado, ordenado. O quê isso quer dizer? Nada frente à vontade individual de se viver uma vida melhor. Sim, o livre arbítrio, presente divino, nos deixa escolher qual é o melhor modo de se viver a vida.

Para mim, esse jeito magnífico de efetuar minhas ações diárias é moldado por experiências passadas, reflexões no presente e confiança no futuro. Sim, eu vivo minha vida como bem escolher. É inacreditável pautar seu cotidiano pelos traços comuns de seu signo, seguir seus passos diários sempre obedecendo e esperando as previsões do horóscopo diário. A nossa vida só pertence a nós mesmos, e não cabe a mais ninguém querer se livrar de aspectos negativos de seu signo em nome de uma vivência plena.

Um pisciano, por exemplo, não pode se dar o privilégio de chorar sempre que quiser só porque lágrimas são inerentes às características de seu signo. Existe uma realidade antes dessa atitude que deve ser levada em conta. Existem coisas palpáveis importantes que se antecedem a qualquer tipo de decisão tomada com base em previsões dos astros. O horóscopo é um conselho e os signos 12 linhas diferentes de personalidade. O que muita gente na entende é que essa dúzia de tipos de pessoas não se encerra apenas nesse número.

Os signos zodiacais são linhas gerais do temperamento de cada novo ser que vem habitar a Terra. Ele não deve ser o guia de viagem pela vida de pessoas desavisadas. Acredito em meu horóscopo, leio diariamente e levo a sério. Mas não fico na cadeira sentadinho quietinho esperando a proposta de emprego aparecer ou um ente querido entrar em contato, por exemplo. Não podemos esquecer que todo esse emaranhado de estudos dos astros é uma crença, e como tal faz parte da realidade apenas parcialmente, ela na é a realidade encerrada em si.

O mundo oferece vários adendos ideológicos pelos quais seguir, nada melhor do que saber tirar proveito de cada um deles, unindo o que há de mais interessante e sábio em cada um. Identifique-se com seu signo, sim, será proveitoso, mas use isso a seu favor. Reconheça os pontos negativos dele e tente progredir espiritualmente, não se apegue apenas a meras cinco linhas escritas em um quadrado na folha do jornal de todos os dias.

Como já disse, os signos são linhas gerais, não podemos esquecer que cada pessoa é diferente, por isso é chamado de indivíduo, individual, indivisível. Entendeu? Não tiro o crédito dos aspectos apontados pela astrologia, mas não posso aceitar que se esqueça da força moldadora que o mundo tem, que a maturidade traz e que a velhice coroa. Viver é um eterno transformar-se, encaixar-se no lugar onde você se sinta mais feliz. Faça isso, mesmo que seu horóscopo diga o contrário ou que seu signo tenha como característica a aversão a mudanças.

Hélio - Hélio |14:48 hs comentários[0].

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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

NATAL!!!

Eis que chega o fim do ano. Luzes natalinas, canções e ícones da data invadem as ruas, enchem nossos olhos, ouvidos e fazem o bolso coçar por uma árvore nova, presentes para a família, jingle bells e tudo mais. Sem contar na necessária preparação psicológica para a ceia. Sim, quem tem uma família como a minha precisa disso. Imagine uma avó, uma mãe, uma tia, três irmãs, duas sobrinhas, duas primas de primeiro grau, duas de segundo, três cunhados, dois maridos de primas (chamados carinhosamente de primos) e mais convidados animados que encontram no seio dessa família alegria e carinho na data.

Coloque nesse caldeirão o fato dessas pessoas serem descendentes de libaneses e italianos e terá uma mistura explosiva. Muitas mãos gesticulando, muita gente falando alto e afoitamente (ao mesmo tempo!), frases incisivas, brigas por causa da calda do pudim e crianças correndo de um lado para o outro gritando seu nome e pedindo para você as balançar pelo braço a noite toda. Amo muito tudo isso.

Família a gente não escolhe, mas se fosse me dado esse privilégio, escolheria a minha, com certeza. Adoro o jeito efusivo da minha mãe falando sempre alto, rindo mais alto ainda, falando ?ah, vá se catar? em tom de brincadeira toda vez que alguém a censura por causa de seu bom e velho Hilton longo. Isso sem falar no pique para dançar que algumas caipiroscas imprimem a essa senhora.

Natal sem as receitas deliciosamente incríveis da minha prima Fernanda, a baixosa, é impensável. É ímpar vê-la super empolgada agitando as mãos com o novo modo de fazer um bolo de chocolate com trezentas camadas e cinco mil tipos de recheios diferentes. Sempre inventando algo novo, sempre neurótica se alguém tenta ajudar ou coloca a mão na receita. Baixinho é fogo!

É claro que também não pode faltar minha irmã Lela, vegetariana, condenando os bárbaros (no caso, a família dela), por devorarem mais de três tipos diferentes de animais assados, fritos, cozidos. Os sustos com a quantidade de calorias que cada prato pode vir a ter também são um show à parte. É hilário vê-la com sua pequena porção de salada no prato se deliciando em ritmo natalino.

Sempre enchendo o saco dela, minha irmã Veridiana com certeza estará tirando sarro de todo mundo, contando histórias íntimas de todos para todos,e deixando esses mesmos todos sem graça, mas sorrindo, sempre. Ela vai falar mal de todos, colocar defeito na vida deles, mas sempre vai encerrar a crítica com um ?ui? debochado, engraçado e dissipador de maus comentários acerca de sua ação.

Na mesma onda, minha prima Silvia e seu marido estarão sempre prontos para colocar uma boa música sertaneja no som (não vou discutir gostos musicais, é Natal, caridade é o mínimo), bebendo um gelado chopp e deixando todo mundo sem graça com as piadas impróprias, os gritos de ?irrú!? e os rompantes festivos com direito a fogos, mais gritos e muito bom humor. Casal 20.

Lembra da baixinha? O marido dela ficará sentado em uma cadeira a noite toda bebendo, bebendo e... bebendo. Quando ele ficar um pouco bêbado vai começar a querer recuperar o tempo perdido e puxar papo, lá pelas altas horas da noite, com todo mundo, dando suas opiniões não muito bem fundamentadas com seu jeito único de ser.

É claro que as duas filhas dele, minhas primas, estarão querendo sentar no colo dele, sair, sentar de novo, correr em volta, gritar (muito!) e rir. Duas coisas fofas loirinhas e cheias (muito!) de energia. Elas vão agitar (muito!) em qualquer lugar onde estejam. A mais velha, aficionada pela Barbie, estará ansiosa esperando mais um presente - da Barbie, for sure!

Meio desordenada monitoramente, minha irmã Viviane sempre quer ajudar a cozinhar (é claro que ninguém deixa, são loucos, mas nem tanto). Tolhida, se julga feliz levando os pratos e guardanapos à mesa. Sempre dá certo no final. Ela é casada, mas isso não rende texto, next! É ela quem sempre ?tenta? tirar as fotos da família, um pouco sem técnica devido ao avançado nível alcoólico da fotógrafa. Mas ela estará sempre animada para dançar, ouvir as piadas infames, brincar com as crianças puxando pelo braço e exercer sua profissão de farmacêutica regulando os remédios da família.

Inclusive as caixas, caixas, caixas, caixas, tonéis, caminhões, galpões e contêineres de comprimidos, pomadas e soluções da minha avó. Sempre com seu lencinho enfiado no sutiã, lugar onde também costuma guardar dinheiro, ela fica a ceia toda beliscando aqui, ali, acolá, e no fim da noite diz plácida: ?Comi só uma lasquinha dessa ceia, estou de regime!?. Todo ano rola quibe (cru, assado) na ceia feito por ela (comj os netos metendo a mão na bacia pra experimentar toda hora). Casa de libanês, tem que ter.

Tem que ter também minha tia Ângela tirando sarro de todo mundo e brava quando o assunto da roda divertida é ela. Sempre questionando cada pequeno (ínfimo, mínimo) aspecto da vida de todos os presentes, seus relatórios finais da noite sobre as vidas de seus entrevistados são tão detalhados que assustam. Mas seus bombons para a ceia e as canjicas que fazia para mim na infância perdoam qualquer deslize.

Esqueci de alguém? Eu! Verdade. Eu estarei comendo muito queijo que sempre tem à mesa, bebendo vinho (branco para não ter azia), rindo de cada uma dessas maravilhosas pequenas diferenças entre os integrantes da minha família e respondendo às perguntas da minha tia, balançando minhas primas pelo braço, ouvindo gritos porque comi antes da hora, saindo de perto de todo mundo para fumar sem ser recriminado (resquícios de uma mãe que fuma muito e traumatizou a família, hahahaha) e esperar o almoço de Natal.

Adoro esse almoço: os restos da ceia requentados (os mesmos restos que permanecerão na geladeira por dias, semanas...), todo mundo de ressaca, alguns com a roupa nova que ganharam e todos, todos muito felizes por terem a família que têm. Eu amo minha família, cada pequena diferença das pessoas que a compõem. Eles me ensinam, me colocam limites necessários e sempre me apóiam nas coisas que me farão feliz. Bom Natal, desde agora!

Hélio - Hélio |16:44 hs comentários[1].

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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

FASES

Seres humanos são realmente engraçados. Temos fases, às vezes umas completamente diferentes das outras. Não que essa mutação seja ruim, pelo contrário, renova, recicla e ensina. Não estou falando de sentimentos, opiniões, a essência do sujeito como tal. Quero falar sobre atitudes que essas fases nos impelem tomar.

Voltei a ler diariamente, sinto agora que me faltava apenas uma pequena coisa: descobrir que ler dentro do ônibus e nos apertados minutos da hora do almoço é muito melhor do que atarracar um mp3 player no ouvido e não escutar o canto dos pássaros de Higienópolis ou a corrida desenfreada dos carros paulistanos (tudo bem que essa última parte não é tão poética como a primeira, mas faz parte de um viver completo).

A retomada se deu com Esboço para uma teoria das emoções, do Sartre. Filosofia pura, agradeço agora a mim mesmo por ter comprado, nos meus primeiros dias na paulicéia, uma edição pocket. Ufa! Não que eu não goste de livros grandes, grossos, pesados, com capa dura e direito a epílogo, notas do autor, introdução e muitas notas de rodapé. Adoro-os! Confesso, amo o cheiro, o peso, a estética toda envolvida nesse processo físico e subjetivo ao mesmo tempo que é o ler e transcender.

Sim, porque ler por ler não é uma leitura, é um cumprir de tarefas. Mas, voltando a Sartre, sua leitura foi seguida por Helena, do velho e bom Machado, e agora estou prestes a terminar Eurico, o presbítero, de Herculano. Não sei se por incentivo dessas boas linhas já perpassadas, ou se por um vento inspirador, percebi hoje que voltei a escrever diariamente por aqui, mesmo não contando com o assíduo público dantes.

Pelo terceiro dia consecutivo, me disponho a surrar as alvas teclas e oferecer mais algumas frases a esse sítio eletrônico. Sítio eletrônico foi boa, risos, ótima! Nos fins de semana me recuso terminantemente a acessar a internet ou me colocar frente a um computador, meus tendões já me incomodam e resguardá-los se torna, neste momento, quase que vital. Por isso, me lanço a dúvida se escreverei na segunda-feira. Acho que sim, provavelmente sim. Tudo vai depender das fases das quais comecei o texto falando (e acabei quase me perdendo em seu decorrer).

Estou gostando de voltar a escrever todos os dias textos extra trabalho. Quem sabe não termino o romance que comecei no início do ano enquanto reunia corpo e mente para andar de muletas. Será que ainda estou na mesma fase? Certamente não, mas a vontade persiste, isso é determinante.

Hélio - Hélio |14:44 hs comentários[0].

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

*CHUVA*

Chove em São Paulo, há dias. Hoje relâmpagos cruzaram o céu e trovões deram o ar de sua graça com seus sonoros estalares. Sempre adorei chuva, tempo nublado, vento, frio. É claro que não gosto muito dessas precipitações quando, por exemplo, estou no meio da Consolação esperando o ônibus. Às vezes venta e o ponto não serve tanto assim como abrigo seguro.

Mas enfim, que venha a chuva e que essa água celeste lave as almas, corpos e coisas dessa tão desorganizada terra. Há uns três anos escrevi aqui um texto sobre a chuva, falava da dificuldade de andar com guarda-chuvas se cruzando pelas apertadas calçadas e incomodando os nem tão relaxados sustentadores dessas peças. Que seja.

Pluvialidades (neologismo puro) à parte, adoro olhar através da janela e ver aquela paisagem sumindo por entre grossos pingos de água, que eram vapor, que eram água, que eram vapor, que eram nuvens no céu servindo para alguém as mirar e descobrir desenhos absurdos, sentindo nisso o doce sabor da infância.

Banho de chuva então, hum. Coisa maravilhosa, limpeza total. Não sou umbandista, mas acredito em banho de descarrego. E nada como uma chuva bem forte e douradora para cair sobre a pele e arrastar em seu caminho rumo ao solo todas as impurezas que carregamos em nosso corpo. A alma parece se portar também de mesmo modo, sendo totalmente libertada de restos de medos e tristezas.

Queria que chovesse muito em uma hora que eu pudesse tomar banho de chuva tranqüilamente. Mas tem que ser uma chuva boa, sem raios (minha mãe sempre dizia para não sair se estivesse trovejando). Vou pedir a São Pedro um agendamento pluvial, será que consigo?

Hélio - Hélio |15:46 hs comentários[2].

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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

PERCORRENDO

É engraçado voltar a escrever especificamente para meu blog. Há muito tempo, tudo o quê publico aqui são matérias feitas em jornal ou algum outro texto que fiz para outro fim. Hoje decidi parar um pouco e escrever especialmente para meu querido blog, cúmplice há quatro anos.

Estava me lembrando esses dias que quando abri esse blog ainda estava servindo o Exército Brasileiro, braço forte, mão amiga, como já diz o próprio slogan. O braço foi forte e por isso a mão se tornou amiga. Lá aprendi a ser homem de verdade, honesto, honrado, reto, digno de confiança. Aprendi que nada mais na vida vale do que a sua própria consciência, o encostar-se ao travesseiro de noite e dormir tranqüilamente. Paute suas ações pelo bom senso e todo o resto lhe será concedido.

No ano seguinte fui trabalhar na escola onde me formei, ao mesmo tempo em que dividia meus dias, integralmente, com as quase 12 horas de trabalho em meu primeiro emprego na área de Jornalismo. Muito trabalho, pouco dinheiro, muito cansaço, boas risadas. Valeu a pena.

Passados onze meses, lá vou eu enfrentar uma redação de verdade, e que redação. Pelo menos nove horas de ralação por dia, muito estresse, correria, tensão. Tira foto, entrevista, corre, pula muro, cerca político e entra até dentro de presídio de segurança máxima no auge de uma rebelião. Às vezes paro e começo a refletir que cada lugar desses que já estive me ensinou alguma coisa de valioso. Por essas andanças diárias e quase intermináveis encontrei gente simples e acolhedora, sempre pronta para servir um café ou um gelado copo com água. Lidei com bandidos, sempre negando seu crime, e policiais, sempre respeitando o trabalho da imprensa, mesmo que às vezes vagarosamente demais.

Um ano e meio depois e lá vou eu assumir a editoria de Cultura de um jornal impresso, isso não sem antes passar pelas outras editorias como teste. Muito trabalho, delicioso, diga-se de passagem, muita criatividade e os obstáculos de sempre a serem vencidos: preguiça dos outros e falta de visão dos mesmos.

Eis que um dia um clarão de amor passou pela minha frente e me fez deixar tudo para morar em São Paulo, a Terra da Garoa. Muita gente, muito trânsito, emprego novo, amigos novos, alguns antigos, ruas novas, sentimentos novos, vida nova. Agora não é mais apenas eu, somos nós. Divido minha vida, meu tempo, minhas idéias e meu amor. Tento a cada dia conquistar mais e mais a pessoa a meu lado, fazendo de tudo para ser feliz e promover a felicidade.

Engraçado como tem hora que bate uma vontade de repassar tudo na cabeça e ver cada pequeno detalhe da nossa vida. Fiz isso agora, me vi casado, feliz, mais maduro e menos duro, austero. Provavelmente ninguém lerá esse texto, visto que a atualização deste blog é uma lenda, sempre emperrada nas malhas do trabalho e engendrada nas teias da preguiça. Enfim. Estava com vontade de escrever, mas não escrever apenas, escrever sobre mim, como fazia diariamente antes de entrar nessa guerra diária da vida efetivamente adulta.

Aos que me lêem, um grande abraço e boa sorte sempre na vida. Aos que já abandonaram o barco cansados de buscar novidades neste espaço, meu entendimento, minha compreensão. Afinal, é preciso colocar diariamente um pouco de água dentro do vaso da flor, mesmo em dias nos quais a chuva quase a alaga por completo. Acho que é isso. Tchau.

Hélio - Hélio |14:35 hs comentários[4].

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Tudo novo por aqui. Até minha senha mudou. Eu mudei. Meu emprego mudou. Bom, depois explico tudo, nem sei se alguém ainda acessa isso aqui. Mas enfim, um texto novo.

Por que escolhi me especializar em Jornalismo Literário

Sempre me interessou muito as maravilhosas histórias contadas por mestres da escrita. Desde a forma física de um livro ? com sua capa, folhas, cheiro e a sensação do toque ? até as conclusões mais subjetivas tiradas das várias linhas impressas, tudo me encanta e faz querer a cada dia mais me dedicar à arte de costurar as palavras. É uma oportunidade para se criar outro mundo, outras emoções, colocar no papel todos os desejos não-correspondidos e todas as angústias não-resolvidas. Escrever pode ser uma terapia, uma fuga, uma válvula de escape para emoções que nem sempre podem ou conseguem ser expressas no mundo real.

Para mim, uma pós-graduação em Jornalismo Literário significa aprender a como construir essas histórias de uma forma organizada e inteligível, atingindo meu objetivo de fazer com que o leitor consiga ser completamente envolvido pela narrativa que lê, sentindo prazer em virar cada página, querendo sempre ler mais e mais até o fim do livro. Sabendo como organizar essas idéias de uma forma esteticamente aceitável, pretendo guiar os olhos curiosos desse leitor por um labirinto de acontecimentos capazes de o tirar da realidade e conquistar de vez seu tempo livre para a leitura.

É muito importante nos dias de hoje a presença de agentes capazes de realizar essa ponte entre o leitor desinteressado e os livros na estante da biblioteca. Com a crescente modernização do mundo, cada dia mais atribulado e confuso em suas diretrizes, é preciso que haja cada dia mais uma força contrária à depreciação da escrita bem elaborada. Fazer uma especialização em Jornalismo Literário significa para mim iniciar a busca por um conhecimento necessário para fazer com que contos, crônicas e romances voltem a fazer parte do cotidiano e dos pensamentos das pessoas. É preciso termos sempre pessoas preocupadas em manter a tradição de uma literatura bem escrita e cuidadosamente construída, sem ferir os padrões de linguagem.

Com a força da internet, acompanhada de sua linguagem abreviada e totalmente própria ? ou imprópria -, torna-se uma questão de necessidade formarmos profissionais capazes de conquistar principalmente os jovens para o campo da leitura. É notório que uma nação bem esclarecida se desenvolve melhor, e esse esclarecimento passa pela leitura, pela ampliação de pensamento que ela proporciona.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

MAIS CAPÍTULOS!<

MAIS CAPÍTULOS!

Publico hoje o segundo e o terceiro capítulo da obra, hehehehe. Espero que esteja bom.

II

Ao entardecer do quarto dia passado desde a partida do barão, madame Lúcia, que sempre recusou o título de Baronesa de Sálano, sentia-se agora menos ainda merecedora da posição que gozava junto ao sobrenome do marido. Perdida em seus pensamentos vagava por toda a casa a se perguntar como haveria de provar sua inocência ao marido. Ao percorrer com os trêmulos dedos as fotografias em cima do pesado balcão de madeira do Cabo, sua alma de mulher vivida se encheu de esperanças. Sentiu pela primeira vez naqueles longos e penosos dias que teria uma oportunidade de conseguir seu anelo. Necessitava de ajuda para colocar em prática as idéias que fervilhavam em sua mente. Correu delicadamente pelo corredor e alcançou a cozinha.

- Bartira! Onde estás maldita aia? Venha, preciso que me faça um favor. Ande, largue logo essas malditas panelas e venha ouvir o que deve ser feito. Ande! - ordenava sofregamente Lúcia. Perturbada pelo desespero da patroa, a gorda serviçal de cara roliça e bochechas vermelhas correu a acudir o pedido. Bartira, - continuou a madame em tom mais contido - preciso que vá agora mesmo à casa da senhora Gandier e lhe entregue em mãos um bilhete que escreverei. Cuide para que o marido dela não te veja, talvez à uma hora dessas ele já a tenha proibido de ter comigo.

Com os olhos resplandecendo alegria, a madame tomou sua aia pela mão e entrou no escritório do barão. O percorrer da suave cauda de seu vestido de seda sobre o tapete produzia em suas lembranças um calor que reavivava o belo momento do primeiro beijo do casal Montesort. Há trinta anos atrás, aos dezoito anos, ela entrava no mesmo cômodo daquela casa para se declarar a seu amado. Trazia no rosto a juventude cândida e virginal das mulheres enamoradas. Desde que vira o jovem Henrique, nunca mais seu coração pôde bater da mesma maneira. Sentiu logo à primeira vista durante aquele desfile da Primavera, que o forte e belo cavalheiro de curtos cabelos loiros e olhos delicadamente graves à sua frente era o seu grande amor.

Lúcia olhava agora para sua riquíssima aliança e sentia que seu amor dedicado a Henrique era ainda mais forte do que outrora. Ao sentar-se em frente à mesa do barão, pôde avistar a porta por outro ângulo e relembrou de como foi docemente recebida pelo amado quando decidiu, após um mês de incessantes delírios e noites em claro a chorar, ir até aquela casa e declarar seus sentimentos àquele a quem eles pertenciam. Ela nunca pôde esquecer a ternura daquele jovem dizendo que ele também se enamorara dela logo que a viu por entre os outros cavalheiros. Com sua mão firmemente sobre a dele, os dois entraram naquele escritório. Lúcia vestia um longo vestido azul de seda com estampas conforme faziam as modistas da época, o tecido provocava um ruído notado com cara de estranheza pelo cavalheiro. Envergonhada, a jovem rosou as delicadas bochechas com vergonha e abaixou a cabeça.

- Você traz a mim com seu delicado vestido o som das boas chuvas do outono. - brincou Henrique ao levantar gentilmente o rosto da amada para fitá-la nos olhos. Segurando-a levemente em seus braços, ele ali selou o amor que sentia por ela através de um terno beijo.

III

Despertada por Bartira de seu devaneio, madame logo pegou a pena e se pôs a escrever à senhora Gandier:

"Estimada Andrea,

Peço-lhe em primeiro lugar que não me julgues por possíveis comentários a meu respeito. Garanto-lhe que sempre honrei com minha tarefa sagrada de esposa, sem nunca me desviar dos caminhos da honestidade. Necessito urgentemente de sua ajuda para comprovar isso a todos aqueles que exatamente agora jogam minha honra aos porcos. Sei de sua sabedoria e nela confio para que você creia somente naquilo que é verdadeiro.

Lúcia Montesort."

Dobrou a folha após a tinta estar seca e colocou-a em um envelope fechando-o com a marca do barão sobre a cera vermelha. - Bartira. - chamou docemente a senhora - Em tuas mãos entrego agora o meu destino. É necessário que este envelope chegue até as mãos de Andrea. Vá, depressa.

Enquanto Lúcia conservou-se imóvel no escritório a pensar em todos os detalhes de seu plano, a criada rapidamente deixou a casa com o bilhete e foi andando a passos largos por entre as ruas. Atravessou o Parque Velho e alcançou a ponte sobre o rio Antin. Cansada pela caminhada sentida nas costas de mais de sessenta anos, a criada encostou-se pesadamente no pára-peito da ponte para retomar seu fôlego que as ruas lhe haviam sugado. Tentava entender a razão da exaltação dos ânimos de sua patroa. Não sabia ainda o verdadeiro motivo da viagem de seu patrão.

- Essa gente rica tem cada mania. Imagina se um envelope tem espaço para abrigar um destino. - refletiu ironicamente Bartira, continuando seu caminho. Após mais vinte minutos de caminhada, a aia chegou até a casa dos Gandier e foi recepcionada por um taciturno mordomo que a anunciou à dona da mansão.

Das límpidas escadas de mármore desceu uma elegante senhora no auge de seus quarenta anos. Não fosse pelo já sabido através de sua patroa, a criada poderia jurar que à sua frente estava uma das três filhas do casal. Por sobre os delicados ombros vestidos com o mais elogiável tafetá, deslizavam brilhantes ondas de fios de cabelos negros. Alguns outros poucos poderiam ser contemplados presos ao alto da alva nuca por um pente de marfim cravejado de brilhantes. A jóia era adornada por flores desenhadas com rubis e esmeraldas que brilhavam com as luzes do dia. Com um rosto angelical enfeitado por lábios cuidadosamente desenhados e sobrancelhas irretocáveis, a senhora Gandier fitou Bartira e pediu para que ela a acompanhasse até a sala de jogos.

Andrea sentou-se em uma negra poltrona e fez sinal para que a aia dissesse o que madame Lúcia pedira. Ainda com a respiração pesada, a criada tirou do bolso do velho casaco de lã o envelope e o entregou à senhora explicando o pedido que fora feito. Ao abrir o envelope e ler o conteúdo do bilhete, um aspecto de temor tomou conta da face de Andrea. - Vou responder agora mesmo, aguarde. - pediu educadamente enquanto procurava a pena e o papel. Sentou-se rapidamente em frente a um tabuleiro de xadrez e iniciou:

"Querida Lúcia,

Não sei porque te amedrontas sobre comentários com respeito a ti, não soube de nada que pudesse lhe ferir a honra. Vejo que me pedes para ir ter contigo, irei amanhã, logo após a hora nona. Mantenha-se calma e que Deus te ilumine,

Andrea Gandier."

Fechando um envelope com o bilhete dentro, a senhora o entregou à aia. Bartira decidiu então deixar a vergonha de lado e pediu à mulher que lhe pagasse uma condução de volta para casa. A criada alegou frio intenso, cansaço demasiado e uma chatíssima velhice em nome do favor. Rindo-se, Andrea consentiu e pediu para que seu criado arranjasse o preço com o carro da praça. Após muitos agradecimentos, a gorda senhora partiu de volta para a casa dos Montesort.

Hélio - Hélio |16:09 hs comentários[2].

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sábado, 6 de janeiro de 2007

NOVO DE NOVO

NOVO DE NOVO

Adoroooo, muita coisa, mas muita coisa mesmo aconteceu desde o último post, não vou contar agora, fica pra depois. Esquece o diário de bordo, aproveitei o tempo de molho em casa para voltar a escrever. Tá aí o primeiro capítulo. Beijos e ótimo 2007!!!!!:-D

Lágrima de Lúcia

I

Refletida na lágrima que caía do olho esquerdo levemente pela alva face, recentemente ruborizada pela vergonha, a luz do sol parecia como que uma jóia a adornar aquele belo rosto. Os raios refletidos perfuravam incessantemente as fendas da delicada seda branca do chapéu acima daqueles olhos banhados. Madame Lúcia sentia agora em sua reputação o mais duro golpe que uma nobre dama poderia sofrer. Podia imaginar-se sendo vituperada e escarnecida por onde passasse em toda aquela região do rio Antin. Tinha a sensação de que seus vinte oito anos de vida dedicados ao marido se esvaeceram em um simples segundo de descontrole de sua tão virtuosa razão.

- Matrona! Quanta vergonha trouxestes ao meu nome. À morte! - desabafava ao arrumar suas malas o marido na tentativa de sarar o orgulho ferido. Seus grossos lábios rosados tremiam de fúria, enquanto seu pensamento percorria a cena de um beijo que o envergonharia para sempre. O mundo da cólera é limitado e sempre nega qualquer argumento que a ele se deseje contrapor, pois a mente em estado de ira projeta apenas uma imagem parcial dos momentos.

Prostrada em seu elegante sofá madrepérola de sua sala de música, Lúcia passeava seus longos e finos dedos brancos pelos sedosos cabelos ruivos. Colocava na ponta de cada um dos dedos tanta força que parecia querer conter seu penoso pranto com isso. Seu frágil corpo começou a tremer assim que ela pôde ouvir os passos do marido a descer as escadas. Cada degrau percorrido pelas pesadas pernas do barão Montesort durava verdadeiro infinito de tempo para a esposa.

- Os passos cessaram, o que significa que o senhor meu marido pode me fitar agora de onde está. Não o submeterei ao sacrifício de ver meu rosto novamente, mas não posso deixar de lhe dizer que sua decisão está errada e baseada em motivos que não são condizentes com a verdade. Nunca eu poderia lhe causar dano moral algum, já que prometi diante de Deus que seria sua companheira e serva. Pude ver há pouco em seus olhos a cegueira que a fúria faz nascer nos homens de bem e entendo que não queira dar atenção agora às minha explicações. - dizia com voz fraca e chorosa.

Após longo suspiro em tom de desprezo, o barão ordenou a um seu criado que levasse suas malas até a estação e as colocasse no trem das nove horas. Olhou mais uma vez ao seu redor e foi tomado por uma melancolia tão profunda quanto dolorosa. Depositara naquele lar todos os frutos que havia colhido nos seus cinqüenta e nove anos de vida.

- Preciso ir ter com um meu primo em Santa Helena, devo demorar-me não mais do que duas semanas. A partir deste momento, mulher, concedo-lhe esse tempo de morada nesta casa que sujastes. Quando voltar, quero que nem o seu perfume possa ser sentido nesta vizinhança. Para mim, a senhora e meu irmão morreram hoje ao entregar-se aos prazeres de seus desejos. Montesort fechou os botões de seu negro paletó de linho e se pôs a caminho da rua. Estava quase partindo com o coche quando foi acudido a tempo por um seu criado que notou que o patrão esquecera o chapéu. - Obrigado meu bom Carlos, salvou minha cabeça desse maldoso frio. Quando não se possui muito cabelo à disposição, são necessárias medidas extraordinárias. Agora vá, volte para casa e cuide para que sua mulher não seja contaminada pela falta de vergonha da minha. - ordenou em tom amistoso.

Hélio - Hélio |15:40 hs comentários[3].

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terça-feira, 24 de outubro de 2006

*MESES, ESSES ME

*MESES, ESSES MESES*

Milagrosamente escrevendo, ai ai. Tempo tem sido uma jóia em minha vida ultimamente, mas vai passar, tem que. Tem gente que diz até que o dia, de não sei quando pra cá, tem só 16 horas mas ninguém percebeu. Eu percebi, o meu parece ter 2. Mas este não é o assunto do dia. Como prometi, segue o diário de bordo da minha visita a Brasília.

Estar em Brasília é visitar o Brasil inteiro sem sair da superquadra (sim, porque as quadras não têm um tamanho muito comum). Tem goiano, índio do Amapá, cearense, gaúcho, baiano... É a síntese do País: um monte de gente diferente se dando bem (ou nem tanto), conversando, festejando e, é claro, trabalhando, mesmo que se diga o contrário sobre os funcionários brasilienses.

Todo fumante que se preza chega de viagem azul de vontade de fumar, então, lá fui eu acender meu mero cigarrinho tão logo desembarquei. Não entendia porque todos me olhavam com ares recriminadores, censurosos. Mais um instante e me lembrei porque Brasília não é tão legal assim: lei antitabagista. É proibido fumar no aeroporto, shopping, universidade, bares e boates. Sim, bares e boates. É claro que das outras vezes que fui cometi a mesma gafe, até em lugares nada propícios (tem lugar propício pra gafe? Afe!).

Sobre isso, só uma coisa: péssimo. Nós, simples fumantes (de cigarros lícitos) somos obrigados a nos espremer em "fumódromos" nada elegantes e muito pouco ventilados (quando deveria ser o contrário, não?). Quando em lugares abertos como o aeroporto, lá vem a lei e estipula uma distância "saudável" para a fabricação de fumaça. Uma lei moderna, aceita e aplicada, mas odiada por nós, adoradores da nicotina.

Depois de um papo com a família, nada melhor do que fazer contato e cair na alma noturna candanga. Destino: Café Savana (ou vice-versa, odeio lugares que te deixam em dúvida quanto ao nome, não deveria ser o contrário, de novo?). Para quem já imaginou um lindo safári, cheio de animais selvagens, ou pelo menos aquela bregérrima estampa de tigre nas paredes, errou, e feio. Viva a globalização: Savana agora tem ares de café francês, senti até a umidade do rio Sena, nada que lembre os reis de ébano ou seus guerreiros de lança e escudo à mão. Lugar legal, gente legal, mas tudo acaba, e dessa vez, bem! Adoro!

Muita chuva na capital federal, ainda bem, nenhum tempo seco daqueles de trincar o nariz da gente. Almoço, passeio, compras, investimentos no futuro e casa. Contato feito novamente, hora de rua. Nada como um estratégico ponto de ônibus com cobertura no teto e dos lados, ahahaha, pega uma vibe e atravessa a rua. Voltinhas, conversas, mais voltinhas. Casa de novo, banho e mais contatos. Noite de sexta-feira de viagem em casa? No no no bambino (olha a indireta). Lá fui eu, após meia hora pensando onde pegar a vibe, segui para o meu bom e velho ponto de ônibus (já virou meu a uma altura dessa).

Serviço encerrado, hora de beber uma cerveja (pode chamar de pobre, de butequeiro, de brega, mas eu adoro cerveja) e chamar um suuuuper táxi com 30% de desconto (3321-3030, olha a publicidade!) e me jogar na buaty. A chuva continuava, mas nada que um bom capote e a vontade de dançar não resolvessem. Uma hora depois, sem exageros, o táxi que eu chamei conseguiu encontrar o endereço onde eu estava. Ah, uma dica: SQWS não é o mesmo de CQWS, CLWS, sei lá mais que sigla. Uma confusão e você se vê abandonado.

Continua...

"Não é chic falar alto ou sem parar, a não ser que você seja um palestrante." - Glória Kalil em Chic[érrimo].

Hélio - Hélio |21:51 hs comentários[2].

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domingo, 23 de julho de 2006

UÔRQUI

UÔRQUI

Opinião como método de formação

Uma das características, discutíveis, do jornalismo é a imparcialidade. Um texto opinativo é logo classificado como Artigo ou Editorial. Acredita-se piamente que é possível elaborar mensagens jornalísticas isentas, chamadas "informativas". Puro engano. Ao escrever um texto, o jornalista seleciona os fatos pela sua importância, escolhe as palavras de modo a dar uma coesão maior à narrativa. Isso é imparcial?

Difícil. Desde a elaboração da pauta, o repórter já carrega dentro de si o ângulo pelo qual o assunto será tratado, através de quais fontes ele confirmará as informações. Isso é uma seleção, uma escolha que é influenciada pela opinião do jornalista. Humanos, eles são passíveis de erros, possuem preconceitos (mesmo que neguem ou que a faculdade abomine), têm um ponto de vista particular definido.

Na redação do texto, o repórter pode escolher entre termos como "considerou" e "cutucou". Cabe a ele dar a direção pela qual o leitor deve seguir os fatos, além da seleção destes, o que pode derrubar de vez o sonho da imparcialidade. Como escreve Adelmo Genro Filho1, "os fatos, por si mesmos, não encerram um significado objetivo totalmente independente do sujeito que os percebe e elabora como mensagem codificada, ou completamente desligado das concepções e ideologias sobre a totalidade histórica".

A questão não deve girar em torno da dúvida entre opinar ou não. Um jornalista não é um simples porta-voz das fontes e seus fatos, ele é agente de transformação social, faz girar uma engrenagem chamada Sociedade. O problema está em como opinar, como usar a opinião a favor da matéria, dos leitores, principais interessados.

Uma sociedade alienada como a brasileira precisa de ajuda para interpretar os acontecimentos. Não somos educados corretamente, não aprendemos a despertar o senso crítico necessário. O jornalista faz a ponte entre o fato e a massa, os leitores. Para uma mensagem ser entendida é preciso que ela seja clara, que chegue de forma simples e possa ser recebida pelo maior número de pessoas. Adelmo2 exemplifica bem esse caso: "atribuir a um fracasso econômico ou político o caráter de uma vitória - na medida em que as derrotas 'sempre nos ensinam algo' -, é uma evidente manipulação que despreza não só o bom senso como as evidências objetivas de fato."

Enquanto não houver investimentos em uma educação crítica, cidadã e incluída na realidade mundial, os jornalistas devem sim expressar suas opiniões. Não estou falando de casos extremos, delicados, que devem continuar a ocupar os artigos. Me refiro à interpretação (que não existe sem opinião) dos acontecimentos, aos desdobramentos dele e efeitos para a sociedade. Quando o Brasil possuir uma sociedade esclarecida, munida de argumentos sólidos e consciente de seus direitos e deveres, aí sim será possível e oportuno travar uma batalha pela imparcialidade.

O Jornalismo de Tribuna, assim denominado por Cremilda Medina3, segue a tradição européia, caracterizado-s pela opinião. Teve seu desaparecimento decretado pela influência norte-americana do pós-2ª Grande Guerra. Justamente em um momento de desequilíbrio total, a opinião, que poderia nortear as pessoas confusas, é tirado de cena. Pior, além de ter o fim decretado foi taxado de "errado", idéia perpetuada pelas faculdades de Jornalismo até hoje.

Hélio - Hélio |16:56 hs comentários[1].

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sábado, 8 de julho de 2006

WORKISS

WORKISS

Trabalho de faculdade, um dos últimos do curso.

A doce vida

Quando uma criança fica de castigo em seu quarto e quebra todos os móveis e brinquedos do lugar, qual é a reação da mãe? Bater. Algumas palmadas, uma sessão de choro e tudo fica bem. Os pais trabalham mais um pouco, juntam dinheiro e compram novamente brinquedos e móveis. E quando quem se revolta com a punição são criminosos perigosos e sem escrúpulos?

Crianças e presos tornam-se iguais nessa situação, consideradas as devidas proporções. O instinto que os guia é o mesmo: a revolta. Os detentos de Araraquara (SP) agora aparecem como bons-moços porque aceitaram ajudar na reconstrução do presídio, destruído por eles mesmos em uma rebelião. A atitude deles não é louvável e digna de aplausos, eles apenas vão consertar o que estragaram. O que ocorre é a valorização do bem público, a responsabilização dos autores. Voltando à analogia, é como se os pais ensinassem os filho a consertar o que foi quebrado, mostrar as conseqüências dos atos praticados durante um momento de revolta, impensado. Isso se chama educação.

Os presos estão lá porque não tiveram uma educação adequada. Os princípios de cidadania, justiça e sociabilidade (que inclui respeito ao próximo e aos bens dele) não foram corretamente ensinados para eles. A penitenciária é como um quarto de criança: existem ações de reparação de erros, como os cultos religiosos e programas de redução de pena através do trabalho, e "diversões" (drogas, formação de quadrilhas). Fica a critério do preso escolher qual delas fará parte do cotidiano dele.

Como todo ser humano em processo educacional (o deles chama-se ressocialização), é necessária uma orientação adequada, através de ações e idéias que realmente reconstruam a moral do detento. Bater e xingar não resolve, é preciso explicar, argumentar e convencer o preso que ele precisa se educar. É o velho ditado do "prevenir para não remediar". É hora de tirar o doce das crianças, afinal, açúcar demais atrapalha o crescimento.

;-)

Hélio - Hélio |17:21 hs comentários[1].

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quarta-feira, 5 de julho de 2006

MAIS

MAIS

Exposição de fotos resgata história e emoção da imigração japonesa no Brasil

Através de 10 imagens, o fotógrafo Alexis Prappas mostra um pouco de uma jornada em busca de um sonho

No dia 18 de junho de 1908 partia do porto de Kobe, no Japão, o Kasato Maru, navio que trazia ao Brasil cerca de 160 famílias japonesas. Era o início de um sonho. Esses primeiros imigrantes traziam em sua bagagem sonhos, esperanças, vontade de trabalhar e saudade da terra natal. Após o desembarque no porto de Santos (SP), eles começaram a ajudar a construir a história do país que os acolheu. Iniciaram uma jornada de trabalho e luta por uma vida melhor.

A beleza dessa história foi resgatada pelo fotógrafo Alexis Prappas, que realiza uma exposição de fotos sobre esse marco inicial da imigração japonesa no Brasil. As belas imagens podem ser vistas no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande, durante a Exponipo 2006, que termina neste domingo. Nelas, os descendentes residentes em Mato Grosso do Sul e fotografias de objetos pessoais pincelam parte da história desses imigrantes.

A mostra é composta por 10 fotos de netos, filhos e nora dos tripulantes do Kasato Maru. Um detalhe interessante é que cada uma delas traz a região de descendência dos viajantes. São lugares como Fukushima, Chubu e Okinawa, que viram seus filhos partirem para o outro lado do mundo em busca de um sonho. Podem ser vistas também fotos de documentos da época - como passaportes e homenagens - e medalhas recebidas por honra ao mérito.

Alexis conta que a exposição foi idealizada especialmente para o evento e é uma parceria entre ele e a colônia japonesa em Campo Grande, que através do Cenic (Centro Nikkei de Integração Cooperação e Desenvolvimento) promoveu a mostra. Para o fotógrafo "essa exposição é uma homenagem e, a partir de agora, é um documento também".

"Fotografo pessoas interessantes", revela Prappas explicando a motivação para a mostra. Ele conta ainda que o público que mais se emociona são os mais velhos, que conhecem mais a história, "mas é uma oportunidade pro descendente jovem conhecer também", aponta o fotógrafo. E a história pode ser mais bem contada. Ele revela que "isso é um começo, tem muita gente ainda que pode ser fotografada. A exposição pode crescer".

Se depender do ânimo do fotógrafo, que é casado com uma nikkei, a emoção e as lembranças trazidas pelas imagens feitas por ele estarão presentes nas próximas edições do evento. "Espero estar aqui no ano que vem", finaliza. A Exponipo 2006 é uam realização do Cenic e acontece até este domingo, no centro de Convenções Rubens Gil de Camilo (Palácio Popular da Cultura), no Parque dos Poderes, em Campo Grande.

Hélio - Hélio |21:06 hs comentários[0].

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domingo, 2 de julho de 2006

NOTÍCIAS DO SOL

NOTÍCIAS DO SOL NASCENTE

Grupo de dança relembra a história de luta dos imigrantes japoneses

Os orientais deixam de lado a timidez e relembram dançando as dificuldades enfrentadas pelos japoneses pioneiros no Brasil

A dança é uma das mais expressivas formas de arte, podendo manifestar-se até mesmo em lugares inesperados, como uma lavoura. Foi o que aconteceu há cerca de 50 anos quando Issamo Yuba, imigrante japonês e fundador da comunidade que leva seu nome em Mirandópolis (SP), decidiu chamar o escultor japonês Hisao Ohara para introduzir arte no cotidiano dos lavradores que lá viviam. O objetivo era criar uma nova forma artística, seguindo uma filosofia onde o Homem e a terra trabalhada seguem juntos.

Felizmente, Hisao trouxe consigo sua esposa, a professora de balé Akiko Ohara, que começou a ensinar o segredo da expressão através dos movimentos do corpo para aqueles imigrantes e seus descendentes. Há meio século, a tradição japonesa dá as mãos à beleza da dança no Brasil. Atualmente esse grupo, que leva o nome de Ballet Yuba, conta com 35 bailarinos de diferentes gerações. No palco, eles mostram que a arte e a necessidade de expressão não têm idade, nem conhece limites geográficos.

Quem foi à Exponipo 2006, que acontece no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, na noite deste sábado, teve a oportunidade de conferir o resultado desse trabalho. A apresentação foi uma viagem no tempo pela história de luta desses imigrantes que há 98 anos ajudam a construir o Brasil.

O espetáculo começa contando as dificuldades enfrentadas pelos primeiros japoneses que chegaram ao País. Simulando com o movimento do corpo ondas do mar furiosas, o Yuba mostrou a força com a qual os imigrantes lutavam para vencer o oceano e chegar à nova terra. Misturando música, dança e teatro, o grupo continuou a viagem e relembrou o árduo trabalho dos lavradores, a importância da harmonia entre o Homem e a terra e a alegria de um povo cheio de sonhos e esperança.

A beleza da dança oriental está na firmeza dos movimentos e no olhar grave dos bailarinos. E se engana quem acha que dança para os japoneses é tranqüila e contida. O Ballet Yuba visita durante o espetáculo cantores como Frank Sinatra, além de abrir espaço para os ritmos brasileiros do forró e do samba. Na última coreografia da apresentação, o grupo faz uma tradicional Festa Junina, com direito a casamento caipira e tudo, uma demonstração de que as culturas dos dois países já se entrelaçaram.

Três vezes por semana, essas pessoas trocam a enxada pela sapatilha, o chapéu pela música e a roupa surrada pela fantasia, não só a de vestir, mas também a da mente. Os ensaios acontecem sempre após o jantar, "porque de dia a gente trabalha", revela Marian Imamoto, uma das bailarinas. Ela lembra que começou a dançar quando tinha apenas sete anos, "já faz tempo, ficava vendo minhas tias ensaiando e usando aquelas roupas bonitas". A beleza das fantasias, que vão de tradicionais kimonos a vestidos de valsa, se deve à habilidade da Comunidade Yuba, que as fabrica em seu próprio atelier.

O grupo já se apresentou no Japão, Paraguai e vários lugares do Brasil. Além da dança, os descendentes de Issamo Yuba aprendem também teatro, canto, música e fabricação de instrumentos como o violino. Todos os integrantes moram no Sítio Yuba, sede da comunidade, em Mirandópolis (SP), e durante o dia trabalham como lavradores nas plantações de abacaxi, goiaba, abóbora e milho. Os produtos são vendidos aos mercados da cidade, ajudando na subsistência dos Yuba. Mais uma vez os japoneses cantam, dançam, atuam e impressionam a platéia campo-grandense.

A Exponipo 2006 é uma realização do Cenic (Centro Nikei de Integração Cooperação e Desenvolvimento) e termina neste domingo. Além de dança, o evento traz também oficinas, shows musicais, exposições artísticas e comida tipicamente japonesa. O Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo fica no Parque dos Poderes, em Campo Grande.

Hélio Filho;-)

sexta-feira, 16 de junho de 2006

COPA QUE PARIU!<

COPA QUE PARIU!

Puta merda (não deveria começar meu texto xingando, mãs...), eu fico louco para ter tempo de escrever aqui, quando o possuo...branco. Aliás, que saco, eu tenho as melhores idéias a serem escritas quando estou andando, preciso de um computador móvel. Ok, você vai dizer que ele já existe e se chama palm-top. Então compra um pra mim porque eu não tenho dinheiro. Hahahaha.

Chega, vamos falar de Copa do Mundo, está todo mundo falando, por que diabos eu não falaria? Gastei a conjugação do verbo agora, hahaha. Como pode um país do tamanho do Brasil parar para assistir a um jogo de futebol? Resolveram todos os problemas e não me avisaram? Prenderam os mensaleiros e isolaram o PCC?

Após a estréia da Seleção, na terça-feira, saí do trabalho (não é todo mundo que se programa para tomar cerveja e ver o jogo) e demorei quase 10 minutos para atravessar a avenida e poder ir para a minha casa. Caos total. Buzinas onipresentes. Gritos e bandeiras escorriam aos quilos. E eu no meio daquele monte de gente brega e alienada que está cheia de contas para pagar, com parente doente, e acha o máximo encher a cara em cima de camionetes e xingar os nossos vizinhos argentinos.

Não suporto a falsa alegria colocada no rosto dos quase 180 milhões de brasileiros durante essa época. Todos só querem saber se o Ronaldinho vai emagrecer, o que é obrigação dele, já que recebe para jogar, magro. Apenas interessa descobrir se os bebuns de chuteira foram curtir alguma balada e qual será a cor da chuteira do Kaká. Ninguém mais se recorda dos ataques do PCC à polícia e bombeiros em SP que mataram centenas de pessoas, das rebeliões em três estados brasileiros, da taxa de juros sufocante, do álcool que não fica barato nem na safra da cana...

Eu poderia listar milhares de motivos pelos quais o ser humano, principalmente o que habita a terra de Vera Cruz, deve ter vergonha de parar seu trabalho para ver um jogo de futebol. Será que ninguém mais vê que essa bosta de campeonato serve apenas para tapar escândalos em anos eleitorais. Ou será que ninguém percebeu que a Copa acontece sempre em anos de eleições majoritárias (Presidente, Senador)? As Olimpíadas idem.

Não sei ao certo qual é a quantia gasta nessa lambança esportiva, mas com certeza ultrapassa os milhões necessários para matar a fome dos desabrigados pelos terremotos da Índia, vai muito além dos milhões necessários para amparar as crianças etíopes que vivem nos esgotos da capital Dili. Os quilômetros de tecido, gastos apenas na cerimônia de abertura, poderiam vestir todas aquelas pessoas que morrem todos os anos de frio na Rússia. Aí você me fala que ela movimenta o comércio, aquela coisa toda. Concordo, países como a Itália, os Estados Unidos e a Alemanha necessitam muito disso, por isso sediam o evento.

A Copa nada mais é do que um jogo de interesses, de propagandas e de investimentos. Consiste em colocar um bando de desocupados, que se escondem atrás da camisa de atletas e faturam rios de dinheiro, para chutar uma bola até acertar o gol, lembrando que cada um possui duas (piadinha infame).

Enquanto isso, enquanto Ronaldinho ganha em Euro para comer e cheirar pó do Morro da Mangueira, a dona Severina da Silva, lá de SóDeusSabeOnde, no sertão nordestino, acorda 3h, anda 7km com enxada nas costas para colher mandioca, misturar com água e dar de comer para os oito filhos. Já sei: talvez ela queira comer o aço dos estádios ultra-modernos projetados pelos alemães, ou então uma saborosa pizza de couro de bola de futebol. Melhor, sopa de rede de trave. Ah, me economiza e toma vergonha na cara!

"Vamos todos juntos, pra frente Brasil! Salve a Seleção!" - essa é clássica da Copa.:-(

Hélio - Hélio |18:00 hs comentários[0].

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sábado, 13 de maio de 2006

ÇÉQUÝÇÚ

ÇÉQUÝÇÚ

Recebi por e-mail, ainda estou sem tempo de escrever aqui. Sexóloga responde dúvidas sobre sexo (com respostas adequadas).;-)

1) Tenho 20 anos e não transei ainda porque gostaria que a 1ª vez fosse com um namorado fixo. O que vocêacha?"

R: Minha 1ª vez também foi com um namorado fixo. Eu o amarrei na cama.

2)O que fazer para surpreender um namorado tímido naprimeira noite?

R: Apareça com um amante.

3) Tenho um amigo que quer fazer sexo comigo, mas ele tem um pênis de 24 cm. Acho que vai ser doloroso, o que fazer?

R: Manda pra cá que eu testo pra você.

4) Como faço para seduzir o rapaz que eu amo?

R: Tire a roupa.

5) Terminei com meu ex porque ele é muito galinha e agora estou com outro. Mas ainda gosto do ex e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?

R: Quem era mesmo galinha nesta história?

6) Quero saber como enlouquecer um homem só nas preliminares.

R: Mostre umas fotos de umas BMW.

7) Como enlouqueço meu parceiro em uma transa no banheiro?

R: Já usou desentupidor de pia?

8) Como conquistar um homem que tem namorada?

R: Pegue os dois logo. Gente complicada.

9) Saí com um gatinho e foi ótimo. Só que agora fico com o maior medo de ligar pra ele. Será que devo?

R: Depende. O gatinho sabe cagar na caixa de areia?

10) Eu tenho 18 anos mas adoro brincar de bonecas com a minha irmã de 2 anos. Tambem entro na net e não canso de ver cenas de sexo. O que eu faço?

R: Passe numa sex shop e compre um boneco inflável de boas proporções.

11) Sou feia, pobre e chata. O que devo fazer para alguém gostar de mim?

R: Ficar bonita, rica e ser legal. Obviamente.

12) O cara com quem estou saindo é muito legal, mas está dando sinais de ser alcoólatra. O que eu faço?

R: Não deixe ele dirigir.

13) Porque, na hora do sexo, quando a gente está no vai e vem, na hora que o corpo entra em atrito, faz aquele barulho de quem está batendo palmas? Porque nessa hora a gente fica mais excitado?

R: É porque parece que tem torcida, tá ligado? Da próxima vez grite pra galera.

14) Eu não tenho uma cara propriamente linda, apesar de ser normal e não ser feia. O que mais atrai os rapazes é o meu corpo. O que fazer para conseguir comer alguns gatos, tendo em conta que tenho 13 anos?

R: Nesta idade você tem que comer Sucrilhos, entende?

15) Tenho 28 anos e sou virgem, não aguento mais esta situação. Como mudá-la o mais rápido possivel?

R: Está em Salvador? Vai à Orla da Pituba, de madruga. Leve uns R$ 50.

16) Sou virgem e rolou, pela primeira vez, de fazer sexo oral. Terminei engolindo o negócio e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!

R: Claro que corre o risco de ficar grávida. E a criança vai sair pela orelha.

17) A primeira vez dói? Qual a melhor posição para a menina na primeira transa? Tenho 21 anos e ainda não transei porque tenho medo de doer e não agüentar.

R: Dói tanto que você vai ficar em coma e NUNCA mais

vai levantar. Vê se deixa de ser fresca, ô Cinderela.

Ela é bem realista né???

Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você!

Hélio - Hélio |12:04 hs comentários[1].

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quarta-feira, 5 de abril de 2006

NO TIME, GOOD TI

NO TIME, GOOD TIMES, MAYBE SOMETIME!

Correria total, é bom porque estou aprendendo, talvem um dia eu tenha férias. Enquanto isso eu publico meus trabalhaos de faculdade, como o texto abaixo.

Os olhos tapados de um falcão

A Rede Globo exibiu no mês passado um documentário sobre o tráfico de drogas na cidade do Rio de Janeiro, o agora famoso "Falcão- meninos do tráfico". É interessante notar que o vídeo foi exibido menos de 10 dias depois da retirada das tropas do Exército de algumas favelas da cidade, ocupação até agora questionada e mal argumentada. Uma clara superexposição de um problema que acomete o Brasil todo, mas é especialmente, para não usar o termo sensacionalista, coberto pela imprensa nos mínimos detalhes apenas na Cidade Maravilhosa.

É notório o poder de persuasão e a massacrante audiência da Globo no País. A população, ainda assustada com as imagens dos soldados subindo os morros, ficou vulnerável e, conseqüentemente, sugestionável com esse fato. A exibição de um documentário como "Falcão" vem só guiar a opinião da massa, aquela ainda apavorada, que com isso chega a considerar aceitável a hipótese de colocar, como na época da Ditadura Militar, as tropas do Exército na rua, na favela e, não é absurdo pensar que, até dentro de órgãos públicos e casas que podem vir a ser consideradas "suspeitas".

O problema do tráfico não se resolve com homens armados de fuzis, seja da Polícia Militar, Exército ou qualquer outra força repressora. O próprio comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, considera que a solução para esse problema passa pela união dos três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), conscientização da sociedade e ações sociais. Aliás, essas últimas constituem a chave para se trancar essa realidade para sempre no passado.

As pessoas que trabalham para o tráfico precisam de dinheiro, são, em sua maioria, pobres e negros. Elas são o retrato de um Brasil que, a cada dia mais, concentra a renda do país nas mãos de uma pequena camada, a elite dominante. É preciso entender que essa atividade criminal é um dos poucos modos de subsistência dos marginais (não no sentido pejorativo da palavra, mas no sentido de que vivem à margem da sociedade).

Ser traficante em favelas cariocas como a Rocinha e o Vide Gal já é um fator cultural, hereditário. Chega a ser clichê um documentário como o exibido, é como se fazer um vídeo sobre as crianças nordestinas que acordam às 4h e andam quilômetros até a roça para ajudarem os pais a tirar da terra seca o sustento da família. Não são realidades muito diferentes se pensarmos que as oportunidades para esses dois povos brasileiros são as mesmas, ou seja, quase nenhuma.

É hipocrisia de uma rede de televisão como a Globo tentar passar uma imagem de preocupação com essas pessoas, as mesmas que ela aliena e torna escravas do consumismo, da mitificação de celebridades momentâneas que vendem de chinelos a carros. Outro fato curioso é que toda essa "sujeira" no Rio de Janeiro vem à tona, mais cruelmente dessa vez, logo após a escolha do ex-governador Anthony Garotinho como candidato do PMDB a presidente do Brasil. Partido esse que faz oposição ao PT de Lula, a quem a Globo é subordinada por depender das verbas publicitárias do governo federal para produzir as já citadas celebridades. Só faltam agora os bienais arrastões nas praias nobres cariocas como Ipanema e Leblon, que sempre acontecem quando algum repórter global está por perto e em anos eleitorais.

O tráfico de drogas está em todos os estados brasileiros. A situação na cidade de São Paulo, a maior do País, é ainda pior, mas não ganha tanta notoriedade, é tratada como se quase não existisse. Corumbá, na fronteira com a Bolívia, potencial produtora de cocaína, e Ponta Porã, na fronteira com o grande produtor de maconha, Paraguai, ambas cidades dentro de nosso Estado, são pontos estratégicos de entrada e distribuição de entorpecentes para todo o Brasil.

É plausível pensar também sobre uma possível invasão das "democráticas e pacíficas" forças norte-americanas a esses pontos. Possibilidade já levantada pelo juiz federal Odilon de Oliveira em uma palestra para acadêmicos de Direito em uma universidade de Dourados. Se até um magistrado como ele, conhecido como "justiceiro" devido aos ousados processos que move contra grandes empresas acusadas de sonegação fiscal, acha certo um absurdo como esse, não será nada difícil convencer a massa de que essa é a solução.

"Falcão" assustou o Brasil, estremeceu a segurança do brasileiro, conseguiu mostrar de forma real as barbaridades de uma realidade não muito distante da maioria da população. Ao mesmo tempo, deu brecha para que idéias extremas fossem colocadas em pauta. Em momento algum se cogitou a hipótese de ações sociais corretivas e de efeito nesses lugares. À força, com medo, através da coação é que a maioria dos brasileiros acha que deve ser resolvido esse problema. Ponto para a Globo.

"O dever máximo da crítica de arte não é determinar a perfeição do artista em geral, mas a singularidade da perfeição em cada artista." - Lionello Venturi, História da crítica de arte.

Fui!;-)

Hélio - Hélio |18:56 hs comentários[3].

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sábado, 4 de março de 2006

Essa porcaria não e

Essa porcaria não está abrindo?:'(

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

EU CONFESSO!

EU CONFESSO!

Gente, sem tempo total. Prometo que isso vai mudar. Estou devendo o meu tradicional balaço anual, o de 2005, mas é que muita coisa ainda não fechou, estou trabalhando isso. Vamos ao texto:

Sim, eu confesso: deixei de cortar meu próprio cabelo e fui a um salão profissional! Para quem não sabe, desde os dez anos de idade sou eu mesmo quem corta essa coisa que ocupa a minha cabeça (trocadilho infamíssimo). Exceto os nove meses (gestação?) que eu fui militar, com classe e Calvin Klein sempre, quando tinha que seguir o padrão militar de corte de cabelo. Enfim, saí do trabalho e caminhei até aquele lugar já desconhecido e esquecido pelo tempo. Após um formal boa tarde (sou educado sim, e é ótimo!) sentei e comecei a apreciar a arte das tesouras.

Longe de mim falar que a cabeleireira parecia o Edward Mãos de Tesoura (lembra da cor do cabelo da Wynona Rider?), ela era pior do que ele. Imagine uma calça azul royal daquele quase extinto tecido chamado gorgurão, claro que toda coberta daquelas bolinhas brancas que são o carimbo da classe-média baixa (toda roupa ruim junta esses "seres"). A indescritível estampa da blusa me deixava zonzo, não quero nem lembrar. Para o grande final, a senhora corta-lava-hidrata-tinge guardou-me uma ótima surpresa: TAMANCO DE SALTO CRISTAL!!!

Decidi me olhar fixamente no espelho antes de sair correndo e abandonar meu projeto de arrumar essa cabeleira vítima de minhas loucuras cortantes. Expliquei o corte e entreguei a Deus. Para minha distração, o salão disponibilizava uma tevê, nem precisa falar que o canal era a Globo, e os comentários mais construtivos do mundo do tratamento capilar. É claro que vesti aquela bregérrima capa bege e entrei no clima, fui viver outro mundo,e com certeza vivi.

Consegui sobreviver ao jornal (MSTV 2ª Edição), mas não consegui escapar a tempo da "fofa" novela Alma Gêmea. A atenção daquele ser com uma tesoura na mão direita atrás de mim estava dividida entre eu, já desesperado para ir embora, e a saga da pseudo-indígena que faz dieta ortomolecular Serena. A tesoura fechava, Rafael chegava, a tesoura abria, a índia que usa Triton e namora um ator famoso sorria... E a operadora capilar sorria junto.

Eu era quem deveria estar rindo disso, não é? Dispensei uma hora inteira do meu apressado e raro tempo livre para cortar esses fios aqui em cima e, de brinde, ganhei um curso completo sobre opinião da massa alienada. Isso será ótimo para mim. Gostei da experiência, pretendo voltar sim! Ah, eu gostei do corte.

"Mas eu não caio do salto, eu não brigo, eu não falto com a minha verdade. Sinceridade? Sai que a fila tem que andar!" - Maria Rita em Conta outra.

Beijo, me liga! Hahahahaha.

Hélio - Hélio |21:48 hs comentários[1].

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

FÉRIAS? NUNCA B

FÉRIAS? NUNCA BEBI. É BOA?

Correria total, sem recesso no fim de ano. Loucura, correria, informação, sono reduzido...

Esse texto é um trabalho meu de faculdade.

Vai e vem

O apitar desenfreado do despertador daquele antigo nokia preto avisa que é hora de deixar os braços de Morpheu. Ainda entorpecida de sono, usa todas as forças disponíveis em seu corpo e mente para abrir as pesadas e sofridas pupilas. Quando abertas, revelam um lindo céu claro, enfeitado por um sol que acaba de chegar. A típica brisa matinal de Campo Grande entra pela janela e lembra que existe um mundo lá fora e é necessário levantar e escovar os dentes. Com a escova ainda molhada e espumosa a passear pela boca que sente falta de dois dentes perdidos há muito, caminha até a pequena e gelada cozinha.

O baile bucal se reveza agora com a arte de fazer café. Água na chaleira, chaleira no fogão aceso, fogão aceso no piso de lajota marrom pago em doze prestações iguais. Chão frio, duro, arranhado pelos pés que novamente passam por ali com destino ao rebocado banheiro. De frente ao espelho, é possível ver que os dentes estão limpos e o rosto lavado.

Entrando no quarto que abriga a cama de casal, alcança o guarda-roupa e escolhe uma calça jeans surrada e uma velha blusa branca de algodão. Coloca os pequenos pés morenos dentro de uma chinela e volta à cozinha para tomar uma xícara de café. Apanha a bolsa em cima da geladeira, ao lado do clássico pingüin, e segue rumo ao ponto de ônibus.

A caminho sempre encontra uma amiga, empregada doméstica como ela, para bater papo até o "verdão" (apelido dado ao ônibus). Ao avistar o carro da linha 072, fica eufórica por saber que não terá que esperar mais. Dentro do típico aperto de um ônibus lotado às 6 e meia da manhã, se vira e retorce para conseguir um bom lugar, onde continua sua conversa com a amiga que encontrou.

Quase uma hora depois, desce no ponto da Rua 25 de Dezembro e anda duas quadras até chegar ao Edifício Sol Nascente. Abre a porta da cozinha e encontra Jully, uma linda cachorrinha poodle, a espera-la para dar bom-dia.

Começa a faxina enchendo o balde de água e desinfetante para limpar os dois banheiros do apartamento. Depois de limpar os sanitários, recolhe a roupa no varal e a coloca em uma bacia para passar as peças após o almoço. Entra no primeiro dos três quartos e arruma a cama, limpa o chão, remove o pó, levanta tapete, arruma a roupa jogada, fecha gavetas e assim o faz nos outros dias da mesma forma, como se fosse um ritual religioso.

Deixa o último dormitório e começa a lavar a louça na cozinha. Enxuga as peças e começa a preparar o almoço, consultando o congelador da geladeira e o armário ao lado. Apronta as panelas, frita, cozinha, empana, tempera, corta e serve. Todos servidos é hora de almoçar e logo após já começar a lavar toda a louça da refeição. Enxuga tudo, guarda e inicia outro ritual metódico: o de passar a roupa.

Seus olhos cansados refletem os 38 anos de idade que tem. Sempre trabalhou muito, cuidou das irmãs e da mãe. Agora é casada com Lairton de Souza Neves, de 40 anos. Nunca teve filhos, sempre dedicou sua atenção aos sobrinhos, que eram como se fossem seus próprios frutos.

Nenhuma peça de roupa sem passar, entra no banheiro e tranca a porta. Cinco minutos mais tarde sai perfumada e com aquela bolsa que dorme em cima da geladeira (ao lado do pingüin). Fecha a porta, entra no elevador e caminha duas quadras até o ponto.

Embarcada no já conhecido 072, enfrenta toda aquela ginástica por um lugar. Chega em casa e faz o jantar para o marido. Toma banho e se perfuma toda faceira. Deita na cama, dá um beijinho no marido e... Rosana de Souza Neves ouve novamente aquele apitar desenfreado.

"Eu sou várias versões de um mesmo tema seguindo o fluxo vital". - Hélio Filho.

Amuá!